Artigo
Cada vez mais e melhor
Autor: EMANUEL PINHEIRO –
Dormir é para poucos. Ao homem público, a quem escolheu se comprometer com o bem coletivo, essa é uma dádiva que ao longo dos anos se reduz. Não seria diferente comigo. Mesmo o cansaço frente a hercúleos desafios diários, não me deixam arrefecer, não me fazem aquietar. Há mais de trinta anos na vida pública me debruço a edificar o que acredito: merecemos mais, sempre. Cada cidadão deve ter o melhor de uma administração. Essa é a premissa que me inspira, o que me dá alicerce.
Eu creio e trabalho para que os direitos descritos na Constituição Federal sejam traduzidos em realidade, em serviços de qualidade. Que cada trabalhador e trabalhadora possa usufruir de uma cidade melhor, de uma saúde melhor, de uma mobilidade mais acessível, de uma educação cada vez mais inclusiva. Que todos sejam respeitados em suas diferenças.
O enfrentamento que faço é comigo, homem público. Por entender que o gestor precisa defender aquele que mais precisa, quem se perde no meio de tantas vozes. Sou ser humano, erro, mas não tenho compromisso com erro. Errei, volto, corrijo e sigo para acertar.
Rememorando meu discurso de posse nessa segunda etapa de minha jornada como prefeito da capital mais charmosa do país, tudo é muito parecido, mas tudo é profundamente diferente. É igual e diferente Cuiabá. É igual e diferente Mato Grosso e o Brasil. É igual e diferente o mundo. E eu sou também igual e diferente. Sou igual naquilo que mais prezo, no compromisso com o povo, com a minha cidade, com meu estado e com meu país. Sou diferente na consciência madura do que posso e do que não posso, no pleno conhecimento dos limites. Sou igual no ímpeto e na coragem de fazer, sou diferente na experiência acumulada na difícil arte de governar.
Plena consciência eu tenho dos muitos obstáculos que me aguardam e assevero que sigo intransigente nessa defesa: posso fazer mais e, cada vez, melhor.
Meu sincero desejo é de um Feliz Natal e um ano de 2022 melhor. Honrando meu compromisso: eu garanto que dedicação não irá faltar.
- Emanuel Pinheiro – é Prefeito de Cuiabá
Artigos
Quando a luz some: quem tem coragem de ficar?
Autora: Soraya Medeiros* –
Relações verdadeiras se revelam nos dias difíceis — não nos momentos de aplauso
Vivemos na era do espetáculo. Entre redes sociais e encontros cada vez mais superficiais, somos incentivados a mostrar apenas a melhor versão de nós mesmos: o sorriso ensaiado, as conquistas recentes, a força que parece não falhar. Há uma cobrança silenciosa por felicidade constante, como se viver fosse um palco — e nós, personagens de uma história sempre bem resolvida.
Sob essa luz, é fácil atrair aplausos. Sempre haverá plateia para quem brilha.
Mas a vida não se sustenta apenas nos momentos iluminados. Há dias nublados, silêncios difíceis e cansaços que não cabem em nenhuma postagem. É nesses momentos — longe dos holofotes — que as relações mostram o que realmente são. O verdadeiro teste de qualquer vínculo não acontece na celebração, mas na ausência dela.
Há pessoas que orbitam ao nosso redor enquanto tudo vai bem. São presenças agradáveis, mas condicionais. Compartilham alegrias, celebram conquistas, admiram a força. Porém, diante da primeira dificuldade, se afastam. Não com rupturas explícitas, mas com ausências discretas — como se a vulnerabilidade fosse incômoda demais para ser acolhida.
O psicólogo Carl Rogers, referência da psicologia humanista, defendia que relações genuínas se constroem a partir da aceitação incondicional — quando somos acolhidos não apenas pelo que temos de melhor, mas também pelas nossas fragilidades. Na mesma linha, a pesquisadora Brené Brown aponta que a vulnerabilidade não é fraqueza, mas uma expressão de coragem. É nela que nascem as conexões reais.
Amadurecer também é aprender a escolher quem permanece.
Escolher quem não se intimida com dias difíceis. Quem não exige versões editadas. Quem não transforma dor em incômodo. Valorizar quem fica, mesmo quando não há nada a oferecer além da própria presença.
A conexão verdadeira não nasce da perfeição, mas da inteireza. Ela existe quando alguém é capaz de enxergar valor não apenas na luz, mas também nas partes cansadas e humanas. Há dignidade no cansaço, na dúvida e na pausa — e só quem se importa de verdade reconhece isso.
Trocar quantidade por qualidade nas relações é um passo essencial para a saúde emocional. No fim, não são muitos que permanecem — são poucos. E são esses poucos que sustentam o vínculo quando tudo parece mais difícil.
São eles que permanecem quando a luz some.
*Soraya Medeiros é jornalista.
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