Artigo
Em que momento deve se levar seu filho a um nefrologista pediátrico?
Autora: Emmanuela Bortoletto Santos dos Reis*
Muitos pais levam os filhos no médico pediatra para acompanhar a saúde da criança desde que nasce. O que é muito importante. Já que é o pediatra que avalia se a criança precisa ser encaminhada para um especialista para tratar alguma enfermidade que vai além dos cuidados pediátricos gerais.
Assim também acontece referente ao nefrologista infantil ou pediátrico. Os pais que dão o primeiro alerta para o médico pediatra que tem algo que não está normal no sistema urinário ou renal da criança. Como infecções urinárias de repetição, distúrbios da micção, presença de inchaço no corpo, evidência de pressão alta, sangue e/ou proteína na urina, alteração da função renal, alterações do tamanho, forma e presença de dilatação dos rins (detectáveis em exames de imagem), entre outros sinais e sintomas.
Em vários casos, um problema renal crônico pode passar despercebido, principalmente nos estágios iniciais, quando a doença pode não apresentar sintomas. O pediatra ou outro especialista que atende a sua criança avaliará o momento adequado de encaminhá-la para a nefrologia pediátrica.
Crianças e adolescentes podem ter doenças renais agudas ou crônicas, assim como sofrer de enfermidades congênitas ou adquiridas do sistema urinário.
Nessa etapa da vida, os problemas nefrológicos mais comuns são: infecções do trato urinário, enurese e distúrbios da micção (incluindo perda de xixi na cama ou na roupa), hipertensão arterial, anomalias congênitas do rim e do trato urinário, urolitíase (cálculo ou pedra nos rins), hematúria (sangue na urina) e proteinúria (proteína excessiva na urina), glomerulopatias primárias e secundárias (nefrites, síndrome nefrítica e síndrome nefrótica), doenças hereditárias, doenças císticas renais e tubulopatias, distúrbios eletrolíticos e ácido-base e doença renal crônica e suas complicações.
Hoje infelizmente devido a fatores como aumento da obesidade, sedentarismo, diabetes, hipertensão arterial, detecção de anomalias congênitas do rim e do trato urinário e complicações da função renal em pacientes críticos, houve um crescimento da prevalência e do diagnóstico das doenças nefrológicas.
Portanto, sempre leve seu filho ao médico pediatra para que ele identifique se há algo errado e encaminhe para o médico especialista. Quanto mais cedo o diagnóstico mais eficaz o tratamento.
*Emmanuela Bortoletto Santos dos Reis é médica Nefropediatra no Hospital Santa Rosa e professora na UNIVAG- CRM/ MT 6596 e RQE 300; 327.
Artigos
Muito além do futebol, o Brasil também tem o SUS
Autor: Marco Felipe* –
O futebol é uma das maiores paixões do povo brasileiro. É o esporte que nos une, que faz milhões de pessoas vestirem a mesma camisa, comemorarem as mesmas vitórias e acreditarem que, juntos, podemos superar qualquer desafio. O futebol é parte da nossa identidade nacional.
Mas existe outro patrimônio brasileiro que também merece reconhecimento, respeito e orgulho: o Sistema Único de Saúde (SUS). Assim como o futebol, o SUS está presente em todos os cantos do país. Da maior capital à menor comunidade rural, ele alcança pessoas de diferentes culturas, histórias e realidades. E talvez seja justamente por isso que ele seja uma das maiores e mais complexas conquistas sociais do Brasil.
Em Mato Grosso, essa realidade se torna ainda mais evidente. Somos um estado de dimensões continentais, marcado por grandes distâncias geográficas, vazios assistenciais, comunidades indígenas, povos ribeirinhos, assentamentos rurais e municípios com características completamente distintas entre si. Levar saúde pública de qualidade a todos esses territórios não é uma tarefa simples. Ainda assim, ela acontece todos os dias.
Por trás desse trabalho existem 142 secretários municipais de saúde que, muito mais do que gestores, atuam como técnicos, planejadores, articuladores e solucionadores de problemas. São profissionais que enfrentam diariamente os desafios do financiamento, da logística, da escassez de mão de obra especializada e das demandas crescentes da população.
Enquanto muitos enxergam apenas o atendimento na unidade de saúde, existe uma engrenagem complexa funcionando nos bastidores. O SUS não para. Ele funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, para que vacinas cheguem aos municípios, consultas sejam realizadas, medicamentos sejam distribuídos, ambulâncias estejam disponíveis e pacientes tenham acesso aos serviços de média e alta complexidade.
É um sistema amplo e complexo que atende desde o nascimento até os cuidados mais especializados. Está no atendimento de urgência, nos transplantes, na vigilância epidemiológica, na prevenção de doenças e em inúmeras outras ações que impactam diretamente a vida dos brasileiros. Talvez o maior desafio seja justamente este, o SUS funciona tão “naturalmente” na vida das pessoas que muitas vezes sua importância passa despercebida.
Quando um time entra em campo, vemos os jogadores, mas existe toda uma estrutura por trás para que a partida aconteça. No SUS é a mesma coisa. Há profissionais da saúde, gestores, conselhos, equipes técnicas e instituições trabalhando de forma integrada para garantir que o sistema continue atendendo quem mais precisa.
Por isso, acredito que precisamos falar mais sobre o SUS. Precisamos valorizar seus profissionais, reconhecer seus avanços e compreender sua importância estratégica para o desenvolvimento social do país. O Brasil é conhecido mundialmente pelo futebol, mas também deveria ser reconhecido pela coragem de manter um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, universal, gratuito e acessível para toda a população.
Em Mato Grosso, seguimos fazendo nossa parte. Os 142 gestores municipais de saúde sabem que cada decisão tomada impacta diretamente a vida das pessoas, e é essa responsabilidade que nos move diariamente. Assim como o futebol representa a paixão de um povo, o SUS representa o cuidado com esse mesmo povo. E cuidar das pessoas é, sem dúvida, uma das maiores vitórias que uma sociedade pode conquistar.
*Marco Felipe – Presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT) e Secretário de Saúde de Nova Ubiratã.
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