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Não permita que as críticas o paralisem!

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Autora: Cynthia Lemos*

Você é responsável pela classe de psicólogos não ser valorizada.

Foi o que ouvi ao compartilhar com uma colega, que topei trabalhar no setor de Recursos Humanos no ano da minha formação com a remuneração bem abaixo do teto salarial oferecido à área de psicologia organizacional.

Aquele apontamento me deixou bem chateada, de alguma forma me doía, mas não mais do que o cartão de crédito estourado, sem condições nem para taxa mínima, e para uma gaveta de roupas gastas e furadas, assim como saber que em casa faltava dinheiro até para a comida.

Eu não tinha escolha, tinha vontades, sonhos, por exemplo, de atuar como psicóloga clínica, mas não tinha como, ia trabalhar onde? Não havia vagas para essa área. Eu precisava de uma oportunidade, um lugar pra mostrar meu potencial, minha capacidade.

Talvez com uma depressão velada, negligenciada na época, neguei várias vezes ao convite de trabalhar na empresa da família de uma amiga de infância, filha de pais empresários. Em mais uma tentativa, desta vez ela me disse:

— Vai lá pra ajudar a gente, você fica o tempo que der até arrumar algo na área que quer atuar.

Na época não entendia o que está mais claro hoje, na verdade, não era ela quem precisava, e ela sabia disso ao me ver na situação que estava, dentro de casa, namoro de cerca de 10 anos acabado, acordada até de madrugada assistindo série (Lost), meus pais em situação financeira complicada, ela sabia, e sem que eu percebesse, me estendeu a mão, e eu movida pelo sentimento de ajudar, aceitei.

Ali comecei então minha jornada, não entendia nada de RH, meu foco era a psicanálise, a clínica, mas o lema ali era ajudar, então, bora lá.

Com o livro do autor Chiavenatto, pai da gestão de pessoas debaixo dos braços, fui entender da empresa e das técnicas necessárias para apoiar e compreender o que o negócio precisava.

E assim me joguei, estudos e mais estudos e aplicação do que aprendia, num mix do que os proprietários me apontavam que desejavam fui construindo e em poucos dias já me sentia útil de novo.

Acordava cedo, caminhava até a empresa, e nos primeiros meses, minha alegria foi poder quitar minhas dívidas e nos meses seguintes, comprar roupas e ajudar em casa. O trabalho me trazia movimento, me deixava feliz, me recuperava a dignidade. Não parei mais, e após 120 dias, minha patroa me propôs comissionamento sobre resultados por meio do meu trabalho, e com aquele novo formato consegui dobrar meus ganhos, ali pude voltar a honrar a classe, conseguir algumas conquistas que era de poder me sentir independente, voltar à jornada da construção dos meus sonhos.

Quando olho para trás, percebo que não me fechar às oportunidades que a partir dali surgiram, foi minha grande aliada.

Eu ia me construindo, topando desafios que surgiam na minha área, que era o alvo, sem fechá-lo ao ponto de me bloquear.

Essa questão vale a pena ser abordada, quantas vezes o seu objetivo está tão fechado, que você não percebe que ao se permitir tocar ao redor, este facilitará chegar ao grande centro.

No meu caso, acabei me apaixonando pela área da psicologia aplicada às pessoas e negócios, e aquele ponto específico do alvo que tanto eu perseguia, como única alternativa possível, chegou pra mim há cerca de um ano e meio: a tão sonhada clínica de psicologia, em um porte que naquela época eu nem sonhava imaginar. Mas o grande ponto é que este sonho adormecido lá do passado se materializar hoje foi fruto de dedicação, estudo e atenção constante nesses mais de 16 anos, ou seja, “constância gera consistência”, essa é a grande verdade. Aquela acusação lá do passado, ao qual eu não me rendi, de que eu era a responsável pela desvalorização de uma classe profissional, não se provou, até porque a desvalorização de uma classe não se dá por aquele que se sujeita a começar de baixo, mas sim por aquele que para no tempo, não se atualiza e não aplica esforço de forma constante sobre aquilo que ingere de conhecimento. Esses sim, são os que desvalorizam uma classe.

