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Artigo

Fortalecer a família é construir uma sociedade mais justa e segura

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Autora: Katiuscia Manteli*

A família é o nosso primeiro abrigo. É onde a gente aprende o que é amor, respeito, partilha. É ali, entre conversas na cozinha, conselhos no portão e abraços apertados, que construímos os alicerces da vida.

É na família que damos os primeiros passos — não só para andar, mas para sermos quem somos. É onde aprendemos a escutar, a cuidar, a sermos solidários. Por isso, proteger a família é mais do que uma escolha: é um compromisso com o futuro.

Eu cresci em uma família simples, meus pais, com força e doçura, me ensinaram que dignidade não está nas coisas, mas nos valores que levamos. Foram tempos difíceis, mas cheios de afeto. E foi esse amor, esse exemplo de coragem, que me guiou nos momentos mais desafiadores da vida.

Trabalhei cedo, sonhei alto, enfrentei obstáculos… E foi justamente nesses caminhos que descobri a minha missão: servir as pessoas, olhar por quem mais precisa lutar por justiça social com o coração aberto.

Com quase 20 anos de vida pública, carrego comigo uma certeza: a verdadeira transformação começa dentro de casa. Nenhuma política pública funciona de verdade se não considerar a realidade das famílias, seus desafios, suas dores e também suas esperanças.

Aprendi que quando uma família está amparada, ela floresce. Quando uma mãe tem apoio, ela se fortalece. Quando um idoso é respeitado, toda a comunidade ganha sabedoria. Quando uma criança cresce cercada de amor, ela transforma o mundo.

Por isso, precisamos de políticas públicas que não apenas enxerguem números, mas pessoas. Que invistam em educação com afeto, em saúde com humanidade, em assistência social com empatia. E, sobretudo, que respeitem todas as formas de família — porque amor não tem formato único.

Como mulher, mãe, cristã e vereadora, eu acredito no poder da fé, da escuta e do compromisso com o outro. A gente não pode aceitar que crianças cresçam com medo, que mulheres sejam silenciadas, que idosos sejam deixados de lado.

É tempo de nos reconectarmos com o que realmente importa. Família é mais do que um núcleo: é a base sobre a qual se ergue uma sociedade inteira.

Hoje, no Dia da Família, eu deixo um convite: vamos cuidar mais, julgar menos. Vamos acolher, ouvir, apoiar. Porque quando a base está firme, todo o resto encontra equilíbrio.

E uma sociedade justa e segura começa exatamente aí: em famílias bem cuidadas, respeitadas e amadas.

*Katiuscia Manteli, jornalista e vereadora por Cuiabá

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Artigos

Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?

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Autor: Luis Carlos Marques Fonseca*

A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.

A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.

Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.

Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.

As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.

Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.

*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).

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