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OPINIÃO

Avante, mulheres, a luta continua!

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Autora: Lílian Paula Alves –

A importância da luta das mulheres nas últimas décadas é inegável e, cada dia mais, são somadas conquistas contra todas as formas de dominação e discriminação de gênero.

Não nos deixemos impressionar, pois a luta é árdua e está longe do fim!

Um estudo apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 2019, retrata que ainda levará praticamente um século para que conquistemos a efetiva paridade de gênero no mundo, e, no mercado de trabalho, se mantido o ritmo atual, a perspectiva é que a igualdade entre os sexos somente seja alcançada daqui a 202 anos.

Apesar de representarmos 52% da população brasileira, nossa representação nos cargos políticos equivale a 15%.

Pouquíssimas mulheres ocupam posições de liderança, apenas 4,5% dos diretores de board de empresas brasileiras são mulheres – a média em países emergentes é de 7,2% -, fora o fato de as mulheres dedicarem 20,3 horas semanais na jornada doméstica, enquanto os homens gastam apenas 10 horas – fator preponderante na trajetória da mulher como profissional.

Então, mulheres, agora, mais do que nunca, precisamos estar juntas, e precisamos de mais mulheres e homens ao nosso lado, conscientes de que só a resistência organizada, na qual nos apoiamos e reivindicamos direitos iguais, nos levará a uma sociedade justa e solidária.

O ordenamento jurídico, as leis, as normas, não são suficientes para promover a almejada igualdade. É preciso que avancemos em conquistas, nos tornando capazes de romper com a aparente competição entre os sexos.

Temos que nos conclamar FEMINISTAS, pessoas que buscam, ativamente, desfazer a hierarquização entre os sexos e o regime patriarcal, reivindicando, por sua vez, em todos os campos, social, político e econômico, a igualdade de direito entre homens e mulheres.

Devemos, assim, enxergar o Dia Internacional da Mulher como um momento que transcenda o presente, nos inspirando a vislumbrar na mulher do cotidiano, nossas avós, mães, irmãs, tias, amigas, professoras, colegas de trabalho, a força propulsora que nos impele a jamais consentir com qualquer forma de dominação e sujeição.

É importante romper com as formas sutis pelas quais se observa o machismo estrutural e o preconceito velado contra a mulher nos ambientes de trabalho.

As raízes desse machismo dissimulado estão por todos os lados, profundamente impregnadas em nossa cultura, internalizadas em nossa psique.

É ele que nos faz, por exemplo, acreditar na existência de atividades mais apropriadas às mulheres, geralmente relacionadas ao Bem Estar e cuidados com as pessoas, e outras essencialmente masculinas, como às da matemática, tecnologia, ciências, política, e que acabam por definir a nossa trajetória.

É importante desfazer esse conceito de masculino e feminino iniciado na infância, que nos reserva um papel determinado, colocando a mulher em condição de fragilidade e o homem como potencialmente elevado, impedindo que meninos e meninas desenvolvam suas habilidades livremente.

Temos que abandonar a visão tradicional da liderança calcada meramente no gênero, atribuindo ao homem o perfil de líder natural. A questão depende, fundamentalmente, da pessoa, que deve reunir características como caráter, determinação, autoconfiança, comunicação, essencialmente comuns aos dois gêneros.

Não normalizemos o fato de as mulheres, apesar de ocuparem 60% das cadeiras das universidades e serem mais qualificadas, não terem o mesmo desempenho nos cargos de liderança.

Passemos a nos estarrecer com o fato de que, quanto mais perto do topo, menos mulheres encontramos.

Abandonemos o discurso de que são as diferenças físicas que criam um abismo entre nós. Essa multiplicidade só deve ser utilizada para nos complementar, nos enriquecer, jamais para nos diminuir e nos enfraquecer.

Há estudos que apontam que as mulheres, devido aos inúmeros papéis que ocupam (trabalhadoras, mães, donas de casa), conseguem vislumbrar o todo e são mais efetivas para motivar, engajar e desenvolver seus colaboradores.

Talvez isso explique o fato de que, segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da ONU, realizado em 70 países, ter mulheres em cargos de liderança contribui para maior desempenho e lucratividade nas empresas em geral, o que possibilita um aumento nos lucros entre 5% a 20%.

Longe de querer provar que são melhores que os homens, às mulheres devem ser asseguradas as mesmas oportunidades a fim de que seja possível que suas características essenciais sejam elevadas como ferramenta de crescimento das organizações.

