OPINIÃO

Fabio Carneiro: – Valorizamos mesmo a Educação?

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               Valorizamos mesmo a Educação?

Autor: Fabio Carneiro

Em tempos de pandemia, as escolas se desdobram em mil formatos para atender às demandas e manter o processo educacional vivo. Essa preocupação atingiu inclusive o ensino público que, apesar de enfrentar muitas questões burocráticas, teve de se adequar a essa nova realidade.

Os discursos em prol da Educação são sempre muito inflamados, mas se encontram em “piloto automático”, ou seja, eles estão muito presentes na fala, mas será que as pessoas realmente sentem o que clamam? Pensando na corrente hierárquica de uma escola particular, a “banda toca” da seguinte maneira: as instituições de ensino estão atendendo no formato remoto, fato que não foi esse o serviço contratado pelos pais, mas como dizem, “é o que tem pra hoje”. Esses pais, por consequência, pressionam as instituições para a redução das mensalidades e sabemos que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, forçando a todos priorizarem os seus custos e eliminarem os seus gastos.

Essa corrente pressiona os mantenedores a tomar uma atitude diante desse cenário conturbado, geralmente cedendo às exigências dos pais e reduzindo as mensalidades, mantendo assim a instituição de ensino respirando por aparelhos, caso ainda haja algum disponível. Nessa redução de receita, cada escola opta por direcionar essa redução, seja impactando o lucro da instituição ou simplesmente repassando esse déficit aos profissionais de Educação, reduzindo seus salários em troca de oxigênio empresarial. Milhares de professores terão seus salários reduzidos em detrimento da pressão feita pelos pais, mas o discurso “em prol da Educação” segue inflamado.

Valorizar e fazer valer os discursos em prol da Educação seria, nesse momento, primordial. Falo por tantos colegas de profissão que, passando por essa situação, agonizam pensando no futuro próximo que há de chegar. Não sinto essa mesma dor, posso dizer que leciono em uma instituição que entendeu esse delicado equilíbrio e optou pela condição humana daquele profissional que sempre “carregou” todo esse piano, esteve à frente do campo lutando por essa linda bandeira chamada Educação. Entendendo essa cadeia de ocorrências, que rapidamente vai derrubando cada peça desse quebra-cabeça, fica mais claro para compreendermos e refletirmos sobre as partes e o todo.

Fabio Carneiro é professor de Física no Curso Positivo.

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Márcia Bezerra: – Precisamos reaprender a aprender!

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           Precisamos reaprender a aprender!

Autora: Márcia Bezerra

Lidar com a Era da Informação, viver diferentes crises (sociais e políticas) reaprender, reinventar, inovar são desafios coletivos.

Neste novo mundo é preciso desenvolver e promover diferentes habilidades, como a autonomia, uma capacidade que precisa ser vivenciada.

Estudos internacionais revelam que quem desenvolve criatividade, cooperação, autoconhecimento e resiliência está mais preparado para construir relacionamentos, continuar estudando, procurar estabilidade, equilíbrio e cuidar da sua saúde, afirma Simone André, gerente-executiva de Educação do Instituto Ayrton Senna.

Para enfrentar os desafios do século 21 não basta frequentar as aulas (presenciais ou remotas) e decorar conteúdo. É preciso mais. Uma das habilidades necessárias é a de aprender a aprender. Ou seja, de maneira autônoma, construída no decorrer de sua experiência escolar, o estudante precisa saber não só o que, mas também como estudar.

Trata-se de desenvolver capacidades para você aprender como disciplina, foco, precisão. E isso pressupõe criatividade, responsabilidade e concentração, explica o professor Sergio Ferreira do Amaral, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Aprender a aprender é a autonomia do estudante em gerir sua própria aprendizagem. Não basta mais ficar sentado na sala de aula, recebendo os conteúdos e sentir que o trabalho todo está feito ao estudar para uma prova. O aluno vai sendo preparado para assumir um papel de protagonista, sabendo identificar aquilo que é de seu interesse.

Entre as muitas incertezas trazidas pela Pandemia de Covid-19, um fato está dado: a escola não será mais como antes. A suspensão das aulas presenciais convocou gestores e professores a repensarem modelos e estratégias de ensino e aprendizagem. E colocou os alunos para desempenhar papéis mais ativos na construção de seu conhecimento.

Colocou as famílias como colaboradoras desse processo que, hoje, acontece no espaço da casa. Além disso, reiterou a importância de pensar uma pedagogia contemporânea, que considere e integre as tecnologias digitais ao ensino. Esses aprendizados não deverão se perder.

Os professores têm se mostrado competentes na ação contínua de reinventar novas técnicas e de usar diferentes metodologias para proporcionar experiências, propor desafios, interagir com os alunos e, também, de achar soluções.

Através das dificuldades, nos unimos para levar adiante nossa missão. Ficou claro que não conseguimos nada sozinhos e que voltar nosso trabalho para o desenvolvimento de crianças felizes, potentes e livres, com autonomia de escolha e bem preparadas, é nossa maior realização.

Márcia Bezerra é pedagoga com especialização em Psicopedagogia e Diretora Geral da Escola Chave do Saber (ECSA), em Cuiabá.

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