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José Luiz Tejon Megido: Agronegócio: salvação da lavoura?
Nos últimos dias algumas mídias trataram da salvação da lavoura, o agronegócio e a colheita da soja, que teve seu início oficial sábado passado, em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Só o agronegócio cresce neste ano, no país, o resto vai de ré.
Mas ficam os desafios, os ganhos do agronegócio deveriam ter sido investidos na infraestrutura do agronegócio, para viabilizar o enfrentamento dos ciclos de menores preços das commodities. E, também, neste domingo, na cidade de Ipameri em Goiás, na Fazenda Santa Brígida, de uma produtora rural a Sra. Marize Porto, ocorreu um dia de campo do que virá a ser a grande revolução tecnológica do agronegócio de produção intensiva, será a ILPF, integração lavoura pecuária e floresta. Significa uma tecnologia onde na mesma propriedade irão conviver grãos, gado e florestas.
Para fazer isso o produtor precisa investir, equipamentos, gestão e educação. Da mesma forma na nova era da escassez, com a qual vamos conviver, o investimento em irrigação por gotejamento, além de economizar muita água, significará também uma fertilização com a irrigação, melhorando produtividade e qualidade nutricional dos alimentos, apenas para citar duas revoluções já do presente.
Ou seja, nas vacas gordas do agronegócio brasileiro, os investimentos estruturais não foram feitos na dimensão e velocidade que deveriam, e também, quantos produtores estão preparados para a nova agricultura, já batizada de sustentavelmente intensiva? Mudança em altíssima velocidade é a única certeza.
Enquanto questões não vinculadas com a eficácia e a segurança da produção de alimentos tomam conta do foco político e midiático do país, o agronegócio está sendo a salvação da lavoura da economia nacional. Há um preço nesse processo histórico. Ao longo dos últimos 30 anos muitos produtores faliram, muitos não conseguiram fazer sucessão, e o Brasil cresceu a um custo de sofrimentos. Esses sofrimentos não são revelados, nem tratados.
O empreendedorismo, onde o Brasil desponta como o maior do mundo, teve e tem no agronegócio, com certeza, a sua dimensão número um. Muitos ficaram pelo caminho, e muitos ficarão. O preço da ausência da estratégia é o conflito injusto com o domínio das incertezas.
Se o agronegócio está sendo a salvação da lavoura nacional, fica aqui a provocação: quem será a salvação do novo agricultor, tecnologicamente, educacionalmente e sem políticas de seguro e planos de longo prazo dependente? Sem produtor sustentável não existirá sustentabilidade. Sem sustentabilidade institucional, a seleção forçada é acentuada, fica a lei dos mais fortes, e não há o que ideólogos utópicos possam clamar, em nome dos fracos e oprimidos. Viva a nova safra! Nada mudou, os mais competitivos sobreviverão.
José Luiz Tejon Megido, Conselheiro Fiscal do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o Núcleo de Agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão.
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Comunicar também é uma prática de responsabilidade ESG
Autora: Dayane Nascimento* –
Durante muito tempo, as empresas acreditaram que precisavam criar diferenciais para conquistar espaço no mercado. A experiência que vivemos na Cartê entre 2025 e 2026 mostrou exatamente o contrário: os diferenciais já existem, o verdadeiro desafio é fazer com que eles sejam reconhecidos.
Há um ano publicamos nosso Manual de Boas Práticas e Compromissos ESG. Mais do que um documento institucional, ele representou a decisão de tornar públicos todos os princípios que já orientavam nossa forma de trabalhar, de nos relacionar com clientes, fornecedores e colaboradores.
Antes mesmo da formalização, práticas como respeito às pessoas, ética nas relações, transparência, combate ao assédio, uso responsável da inteligência artificial e atenção ao bem-estar da equipe já faziam parte da nossa rotina. Elas existiam. Apenas não estavam organizadas e comunicadas de maneira clara.
Essa talvez seja uma realidade comum em muitas empresas. Bons processos, valores sólidos e diferenciais importantes permanecem invisíveis simplesmente porque ninguém os comunica de forma estruturada. Ao transformar esses compromissos em um documento público, percebemos que o manual passou a cumprir diferentes papéis.
Internamente, o documento se se tornou uma referência para orientar comportamentos e apoiar decisões. Externamente, passou a demonstrar, de forma objetiva, quais princípios sustentam nossa atuação, ou seja, nosso manual de boas práticas deu visibilidade à cultura que já existia. E isso faz a diferença.
Ao longo desse primeiro ano, percebemos que a formalização dos compromissos também abriu oportunidades permanentes de comunicação. Sempre que falamos sobre nossas práticas, reforçamos aquilo que acreditamos e mostramos como esses valores estão presentes no cotidiano da empresa.
Em um ambiente de negócios cada vez mais atento à transparência e à responsabilidade, comunicar valores deixou de ser um exercício de marketing. Tornou-se uma forma de fortalecer relações de confiança. Essa confiança não nasce apenas dos discursos, ela é construída pela coerência entre aquilo que a empresa diz e aquilo que efetivamente pratica. Quando existe consistência, a comunicação apenas revela o que já acontece todos os dias.
Talvez esse tenha sido o maior aprendizado desse primeiro ano: não basta fazer o certo. É preciso tornar esse compromisso visível para quem escolhe caminhar ao nosso lado. Nesse sentido, a comunicação do que estamos fazendo não segue o caminho da “autopromoção“, pelo contrário, a proposta é prestar contas, compartilhar responsabilidades e permitir que nossos stakeholders conheçam os princípios que orientam cada decisão.
Ao olharmos para esse primeiro ano, entendemos que o Manual de Boas Práticas e Compromissos ESG continua sendo menos um ponto de chegada e mais um compromisso permanente de manter nossos valores vivos, praticados e, principalmente, transparentes.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla no ambiente empresarial. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae, 2023), cerca de 70% das micro e pequenas empresas brasileiras já desenvolvem alguma prática ESG, sinalizando que responsabilidade, transparência e boa governança deixaram de ser temas exclusivos das grandes organizações e passaram a integrar a estratégia de negócios de empresas de todos os portes.
Na Cartê, essa experiência reforçou uma convicção que seguirá orientando nossa atuação. A coerência entre aquilo que a empresa acredita, pratica e comunica fortalece a cultura organizacional, gera confiança e consolida relações mais sólidas. Afinal, reputação não nasce do discurso, mas da consistência entre palavras e atitudes!
*Dayane Nascimento, consultora marketing com formação na UFMT, especialista em economia comportamento pela ESPM/SP e empresária.
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