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Gabriel Novis Neves : Personalidades

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                                                      Personalidades

Por Gabriel Novis Neves 

Mato Grosso é um Estado pródigo em filhos ilustres nas letras, nas artes, na política. Respondendo há poucos dias a uma pesquisa sobre quais seriam as três personalidades mais importantes nascidas aqui, me vi embaralhado com relação a curta lista e, principalmente, na escolha do terceiro nome, já que dois são considerados unanimidades. 

gabrielnovisnevesRefiro-me ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e Dom Francisco de Aquino Corrêa. Cândido Rondon, como era conhecido pelas antigas gerações, nasceu em um lugarejo próximo a Cuiabá (Mimoso), filho de pais pobres e, se vivo estivesse, estaria com cento e cinquenta anos completos. Foi um "militar sertanista", considerado um dos cinco maiores andarilhos do mundo, responsável pela ligação telegráfica de Cuiabá à Manaus. 

Grande pacificador dos índios. Foi um estudioso em botânica, cartografia, geologia, geografia, história, antropologia e indigenista por vocação. Criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPIe foi um dos idealizadores do Parque Nacional do Xingu. Morreu cego no Rio de Janeiro aos noventa e três anos de idade. Seu lema: "Morrer se preciso for, matar nunca!", foi um dos seus maiores legados. Indicado para receber o Prêmio Nobel da Paz, injustamente teve o seu nome rejeitado pela política Academia da Suécia! Outro mato-grossense unanimidade foi Dom Francisco de Aquino Corrêa. 

De origem humilde, ingressou na carreira religiosa e concluiu o seu curso em Roma. Retornando à Cuiabá foi nomeado o Arcebispo mais jovem do Brasil. Na sua missão de catequese e de formação de jovens para a vida, teve tempo de fundar a Academia Mato-grossense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. 

Foi governador do Estado para apaziguar a conturbada política reinante no início do século XX. Foi o primeiro mato-grossense a pertencer à Academia Brasileira de Letras e a dezenas de instituições culturais nacionais e internacionais. Embaixador plenipotenciário do Brasil. Foi escritor, poeta e grande orador sacro. 

Carismático, seus restos mortais encontram-se na Catedral Metropolitana de Cuiabá. Na minha opinião, a terceira personalidade mais destacada deste Estado está, lamentavelmente, esquecida na sua cidade. Menino pobre, ribeirinho, filho de mãe lavadeira, saiu muito jovem de Cuiabá para tentar o ingresso na carreira militar no Rio de Janeiro. Exerceu, por merecimento, todos os cargos da sua brilhante carreira e chegou ao cargo de Ministro da Guerra. 

Eleito democraticamente Presidente do Brasil, em dezembro de 1945, após a queda da ditadura Vargas, com a missão de redemocratizar o Brasil. Derrotou nas urnas a um herói nacional – o Brigadeiro Eduardo Gomes. Exerceu com absoluta lisura o seu mandato de comandante desta nação, com discrição, ética, sempre respeitando a Constituição. 

Promoveu, como um juiz, eleições presidenciais, passando democraticamente a faixa presidencial ao seu sucessor legitimamente escolhido pelas urnas. Sua cidade deve um justo reconhecimento ao único Presidente da República aqui nascido e educado, que foi Eurico Gaspar Dutra. 

Gabriel Novis Neves é médico 

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Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?

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Autor: Luis Carlos Marques Fonseca*

A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.

A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.

Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.

Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.

As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.

Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.

*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).

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