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Água ou chá: o que hidrata mais nesse calor?

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Autora: Emmanuela Bortoletto Santos dos Reis* –

É uma boa pergunta. O que dar para a criança neste calor de 40°C que enfrentamos aqui em Mato Grosso? A água sempre é a primeira opção no quesito hidratação. Recomenda-se que adultos consumam de 2 a 3 litros para o bom funcionamento do corpo.

Chás, como camomila, erva-doce e erva-cidreira, são ótimas opções geladas e também hidratam de maneira saborizada. Precisamos hidratar o corpo, visto que nas altas temperaturas a tendência é suar mais; consequentemente, perdemos mais líquido, o que faz falta, já que o corpo humano é composto, em média, por 70% de água.

A água leva sais minerais, oxigênio e nutrientes para as células e ainda ajuda a eliminar toxinas do nosso corpo, através do suor e da urina. Se ficarmos desidratados, o corpo dá sinais como boca seca, dor de cabeça, tontura, fadiga, pele seca, fraqueza e pouca urina. A urina, em caso de desidratação, muda de coloração, tornando-se mais escura e com odor forte.

Estar hidratado ainda ajuda na hora de praticar exercícios, favorecendo a queima de gorduras e a movimentação muscular sem atrito. Além disso, melhora a concentração e a funcionalidade cerebral, conectando neurônios.

Outro ponto importante da hidratação é o funcionamento dos rins. Tomar líquidos, como água e chá, ajuda a evitar pedras nos rins e também a prisão de ventre.

*ALERTA*

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, bebidas alcoólicas desidratam bastante por serem diuréticas. Por isso, o correto é optar por água, suco ou chás naturais para manter a hidratação do corpo. A dica é intercalar cada copo de álcool com um de água.

Alimentos gordurosos, como chocolate, frituras e carnes gordas, devem ser evitados nessa época, pois dificultam a digestão, fazendo com que o corpo trabalhe mais, gaste mais energia e, consequentemente, mais água, o que pode causar sensação de mal-estar.

É importante ficar atento ao consumo de carboidratos, como açúcar, macarrão, arroz e outros, que devem ser consumidos com moderação, pois são alimentos pesados e podem dificultar a digestão.

*DICAS*

Vale lembrar que algumas frutas são ricas em água e, além de serem refrescantes, ajudam a manter a hidratação e na alimentação em geral, como, por exemplo, melancia, melão, pera, laranja, morango e uva.

Além disso, a água de coco, que ajuda na hidratação, também repõe sais minerais, visto que contém potássio, sódio, cálcio, vitamina C e magnésio.

*Emmanuela Bortoletto Santos dos Reis é médica nefropediatra no Hospital Santa Rosa, DaVita e professora na UNIVAG.

– Telefone: 65-99963-0387.
– CRM/MT 6596 e RQE 300; 327.

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Do piso ao descanso digno: os direitos da Enfermagem precisam ser respeitados

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Autor: Celso Silva dos Santos* –

Trabalhar na Enfermagem é conhecer de perto uma rotina de muita responsabilidade. Estamos ao lado dos pacientes durante todo o cuidado, em plantões que exigem atenção permanente, preparo técnico, equilíbrio emocional e disposição física. Por isso, quando falamos em valorização da Enfermagem, não podemos falar apenas de reconhecimento. Precisamos falar de direitos — e, principalmente, do cumprimento deles.

A criação do piso salarial nacional foi uma conquista histórica da categoria. A Lei nº 14.434/2022 estabeleceu o piso de R$ 4.750 para enfermeiros, com o equivalente a 70% desse valor para técnicos de enfermagem e 50% para auxiliares e parteiras. Mas ter uma lei não encerra a luta. O que precisamos é garantir que esse direito seja efetivamente respeitado e que chegue aos profissionais.

Em Mato Grosso, como em outras partes do país, ainda existem questionamentos e relatos relacionados à aplicação do piso. É justamente por isso que precisamos continuar atentos. Uma conquista dessa dimensão não pode permanecer sujeita a interpretações que, na prática, façam o trabalhador receber menos do que lhe é devido. O piso precisa significar segurança e valorização para quem está na ponta.

Mas salário digno é uma parte das condições necessárias para exercer a profissão.

Quem trabalha na assistência sabe o impacto de uma equipe insuficiente. Quando faltam profissionais, aumenta a sobrecarga sobre quem permanece no plantão. São mais pacientes para atender, menos tempo para cada cuidado e maior desgaste físico e emocional. O dimensionamento adequado das equipes não interessa somente aos trabalhadores: ele está diretamente relacionado à segurança e à qualidade da assistência prestada à população.

Condições dignas de trabalho envolvem estrutura, materiais e equipamentos adequados, segurança, respeito às jornadas e ambientes que permitam ao profissional desempenhar suas funções sem colocar a própria saúde em risco. Não podemos naturalizar a exaustão como se ela fizesse parte da profissão. Cuidar de pessoas exige condições para cuidar.

E existe outro direito que ainda precisa ser mais conhecido e, principalmente, cumprido: o descanso digno.

Desde 2023, a Lei nº 14.602 determina que instituições de saúde públicas e privadas ofereçam aos profissionais de Enfermagem condições adequadas de repouso durante o horário de trabalho. A própria legislação estabelece que esses espaços devem ser destinados especificamente ao descanso, ser arejados, contar com mobiliário adequado, conforto térmico e acústico, instalações sanitárias e dimensão compatível com o número de profissionais em serviço.

Isso não é luxo. Não é privilégio. E não deveria depender da boa vontade de uma instituição. É direito.

Depois de horas cuidando, medicando, acompanhando pacientes, respondendo a intercorrências e lidando com situações que muitas vezes envolvem dor e sofrimento, ter um espaço adequado para o período de repouso é uma questão de dignidade profissional. É, inclusive, uma forma de proteger a qualidade do cuidado prestado.

Como técnico de enfermagem, acredito que nossa categoria precisa conhecer seus direitos, defendê-los e cobrar para que sejam respeitados. Não podemos aceitar que aquilo que foi conquistado por lei permaneça distante da realidade de parte dos profissionais.

Do piso salarial ao descanso digno, passando por equipes adequadamente dimensionadas, segurança e boas condições de trabalho, estamos falando de direitos que se complementam.

Valorizar a Enfermagem é garantir que quem passa a vida cuidando das pessoas possa trabalhar com remuneração justa, estrutura, segurança, respeito e dignidade.

Direito conquistado precisa ser direito cumprido.

*Celso Silva dos Santos é técnico de enfermagem e atua há 18 anos na saúde em Mato Grosso.

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