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Praças para convivência

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Autora: Jandira Maria Pedrollo*

Observo e sinto “na pele” que as diversas praças públicas construídas são inadequadas para atividades como um simples bate papo, principal e mais barato lazer diário entre os idosos.

A população idosa no Brasil aumentou significativamente entre os anos censitários de 2010 e 2022, constatando-se o envelhecimento da população. Com idade igual ou superior a 60 anos, em 2022 era 15,6% da população (acréscimo de 56,0% em relação a 2010). Já a faixa até 14 anos são 19,8% da população (queda de 12,6%). Essas informações nos levam a repensar conceitos na área de urbanismo, em especial as atividades de lazer em praças públicas.

Nos bairros, quando há praças urbanizadas, frequentáveis, não há recantos propícios à convivência. A arborização é ausente ou inadequada, bancos também ausentes ou desconfortáveis e com disposição em fileiras que dificultam o entrosamento. São praças com academias de ginástica, quadras esportivas, parque infantis ou para pets. Nada contra, mas sou favorável também à existência de espaços de convivência, agradáveis, arborizados, com recantos atrativos e confortáveis para a reunião de pessoas de todas as idades e dificuldades.

Observo a solidão de pessoas, em especial de idosos, que, mesmo morando com familiares, pouco interagem, por esses terem suas próprias atividades. E assim, passam o dia, ou dias, sem ter pessoas para conversar, inclusive por falta de local adequado.

Adultos, idosos, do centro ou da periferia, gostam de trocar ideias com amigos, trocar suas experiências, em piquenique, um tereré ou mesmo uma cervejinha na praça. Para muitos, o convívio que lhes resta são as reuniões de família, em templos religiosos, onde se sentem seguros mesmo indo sós, ou em bares e restaurantes quando levados por familiares, ou outras atividades monitoradas.

Para manter a sanidade física e mental é necessário o convívio social para rir, chorar, falar sobre os problemas, as alegrias, as dores e os remédios, isso é fundamental.

As praças ditas “revitalizadas” de Cuiabá, possuem movimentação a partir das feirinhas semanais, o que é ótimo. Mas o ideal é que reuniões de amigos possam acontecer diariamente conforme a disponibilidade de cada um.

As praças de bairros atrativas proporcionam movimentação e vida ao local, o que acaba por influenciar também na segurança pública.

Para o bem estar do cidadão, em especial dos idosos, é preciso incorporar o conceito de “praça como local de encontro, de convivência e de recreação”. Praças que aproximem e reúnam pessoas por motivos culturais, econômicos, políticos ou sociais, servindo como espaço de inclusão, integração e sociabilidade na vida urbana. Praça onde possamos espichar as pernas e mesmo os olhos, uma vez que os muros das casas estão cada dia mais próximos.

*Jandira Maria Pedrollo, arquiteta e urbanista, foi Diretora de Pesquisa e Informação do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, Assessora técnica do CAU/MT e Diretora de Planejamento da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.

[email protected].

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Artigos

Sua empresa realmente faz marketing?

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Autora: Dayane Nascimento* – 

Nem tudo é marketing. E entender isso pode mudar os resultados da sua empresa. É comum ouvir empresários dizendo que precisam “contratar o marketing” quando, na realidade, procuram alguém para administrar as redes sociais, criar anúncios ou produzir conteúdo.

Embora essas atividades sejam importantes, elas representam apenas uma parte do marketing. Confundir essas funções pode parecer apenas um detalhe de nomenclatura, mas costuma gerar desperdício de investimentos e resultados abaixo do esperado.

Essa percepção é reforçada por um levantamento da consultoria Gartner, segundo o qual empresas com elevados níveis de desorganização estratégica são 36% menos propensas a alcançar alto desempenho em marketing e nos resultados do negócio. O estudo indica que, muitas vezes, o problema não está na execução das ações, mas na ausência de uma estratégia capaz de orientar todas elas.

