ARTIGO
Cristiana Maranhão: – O modelo Open Source se expandiu para além da tecnologia, ele também salva vidas
O modelo Open Source se expandiu para além da tecnologia, ele também salva vidas
Nos próximos meses, cientistas de todo o mundo monitorarão informações sobre a doença de forma pública, com dados abertos, bem como seu impacto nos sistemas de saúde e na população
Autora: Cristiana Maranhão –
Uma das principais lições que esta pandemia deixará está bastante clara no título deste arquivo. O open source venceu e não apenas como modelo de desenvolvimento de aplicações, mas como modelo de compartilhamento de conhecimento e de colaboração. Ele já vinha se mostrando eficiente há anos, mas, neste período de pandemia, ele tem sido fundamental.
Falando em tecnologia, é inegável que hoje a internet é baseada em código aberto. Essa predominância se explica por uma diferença simples: no desenvolvimento do software proprietário, alguém é dono daquele código, daquele conhecimento específico. E isso limita tremendamente sua capacidade de inovação. É o dono do código quem vai determinar o que será desenvolvido e onde será aplicado o que, limita esta decisão a um pequeno grupo e a sua capacidade de investimento.
No modelo open, que predomina na internet hoje, esse projeto vai para a comunidade. Uma vez que ele consegue reunir uma série de colaboradores ao seu redor, o projeto está viabilizado. Isso vale para o desenvolvimento de software, mas o modelo tem sido utilizado em diversos setores, especialmente agora.
Olhando para este momento de pandemia, o escritor Yuval Harari, em seu artigo “Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade”, lembrou que não há uma liderança clara nos esforços contra o coronavírus. Ele destacou que as verdadeiras ferramentas contra a situação atual são a cooperação entre os agentes, a solidariedade global e informação científica confiável. Na prática, isso significa que em um mundo globalizado não é possível a atuação independente, ou proprietária.
Este é o novo padrão, já percebido pela comunidade científica global: informação aberta, organizada, disponibilização dos modelos de progressão da epidemia e de procura do sistema de saúde, para que possam ser estudados e, principalmente, melhorados. Nos próximos meses, cientistas de todo o mundo monitorarão informações sobre a doença de forma pública, com dados abertos, bem como seu impacto nos sistemas de saúde e na população.
Essa mesma postura terá que ser adotada pelas empresas, embora muitas delas ainda não tenham percebido. Para se reinventar neste momento, todas precisarão de soluções inovadoras e o um novo modo de fazer isso é seguindo o modelo open source. Por sorte, as barreiras para que isso aconteça não são tecnológicas, mas culturais e podem ser facilmente quebradas.
Não são raros os casos de empresas no Brasil e no mundo como o que vou citar aqui: uma delas tinha um projeto de ferramentas de colaboração que deveria estar 50% implantada em seis meses. Com a pandemia, esta mesma empresa implantou 95% deste mesmo projeto em apenas um mês, e sem nenhum treinamento.
É um exemplo, mas ele deixa claro que, quando se fala em open source, seja em desenvolvimento de aplicativos, seja em compartilhamento de conhecimento, o sucesso está nas pessoas e na colaboração. Engajamento com propósito, capacidade de liderança e comunicação. É o elemento humano combinado com a tecnologia que trará novos caminhos para todos, temos visto os resultados da inovação baseada em colaboração seja em tecnologia ou na comunidade científica. É questão de tempo para que aumentemos a adoção do modelo de inovação compartilhada através do engajamento de comunidades para acelerar o futuro.
Cristiana Maranhão é presidente da SUSE para a América Latina
Artigos
Trabalho: caminho que constrói futuro
Autor: Janguiê Diniz* –
Muito além de uma obrigação ou meio de subsistência, o trabalho é um dos principais instrumentos de mobilidade social, transformação individual e coletiva. É por meio dele que sonhos saem do papel, objetivos ganham forma e histórias de superação são escritas todos os dias.
O trabalho tem um valor que vai além do aspecto financeiro. Ele representa dignidade, propósito e identidade. Quando alguém trabalha, não está apenas gerando renda. Está construindo um futuro, desenvolvendo habilidades, conquistando autonomia e criando oportunidades. Em muitos casos, é o trabalho que possibilita a mobilidade social, permitindo que pessoas mudem sua realidade e ofereçam melhores condições para suas famílias. E esse impacto não se limita ao indivíduo.
O trabalho transforma comunidades, fortalece a economia e contribui para o desenvolvimento do país. Cada profissional, independentemente da área ou função, tem um papel importante nesse processo. Do pequeno empreendedor ao grande executivo, do trabalhador informal ao profissional altamente especializado, todos contribuem para o funcionamento e o crescimento da sociedade e têm seu valor.
No entanto, falar sobre o valor do trabalho também exige abordar as condições em que ele é realizado. O trabalho precisa ser exercido de forma digna, em ambientes seguros, justos e respeitosos. Nenhuma atividade deve submeter o trabalhador a condições degradantes ou desumanas. A dignidade no trabalho não é um privilégio, é um direito. Nesse contexto, as empresas desempenham um papel fundamental.
Organizações que entendem o valor do trabalho investem em seus colaboradores, promovem ambientes saudáveis e criam oportunidades reais de crescimento. Um bom ambiente de trabalho não é apenas aquele que oferece estrutura física adequada, mas também aquele que incentiva o desenvolvimento, reconhece esforços e valoriza pessoas. Empresas que cuidam de seus colaboradores colhem resultados mais consistentes.
Equipes motivadas produzem mais, inovam mais e se comprometem mais com os objetivos da organização. É uma relação de reciprocidade: quando o colaborador se sente valorizado, ele naturalmente entrega o seu melhor.
É nesse cenário que ganha força o conceito de intraempreendedorismo.
Cada vez mais, empresas percebem que seus próprios colaboradores podem ser agentes de inovação e crescimento. O intraempreendedor é aquele que, mesmo dentro de uma organização, pensa como dono, busca soluções, propõe melhorias e contribui ativamente para o desenvolvimento do negócio. Ele não apenas executa tarefas, mas participa da construção de resultados. Estimular esse comportamento é estratégico. Ao incentivar o intraempreendedorismo, as empresas criam um ambiente onde ideias são valorizadas, talentos são potencializados e oportunidades são ampliadas. O colaborador deixa de ser apenas parte da operação e passa a ser parte da evolução da empresa.
O trabalho, quando exercido com dignidade e propósito, transforma não apenas a realidade financeira, mas também a mentalidade. Ele ensina disciplina, desenvolve resiliência e fortalece o caráter. Cada desafio superado no ambiente profissional contribui para o crescimento pessoal. Por isso, ao refletirmos sobre a importância do trabalho, é importante resgatar uma ideia simples, mas poderosa: o trabalho enobrece o homem, engrandece a alma e enriquece o bolso. Ele é, ao mesmo tempo, meio e caminho: meio para conquistar estabilidade e caminho para alcançar realização.
Mais do que celebrar, este é um momento de valorizar. Valorizar o esforço diário de milhões de brasileiros, reconhecer a importância de condições dignas de trabalho e reforçar o papel das empresas na construção de ambientes mais justos e produtivos. No fim das contas, o trabalho é uma das maiores ferramentas de transformação que existem. E, quando aliado à dignidade, ao respeito e às oportunidades, ele se torna capaz de mudar vidas — não apenas de quem o realiza, mas de todos que estão ao seu redor.
*Janguiê Diniz – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group. Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular.
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