Artigo
O pólipo uterino, sintomas e tratamento
Autor: Dr. Acir Novaczyk*
A incidência dos pólipos uterinos varia com a população estudada, mas estima-se que seja entre 10 a 25% das mulheres durante sua vida.
A maioria deles são benignos, mas entre 1 a 3%, segundo estudos, podem ser cancerosos, principalmente em mulheres com mais de 50 anos e que apresentem sangramento pós menopausa.
O pólipo não tem causas conhecidas e sua formação pode ocorrer sem nenhum motivo aparente, mas fatores de risco como elevados níveis estrogênicos, idade acima de 40 anos, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, uso de tamoxifen e histórico familiar podem estar presentes.
O que é e quais os sintomas
O pólipo uterino consiste na proliferação excessiva de células da camada interna do útero, que leva à formação de pequenos nódulos, que se desenvolvem para o seu interior. Se ele se desenvolve no corpo do útero, a partir de uma camada chamada de endométrio, recebe o nome de pólipo endometrial. Porém, quando se desenvolve no colo do útero é chamado de pólipo endocervical.
Os pólipos uterinos podem ocorrer em praticamente qualquer idade da vida da mulher, porém, são mais comuns entre os 40 a 50 anos, entretanto, também podem ser encontrados em mulheres bem mais jovens ou mais velhas.
Na maioria dos casos os pólipos não causam sintomas e são descobertos em exame de rotina, porém quando presentes os sintomas habitualmente são genéricos, sendo o principal sangramento vaginal e pode se caracterizar como uma menstruação irregular, mais intensa ou prolongada, sangramento fora do período menstrual ou ainda um sangramento pós relação sexual.
Outro sinal bastante comum é o sangramento após a menopausa e quando isso ocorre e nesses casos fazer o diagnóstico diferencial com o câncer de útero é muito importante
Raramente produz dores ou corrimentos vaginais, mas pode estar associado com casos de infertilidade em mulheres em idade reprodutiva.
Diagnóstico
O diagnóstico do pólipo uterino é feito pelo ginecologista através da avaliação dos sintomas, histórico de saúde, exame ginecológico e exames complementares.
Para confirmar o diagnóstico, o exame de escolha é a ultrassonografia transvaginal, porém também podemos detectá-los com outros exames, como ressonância magnética nuclear de pelve, histerossalpingografia, histerossonografia ou histeroscopia diagnóstica.
Como é feito o tratamento
O tratamento dos pólipos depende do seu tamanho, da idade da paciente, dos sintomas e sua chance de malignidade e deve ser sempre discutida com o ginecologista ou com o endoscopista ginecológico.
Em casos de pólipos pequenos e assintomáticos em pacientes, mais jovens eles podem ser somente acompanhados com exames de rotina, porém em pacientes com pólipos grandes, sintomáticos ou que causem infertilidade, o tratamento é mandatório e sua análise em laboratório de patologia é obrigatória.
Quando a remoção é indicada, a técnica mais utilizada é a histeroscopia que consiste em uma cirurgia minimamente invasiva e utiliza um instrumento com diâmetro muito pequeno, que varia de 2,7 a 4 mm, chamado histeroscópio e permite a visualização do interior da cavidade uterina em uma tela de vídeo, possibilitando a retirada dos pólipos, sem cortes ou pontos, e pode remover tanto o pólipo endometrial, quanto o endocervical.
Antigamente a curetagem uterina era também muito utilizada com essa finalidade, porém com o avanço da medicina e desenvolvimento de novas técnicas, tornou-se obsoleta pois é menos segura e mais invasiva.
É importante lembrar que toda mulher deve sempre consultar o ginecologista quando surgirem sintomas ou uma suspeita em exames de imagem de pólipos, para que seja diagnosticado, e indicado o tratamento mais adequado para cada caso.
*Dr. Acir Novaczyk é ginecologista com dedicação exclusiva à área de endoscopia ginecológica na Clínica Femina e Instituto Eladium
Artigos
Ultrassonografia dos nervos periféricos: um exame que vai muito além da hanseníase
Autora: Adriana Costa* –
Quando pensamos em ultrassonografia, é comum associarmos o exame à gestação, ao abdômen ou às articulações. No entanto, a evolução da tecnologia ampliou significativamente as possibilidades desse método diagnóstico. Um dos exemplos é a ultrassonografia dos nervos periféricos, um exame ainda pouco conhecido pela população, mas que tem desempenhado um papel cada vez mais importante na investigação de doenças que afetam o sistema nervoso.
Durante muitos anos, esse exame ficou bastante associado ao diagnóstico da hanseníase, doença que pode comprometer os nervos periféricos e causar perda de sensibilidade e deformidades quando não identificada precocemente. De fato, a ultrassonografia é uma ferramenta valiosa para essa finalidade, especialmente em estados como Mato Grosso, onde a hanseníase ainda representa um importante desafio para a saúde pública.
Entretanto, limitar esse exame apenas à investigação da hanseníase significa desconhecer todo o seu potencial. Hoje, a ultrassonografia dos nervos periféricos é capaz de auxiliar no diagnóstico de diversas condições que provocam sintomas muito frequentes na população, como dores persistentes, formigamentos, dormência, perda de força muscular e dificuldade para movimentar braços, mãos, pernas ou pés.
Por meio da visualização direta dos nervos em tempo real, o exame permite identificar alterações estruturais que muitas vezes não podem ser percebidas apenas pela avaliação clínica. É possível diagnosticar compressões nervosas, como a síndrome do túnel do carpo, lesões decorrentes de traumas, inflamações, tumores benignos dos nervos, sequelas de acidentes e alterações relacionadas a doenças metabólicas e autoimunes, como o diabetes.
Uma das maiores vantagens desse método é a possibilidade de localizar exatamente o ponto onde o nervo está comprometido e compreender a causa da alteração. Essa informação oferece mais segurança ao médico na definição do tratamento, seja ele clínico, cirúrgico ou de reabilitação.
Além disso, trata-se de um exame confortável para o paciente. A ultrassonografia dos nervos periféricos é indolor, não utiliza radiação ionizante, permite comparar o nervo afetado com o lado oposto do corpo e pode ser realizada de forma dinâmica, acompanhando os movimentos durante a avaliação. Essas características agregam informações importantes que complementam o exame físico e, quando necessário, a eletroneuromiografia.
Outro aspecto relevante é a rapidez com que os resultados podem contribuir para o diagnóstico. Quanto mais cedo a causa de um comprometimento neurológico é identificada, maiores são as chances de iniciar um tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas permanentes e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A medicina tem avançado na busca por diagnósticos cada vez mais precisos e menos invasivos, e a ultrassonografia dos nervos periféricos é um excelente exemplo dessa evolução. Mais do que um exame voltado à hanseníase, ela se tornou uma importante aliada na investigação de diferentes doenças neurológicas, permitindo respostas mais rápidas e tratamentos mais direcionados.
Por isso, diante de sintomas como dormência, formigamentos, dores persistentes ou perda de força, é fundamental buscar avaliação médica. Em muitos casos, a ultrassonografia dos nervos periféricos pode ser o exame que faltava para esclarecer a origem do problema e indicar o caminho mais adequado para a recuperação.
*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT.
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