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Até no Futebol…

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Autor: Lívio Giosa –

A tabela do Campeonato Político Brasileiro está cada vez mais eletrizante.

A cada rodada as emoções se intensificam: os jogadores com “sangue nos olhos” participam intensamente de todos os lances. E as torcidas ficam totalmente atentas para fazer seu papel de incentivo e pressão.

Se de um lado o time do Bolsonaro dá seus pitacos e estocadas tentando pegar o adversário no contra golpe, o outro, o time do Dória, mais do que depressa, tenta se desvencilhar da troca de bola e avança pelas laterais causando um perigo iminente ao adversário.

Quem está do lado de fora do estádio, acompanhando as partidas, percebe a tática de cada um dos rivais. Que iniciaram o Campeonato juntos e, agora, são inimigos mortais…

Em um momento a rodada se volta para o Legislativo, na tentativa de intervir na eleição que pode definir os próximos concorrentes da Copa Política do Brasil.

Aqui, o regulamento tem que ser seguido “ao pé da letra”.

É eliminatória simples: quem ganhar fica de pé e pode chegar na Taça Libertadores da Nação.

Aí é a glória!

E a disputa é intensa: jogada pela direita, avanço pela esquerda, mas o centrão é que acaba monopolizando o esquema tático.

Às vezes, uma “bola parada” pode ser a solução para chegar ao resultado positivo.

Mas trocar passes e ser agressivo no ataque parece ser a melhor alternativa.

E assim as rodadas avançam e os times se colocam à frente da classificação.

Os “cavalinhos do fantástico” se desdobram para ultrapassar as cavalgadas políticas de cada time.

O placar deste confronto demonstra já o nervosismo dos jogadores.

No entanto, a rodada desta semana parece ser definida no braço!

A vacina chega para diminuir a tensão da população e aumentar a tensão entre os platéis.

No primeiro tempo, a troca de farpas e posturas foi totalmente diferente entre as equipes. Enquanto o time de Bolsonaro buscava saídas não científicas, invadia o campo do adversário sem qualquer proteção; já o time do Dória, mais precavido, usava a ciência protegendo seus jogadores de todos os vírus possíveis.

No intervalo, os técnicos mexeram nas suas peças provocando a grande alteração da postura de cada rival.

E assim, no segundo tempo, tudo mudou!

A sonolência virou agressividade. Quem iria fazer o gol da vacina primeiro? Quem iria sair melhor na foto das manchetes de domingo?…

Campeonatos à parte, o jogo real dos confrontos irá para o campo também.

No dia 30/01 um novo embate.

O Palmeiras de Bolsonaro X o Santos de Dória se enfrentaram para conquistar a Taça Libertadores da América.

Até no futebol, os dois serão adversários mordazes de uma faceta da história da política brasileira que mexe com todas as torcidas!

E nós brasileiros, diante do resultado, poderemos, finalmente, nos libertar, alcançando o lema da Taça neste ano: a glória eterna!

Lívio Giosa – Presidente do CENAM – Centro Nacional de Modernização Empresarial. Vice Presidente da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil.

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Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

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Autor: Ermelino Franco Becker*

Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).

O nauseante episódio do anestesista contra uma paciente vulnerável reuniu a totalidade da reprovação possível entre médicos, trabalhadores da saúde, operadores do direito e todo o resto da nação. Como pode um profissional de tão nobre carreira transgredir tão ostensivamente qualquer tipo de razoabilidade comportamental? Como é possível que tal pessoa tivesse a confiança dos colegas e da instituição para lá estar trabalhando?

Como professor e cirurgião, também me surpreende como uma pessoa com tal desvio de caráter conseguiu terminar o seu curso e receber um diploma de médico. E, mais ainda, completar um curso de residência, período em que os jovens estão expostos ao escrutínio estreito dos mestres, sendo exigidos nos limites da resistência pessoal em plantões noturnos, casos complexos, estudos extensos e, portanto, sendo testados seguidamente em seus limites emocionais e comportamentais.

É preciso lembrar que toda profissão da saúde tem essa natureza que franqueia aos médicos acesso à intimidade dos pacientes, incluídas aí a intimidade física, psicológica, familiar e até financeira. Tal exposição exige retidão de conduta absoluta por parte do médico e equipe, respeitando os princípios da bioética, quais sejam a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Frutos desses princípios se seguem temas práticos da formação dos alunos, como o sigilo, a omissão de socorro, o consentimento, o respeito à terminalidade e muitos outros. Ainda mais exigente é o respeito à sexualidade. Se o médico não se conduzir em discrição obstinada nesse assunto, fica inviabilizado o acesso dos pacientes aos tratamentos, pelo receio de, estando vulneráveis, serem vitimados por aqueles que seriam seus protetores.

Os mecanismos de controle de tais condutas abusivas não podem se resumir às delegacias e aos conselhos de medicina com seus processos formais e muitas vezes sujeitos a recursos que criam obstáculos. A comunidade profissional em cada ambiente de trabalho tem papel insubstituível e não pode se eximir de continuamente estar observando o profissional ao seu lado, no melhor sentido da proteção dos doentes. Tal responsabilidade precisa ser semeada em cada aluno de graduação durante o curso, esclarecendo-os sobre as razões históricas e formais do comportamento profissional. Acima de tudo, é necessário que eles compreendam seu papel social na proteção dos pacientes vulneráveis, incluindo crianças, idosos, inconscientes e até as pessoas de educação mais simples.

Desafios modernos para atingir tal formação passam pelos novos formatos das universidades, com grande número de alunos por turma, aulas a distância, e avaliações em provas objetivas, com poucas oportunidades de se acompanhar os alunos de maneira individualizada. A medicina é uma arte que se aprende de muitas fontes, mas todo aluno deveria ter um tutor ou equivalente, que lhe inspire e molde sua personalidade no sentido ético profissional, de modo a preservar o respeito que a profissão merece, sem banalizações e sem tolerância para as condutas abusivas.

*Ermelino Franco Becker é médico cirurgião oncologista, médico legista no IML de Curitiba e professor de Bioética e Ética Profissional do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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