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ARTIGO

Francisney Liberato: – Como fazer uma Live

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                       Como fazer uma Live

Autor: Francisney Liberato

Atinja seus objetivos, utilizando-se dos recursos disponíveis e gratuito da internet.

Com a chegada da pandemia do novo Coronavírus, as pessoas foram forçadas a se adaptarem a um novo cenário, e a obedecerem ao processo de isolamento, para contenção do contágio. Diante disso, os meios eletrônicos e a comunicação também sofreram suas mudanças. As pessoas passaram a utilizar o que chamamos de “lives”.

As lives, ou transmissão ao vivo, são encontradas nas principais redes sociais do momento: Instagram, Facebook e YouTube.

Essas transmissões são utilizadas para diversos tipos de apresentação, tais como: show de humor, diálogo, bate-papo, palestras, seminários e congressos, apresentação de um show musical ou teatral, apresentação de um produto, entrevistas, dentre outros assuntos que qualquer indivíduo pode disponibilizar ao vivo para todo o mundo. E isso nada mais é do que a democratização da comunicação.

Diante desse novo cenário, com a inclusão das lives no nosso dia a dia, é relevante observar algumas recomendações que poderão melhorar a nossa performance diante do público.

Faça um planejamento da sua Live, defina o tema, objetivo, o tempo mínimo e máximo da transmissão, e o público-alvo que você deseja alcançar na transmissão ao vivo.

Busque um tema relevante para o momento e que desperte interesse do seu público-alvo.

Avalie se em sua Live se você convidará algum especialista ou alguém para participar da transmissão ao vivo; se sim, é importante fazer a divulgação da sua imagem, síntese do currículo, perfil das redes sociais e outros.

Agende a Live, faça banner e divulgue nas redes sociais, grupos e demais canais midiáticos, para que as pessoas dela participem. Agende com antecedência e faça a divulgação com pelo menos uma semana de antecedência do evento.

Quanto à divulgação da Live, se houver interesse e recursos financeiros para tal, você pode patrocinar o banner da transmissão, para atingir um público específico do seu desejo.

Os proprietários das redes sociais, que fazem a transmissão ao vivo, prometem fazer o convite da sua Live para os seus seguidores, contudo, vejo que isso nem sempre ocorre de fato, pois é difícil saber realmente qual é o interesse das empresas e os algoritmos que elas utilizam.

Faça um esboço ou roteiro sobre o detalhamento do tema e o seu objetivo, quem sabe até incluindo algumas perguntas para ter como base durante a transmissão ao vivo. Semelhantemente ao que ocorre em um programa de televisão, em que há um planejamento. Entendo que na Live deverá ter a mesma organização para que tenhamos sucesso.

Para executar a Live é importante preparar o ambiente, ou seja, uma estrutura adequada, um fundo neutro, sem carregar o ambiente com muitas informações ou que chame atenção dos telespectadores, o que causará a distração do público e cansaço visual.

A Live deve ser transmitida em um ambiente tranquilo e sem ruídos e com uma boa iluminação para que facilite a visualização pelos seus ouvintes. Analise a possibilidade de utilizar fone de ouvido.

Utilize roupas adequadas, com o mínimo de acessórios para não chamar atenção dos seus telespectadores. Evite as roupas estampadas, xadrez e outras mais chamativas. Se apronte para participar da transmissão ao vivo, lembre-se que a sua imagem transmite quem você é. A mesma regra vale para as maquiagens.

Um ponto bem relevante do qual você não pode se descuidar é a questão da internet. Com a chegada da pandemia, o número de acessos e a quantidade de horas que as pessoas passam na internet aumentaram significativamente, como consequência, ocorre oscilação da internet em todos os lugares. Procure um ambiente da sua casa ou escritório que tenha o melhor sinal da internet, para que você faça a sua Live com tranquilidade. É bom lembrar que existem alguns horários de alta demanda de internet, como consequência, haverá sobrecargas em momentos que ocorrem mais lives, por exemplo, das 18h até às 20h, a depender de cada localidade.

Por óbvio, como não estamos em um ambiente apropriado para fazer transmissões ao vivo, se comparado a um estúdio de televisão, é provável que teremos algumas intercorrências e ruídos durante a transmissão, além do mais, estamos sujeitos à oscilação da internet, ou outros motivos alheios à nossa vontade.

Durante a transmissão ao vivo e já tendo a participação do seu público, atente-se para alguns pontos: deseje boa noite a todos, cite o nome das primeiras pessoas que entraram na sua Live, solicite que falem de qual estado e cidade eles estão assistindo a Live, peça para que os telespectadores convidem os seus amigos e familiares a participarem da transmissão ao vivo, peça para o público fazer perguntas e dar a sua opinião sobre o assunto tratado na Live, pergunte se estão gostando da transmissão, convide o público para ficar até ao final da Live, pois haverá sorteios e brindes para essas pessoas, peça para apertar o “coração”, o “joia”, como termômetro do interesse do público, faça chamada para ação, ou seja, comprar algum produto, clicar em um link, fazer comentários em uma postagem no feed, ver um vídeo, participar de promoção e outras dinâmicas para prender a atenção do público.

Como a transmissão é ao vivo, e não presencial, a tendência é que as pessoas se dispersem muito rápido, além de estar fazendo outras atividades simultaneamente durante a Live. Prender a atenção do público no início, meio e fim é algo extremamente desafiador. Por outro lado, há também um sobrecarga de lives nas redes sociais, e que auxilia na dispersão rápida dos seus seguidores.