Hoje minha empresa prioriza no seu corpo técnico psicólogos e minha alegria é poder, em um dos pilares que atuamos, contratar psicólogos clínicos, oportunidade que não pude realizar na minha época de formação, por ser uma área muito escassa.

Na jornada da vida, muitas vezes quando olhamos para uma pessoa, num ponto da vida onde reconhecemos algo de valor, talvez se imagine ou até se expresse:

— Você viu como fulano está? O que será que ele fez para ficar assim tão rápido?

O rápido aos olhos muitas vezes esconde os anos de construção diária, tijolinho por tijolinho, até que de fato se materialize ao ponto de preencher e gerar vislumbre àquele que observa.

Às vezes, para você que está começando, com aqueles pequenos e poucos tijolinhos, nem consiga ver possibilidades e até sonhar algo maior, a grande questão a ser respondida é: continue fazendo, praticando e se preparando todos os dias, e o segredo da vida também se aplicará a você, a chave da consistência daquele que se manteve constante, com o passar do tempo.

*Cynthia Lemos é Psicóloga Empresarial e Coach na Grandy Desenvolvimento Humano. Especialista no Desenvolvimento de Líderes e Empresas tem a missão de: Expandir a Consciência e Gerar Ações Transformadoras – para pessoas e empresas que desejam evoluir em seus projetos e objetivos.

Email: [email protected]

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Artigos

Como a redução da jornada e escala de trabalho pode pesar no bolso do cidadão

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Autor: Jorge Gonçalves Filho*

Enquanto os debates em torno da PEC 221/2019, que propõe a redução da jornada e escala de trabalho, concentram-se fortemente nas reações do varejo, da indústria e de suas grandes associações patronais, um impacto profundo e silencioso ameaça o cotidiano da população. Para além das grandes linhas de montagem, há uma vasta cadeia de prestação de serviços essenciais que sentirá o golpe de forma imediata, transferindo o custo diretamente para o bolso do cidadão comum.

O setor condominial é um dos termômetros mais claros desse cenário. De acordo com dados do mais recente Censo Condominial 2025/2026, o Brasil conta com cerca de 327 mil condomínios, que servem de lar para, aproximadamente, 39 milhões de moradores. Dentro dessa estrutura, a mão de obra, composta por vigilantes, porteiros, profissionais de limpeza e zeladores, representa a maior fatia das despesas ordinárias, alcançando cerca de 70% dos custos totais de manutenção.

Estudos setoriais indicam que a adaptação da escala de trabalho às novas exigências da PEC gerará um incremento de 20% a 23% no custo da mão de obra. O reflexo dessa conta é matemático e inevitável: estima-se um aumento médio de 14% na taxa de condomínio.

O impacto social da medida é que para uma parcela significativa dos 39 milhões de residentes, muitos dos quais já enfrentam o endividamento e a perda do poder de compra, esse reajuste pode ser o gatilho para a inadimplência, inviabilizando o pagamento dos boletos mensais de condomínio e desestabilizando a saúde financeira das comunidades.

O governo não poderá dizer que não haverá aumento do custo de vida, incluindo os serviços públicos, os quais, quem paga, são os contribuintes. O texto da proposta deixa explícito o seu alcance sobre os serviços públicos. Conforme estabelece o artigo 9º da PEC: nos contratos celebrados pela administração pública direta e indireta, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, vigentes na data de publicação desta Emenda Constitucional e cuja execução envolva emprego direto de mão de obra, as disposições relativas à redução da duração do trabalho normal serão aplicadas após aditamento contratual para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro.

Na prática a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro significa uma única coisa: as empresas terceirizadas que prestam serviços públicos para condomínios, hospitais, escolas, segurança e órgãos públicos repassarão o custo do aumento da mão de obra. Quem pagará a conta?

Como o Estado não gera riqueza própria, o fechamento dessa conta se dará por duas vias conhecidas: a piora na qualidade dos serviços prestados ou o aumento da carga tributária. No fim, o contribuinte é quem pagará uma conta para a qual não foi consultado, evidenciando que a reforma, se aprovada sem amortecedores econômicos, cobrará um preço alto de toda a sociedade. E o povo precisa saber disto.

*Jorge Gonçalves FilhoPresidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo

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