Cabe, assim, aos gestores, promover uma diversidade organizacional que trabalhe a igualdade entre homens e mulheres, garantindo a todos, independentemente do gênero, as mesmas oportunidades de desenvolvimento e crescimento, estabelecendo uma política implacável contra abusos e assédio sexual.

Sejamos conscientes sobre a importância de valorizar e empoderar as mulheres. Esse é o único caminho para alcançarmos a equidade entre as pessoas e uma sociedade voltada à plena realização de seus integrantes.

Lílian Paula Alves procuradora do município de Cuiabá e diretora-secretaria da União dos Procuradores do Município de Cuiabá (Uniproc).

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Contato: [email protected]

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Artigos

Do piso ao descanso digno: os direitos da Enfermagem precisam ser respeitados

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Autor: Celso Silva dos Santos* –

Trabalhar na Enfermagem é conhecer de perto uma rotina de muita responsabilidade. Estamos ao lado dos pacientes durante todo o cuidado, em plantões que exigem atenção permanente, preparo técnico, equilíbrio emocional e disposição física. Por isso, quando falamos em valorização da Enfermagem, não podemos falar apenas de reconhecimento. Precisamos falar de direitos — e, principalmente, do cumprimento deles.

A criação do piso salarial nacional foi uma conquista histórica da categoria. A Lei nº 14.434/2022 estabeleceu o piso de R$ 4.750 para enfermeiros, com o equivalente a 70% desse valor para técnicos de enfermagem e 50% para auxiliares e parteiras. Mas ter uma lei não encerra a luta. O que precisamos é garantir que esse direito seja efetivamente respeitado e que chegue aos profissionais.

Em Mato Grosso, como em outras partes do país, ainda existem questionamentos e relatos relacionados à aplicação do piso. É justamente por isso que precisamos continuar atentos. Uma conquista dessa dimensão não pode permanecer sujeita a interpretações que, na prática, façam o trabalhador receber menos do que lhe é devido. O piso precisa significar segurança e valorização para quem está na ponta.

Mas salário digno é uma parte das condições necessárias para exercer a profissão.

Quem trabalha na assistência sabe o impacto de uma equipe insuficiente. Quando faltam profissionais, aumenta a sobrecarga sobre quem permanece no plantão. São mais pacientes para atender, menos tempo para cada cuidado e maior desgaste físico e emocional. O dimensionamento adequado das equipes não interessa somente aos trabalhadores: ele está diretamente relacionado à segurança e à qualidade da assistência prestada à população.

Condições dignas de trabalho envolvem estrutura, materiais e equipamentos adequados, segurança, respeito às jornadas e ambientes que permitam ao profissional desempenhar suas funções sem colocar a própria saúde em risco. Não podemos naturalizar a exaustão como se ela fizesse parte da profissão. Cuidar de pessoas exige condições para cuidar.

E existe outro direito que ainda precisa ser mais conhecido e, principalmente, cumprido: o descanso digno.

Desde 2023, a Lei nº 14.602 determina que instituições de saúde públicas e privadas ofereçam aos profissionais de Enfermagem condições adequadas de repouso durante o horário de trabalho. A própria legislação estabelece que esses espaços devem ser destinados especificamente ao descanso, ser arejados, contar com mobiliário adequado, conforto térmico e acústico, instalações sanitárias e dimensão compatível com o número de profissionais em serviço.

Isso não é luxo. Não é privilégio. E não deveria depender da boa vontade de uma instituição. É direito.

Depois de horas cuidando, medicando, acompanhando pacientes, respondendo a intercorrências e lidando com situações que muitas vezes envolvem dor e sofrimento, ter um espaço adequado para o período de repouso é uma questão de dignidade profissional. É, inclusive, uma forma de proteger a qualidade do cuidado prestado.

Como técnico de enfermagem, acredito que nossa categoria precisa conhecer seus direitos, defendê-los e cobrar para que sejam respeitados. Não podemos aceitar que aquilo que foi conquistado por lei permaneça distante da realidade de parte dos profissionais.

Do piso salarial ao descanso digno, passando por equipes adequadamente dimensionadas, segurança e boas condições de trabalho, estamos falando de direitos que se complementam.

Valorizar a Enfermagem é garantir que quem passa a vida cuidando das pessoas possa trabalhar com remuneração justa, estrutura, segurança, respeito e dignidade.

Direito conquistado precisa ser direito cumprido.

*Celso Silva dos Santos é técnico de enfermagem e atua há 18 anos na saúde em Mato Grosso.

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