Os debatedores precisam ser dinâmicos, utilizando técnicas de oratória, fazendo bastante variações da voz, falando um pouco mais alto do que o seu normal. Sincronizar a postura, voz, gesticulação e olhar. Falar com empolgação, envolvimento e animação diante das câmeras. Por ser uma nova forma de comunicação, carece de uma nova dinâmica.

Fale frases curtas, diretas e objetivas. Utilize o tempo verbal de maneira correta. Aplique uma linguagem acessível, uma vez que temos um público variado, mesmo em meio a um público técnico.

Quando você estiver falando, é extremamente importante que olhe para a câmera do celular ou filmadora, e não para os comentários ou para outro debatedor. A tendência nossa é que ficarmos olhando para nossa própria imagem, para o interlocutor ou para os comentários.

Quanto à posição diante da câmera, não fique próximo dela, ou seja, com o rosto gigante, para não parecer muito invasivo, e nem muito distante para não passar a impressão de que não quer aproximação com o público. Aqui vai um detalhe da tecnologia: nem sempre o distanciamento da sua imagem que você vê na transmissão é o que realmente as pessoas estão vendo, em outras palavras, nas minhas lives, me vejo em um distanciamento adequado, a partir da altura do diafragma, mas quando eu vejo a gravação, é apresentada a imagem a partir do pescoço. É difícil compreender isso, mas é o que de fato ocorre, portanto, faça teste e simulações.

Tenha muito cuidado com a sua dicção e postura diante da câmera. Na Live, ocorrem alguns atrasos entre a sua fala e o tempo que o ouvinte recebe a mensagem, dessa forma, nem sempre poderemos falar muito rápido, por isso, dê pausas, para que não haja uma confusão sonora da mensagem.

Não fale juntamente com o seu interlocutor, devido ao atraso da entrega da mensagem pela internet, pois se falarem juntos é provável que atrapalhará a mensagem ouvida pelo público. Então, saiba observar esses detalhes de atraso de transmissão.

Aja com naturalidade e simplicidade durante transmissão. O seu objetivo é tentar aproximar-se do público que está em qualquer lugar deste mundo, então se esforce para tal desafio.

Ao final da Live, lembre-se de agradecer o outro debatedor, se houver, ao seu público pelos comentários e curtidas; que sigam o perfil dos protagonistas da transmissão nas redes sociais, fale da data da próxima Live e dos futuros projetos, de forma breve, e, se for o caso, chame o público para a ação.

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.

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Artigos

Pioneiros da Cuiabá-Santarém

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Autor: Onofre Ribeiro*

No último dia 2 de setembro os pioneiros que construíram a rodovia Cuiabá-Santarém na década de 1970, inaugurada em 1976, reuniram-se para comemorar os 50 anos da rodovia. Recebi o convite do pioneiro Walmor Faé e do tenente Antonio Carlos, mas lamentei não poder ir. Tenho profunda admiração por essa rodovia. Especialmente pelo motivo de sua construção e pelo pioneirismo da aventura na floresta desconhecida de Mato Grosso com os meios que se tinha na época.

O encontro dos pioneiros foi na região de São Cristóvão, 40 quilômetros antes de Lucas do Rio Verde. Comemorou-se com uma placa os 50 anos do marco inicial do começo da obra. Depois teve uma homenagem da prefeitura de Lucas do Rio Verde. Visto assim, 50 anos depois, não parece que aquele pioneirismo seja reconhecido aos olhos dos atuais mato-grossenses com o valor estratégico que teve.

A rodovia nasceu da necessidade de se integrar a Amazônia até o porto fluvial de Santarém, dentro do propósito estratégico nacional de ocupar a Amazônia a partir de Cuiabá. O objetivo estava no lema “integrar pra não entregar”. Movimento internacional defendia a tese de que a Amazônia não era só brasileira. O governo militar da época, General Garrastazu Médici, decidiu pela integração da Amazônia.

A obra ficou a cargo do 9º. Batalhão de Engenharia de Construção, oriundo do 3º. Batalhão Ferroviário, de Carazinho-RS. O 9º. BEC levaria a obra até Cachimbo, em Mato Grosso, 793 km. Já o 8º. Batalhão de Engenharia e Construção, sediado em Santarém, no Pará, desceria com a obra do Norte para o Sul e se encontrariam em Cachimbo. Ali foi a inauguração.

Vieram militares do Rio Grande do Sul e uma grande frota de máquinas em cima dos recém-comprados caminhões FNM até Cuiabá. Nas condições inóspitas da obra, morreram 21 pessoas, entre militares e trabalhadores civis. Vi trecho em construção na região da atual Nova Mutum. Era a mais pura aventura.

Ao longo da BR-163 nasceram os municípios de Sinop, Alta Floresta Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Marcelândia, Sorriso, Novo Progresso e Trairão. Esses dois últimos no Pará.

O propósito da integração da Amazônia, acabou mesmo acontecendo. Hoje metade da produção de Mato Grosso escoa-se pelos portos de Miritituba e de Santarém, no Pará, desafogando as rodovias para portos do Sul e Sudeste.

Nos anos de 1970 a Amazônia foi tema europeu e se pretendia abrir uma discussão mundial liderada pela França pela ocupação internacional da Amazônia. Hoje o tema mudou de discurso, mas ainda não morreu. Caso venha a ser levado adiante, serão outros os argumentos e outras as ações internacionais.

Lá atrás um grupo de pioneiros garantiu a abertura da floresta com as máquinas disponíveis e deu à região a soberania que naquele momento corria risco.

Hoje, todos pioneiros de cabelos brancos. Muitos já partiram. Ficou uma história de vidas e de pioneirismo

*Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]

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