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Saúde mental também é ecológica: o ambiente que nos cerca adoece ou fortalece

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Autor: Nailton Reis*

Quem mora nas grandes cidades sabe: o som do trânsito já acorda a gente antes do despertador. O ar seco, o calor sufocante, a falta de verde, o barulho das obras, buzinas, gritos e motores se misturam no fundo da nossa mente como um zumbido que nunca para. Mas e aí, o que tudo isso tem a ver com saúde mental? Mais do que parece.

A psicologia, por muito tempo, concentrou seus esforços no que está “dentro” do sujeito. Mas há tempos sabemos que os fatores externos — o ambiente, as condições de vida, o espaço urbano — também fazem parte da construção do sofrimento psíquico.

Poluição sonora, por exemplo, não é só incômoda: ela contribui para estresse crônico, irritabilidade, distúrbios do sono e até sintomas depressivos. Viver em ambientes barulhentos, sem privacidade acústica ou refúgio para o silêncio, nos impede de regular emoções, descansar de verdade e até pensar com clareza.

E o desenho das cidades? A forma como os espaços urbanos são planejados (ou mal planejados) influencia diretamente nossa sensação de segurança, liberdade, pertencimento e até nossa autoestima. Ruas esburacadas, calçadas quebradas, ausência de áreas verdes e transporte precário não são apenas falhas estruturais: são fatores que afetam a dignidade das pessoas e seu bem-estar psíquico.

Ao mesmo tempo, o contato com a natureza tem efeitos positivos já bem documentados na literatura científica. Estar em áreas verdes melhora o humor, reduz sintomas de ansiedade, ajuda na concentração e favorece a conexão com o próprio corpo. Não à toa, há terapias que utilizam o ambiente natural como parte do tratamento.

Ou seja, cuidar da saúde mental também é cuidar do meio ambiente. E não falo apenas de plantar árvores — falo de políticas públicas que repensem a mobilidade urbana, de arquiteturas mais humanas, de espaços que respeitem o tempo e o corpo das pessoas. Falo de parar de tratar a natureza como “algo fora” e começar a entendê-la como parte da nossa subjetividade.

Viver com saúde mental é, também, poder morar, circular, respirar e existir com dignidade. E isso passa por onde a gente vive, por como o mundo foi construído à nossa volta — e por como podemos reconstruí-lo, aos poucos, de forma mais cuidadosa e justa.

No fim das contas, uma cidade que adoece seus moradores não pode se dizer desenvolvida. E um sujeito que sofre silenciosamente por causa do ambiente em que vive, precisa ser escutado — inclusive pelas políticas ambientais.

*Nailton Reis é Neuropsicólogo clínico em Cuiabá-MT

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Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase

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Autora: Adriana Costa*

Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.

Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.

Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.

Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.

Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.

Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.

Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.

A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.

Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.

*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT.

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