O marketing não é uma ferramenta. É a estratégia que orienta todas as ferramentas. Essa distinção já era defendida por Philip Kotler, considerado um dos principais estudiosos da área. Em Administração de Marketing, ele define marketing como um processo de identificação e atendimento das necessidades humanas e sociais de forma lucrativa.

Em outras palavras, marketing não começa na publicação de um post ou no lançamento de uma campanha. Ele começa muito antes: entendendo o mercado, o comportamento do consumidor, a proposta de valor da empresa e os objetivos do negócio. Quando essa etapa estratégica é ignorada, a comunicação passa a funcionar de forma fragmentada.

A empresa que investe em redes sociais porque “todo mundo está fazendo“, compra mídia paga porque quer vender mais, contrata influenciadores porque virou tendência e reformula sua identidade visual porque acredita que a marca “precisa parecer mais moderna”. São decisões que, isoladamente, podem até ser bem executadas, mas dificilmente constroem um posicionamento consistente.

Não por acaso, Don Schultz, um dos criadores do conceito de Comunicação Integrada de Marketing (Integrated Marketing Communications – IMC), defende que todos os pontos de contato entre empresa e consumidor devem transmitir uma mensagem coerente e alinhada aos objetivos estratégicos da organização. A força da comunicação não está em cada ação individual, mas na capacidade de todas elas trabalharem em conjunto.

Uma analogia simples ajuda a compreender essa diferença. Imagine a construção de um edifício. O pedreiro, o eletricista, o encanador e o pintor exercem funções indispensáveis. No entanto, nenhum deles substitui o projeto arquitetônico. É o projeto que define como cada profissional irá atuar para que o resultado final seja seguro, funcional e coerente. No marketing acontece exatamente o mesmo. Social media, designer, gestor de tráfego, redator, videomaker e assessoria de imprensa são especialistas fundamentais, mas precisam estar conectados por uma estratégia comum.

Esse entendimento também aparece nas organizações que mais se destacam em desempenho. A consultoria Gartner define estratégia de marketing como a disciplina responsável por alinhar todas as atividades de marketing aos objetivos do negócio. A preocupação deixa de ser apenas “o que fazer” e passa a ser “por que fazer”, “para quem fazer” e “como medir o impacto de cada iniciativa”.

Na prática, muitas empresas enfrentam um cenário diferente. Cada fornecedor entrega bem a sua parte, mas ninguém coordena o conjunto. O designer cria peças visualmente atrativas, o social media publica com frequência, o gestor de tráfego otimiza campanhas e a equipe comercial busca novos clientes. Ainda assim, os resultados parecem não acompanhar o esforço.

O problema, muitas vezes, não está na qualidade dos profissionais, mas na ausência de uma direção estratégica que conecte todas essas ações. Essa realidade é especialmente comum em empresas que cresceram rapidamente. À medida que o negócio evolui, surgem novos canais de comunicação, diferentes fornecedores e diversas demandas simultâneas. Sem uma estratégia clara, cada decisão passa a ser tomada de forma reativa, seguindo tendências ou urgências do momento.

Talvez por isso Peter Drucker tenha afirmado que “o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua”. A frase não significa que vender deixa de ser importante, mas que, quando o mercado é compreendido, a proposta de valor é clara e a comunicação é consistente, o cliente percebe naturalmente o valor da empresa. A venda passa a ser consequência de um trabalho estratégico bem executado.

As ferramentas continuarão evoluindo. Novas redes sociais surgirão, formatos de conteúdo serão substituídos e tecnologias baseadas em inteligência artificial transformarão novamente a forma de comunicar. Mas a essência do marketing permanecerá a mesma: compreender pessoas, gerar valor e orientar decisões que aproximem empresas e clientes.

No fim das contas, redes sociais, anúncios, vídeos, eventos e campanhas não são o marketing. São instrumentos. Marketing é a estratégia que faz todos esses instrumentos tocarem a mesma música.

*Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.

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