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Agrotóxicos e os novos critérios para aprovação

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Autor: Arno Schneider*

A aprovação de novas moléculas de defensivos é realizada pelo Ministério da Agricultura (Mapa), Anvisa e Ibama, por meio de análises de eficiência agronômica, saúde humana e agressões ao meio ambiente.

Um novo defensivo só será aprovado, se for, além de eficiente, menos nocivo às pessoas e ao ambiente. É necessário também, que sua molécula tóxica se decomponha quimicamente após a aplicação em um composto totalmente inócuo ou com uma nocividade tolerável dentro de rígidos critérios. Esse tempo que a molécula leva para se decompor é chamado de carência e deve ser rigorosamente observado.

Um projeto de lei que já tramitava há anos na Câmara Federal (e agora aprovado) concede mais poderes ao Mapa para agilizar o uso de novos defensivos e está sofrendo críticas severas por parte dos partidos de esquerda, o que vai levar o Ministério a aprimorar os critérios para o uso provisório de novas moléculas que comprovadamente sejam mais eficientes e menos nocivas que aquelas já existentes no mercado.

Argumenta o Mapa que se um pesticida foi anteriormente aprovado por três países, entre eles EUA, Japão, Austrália e países da Comunidade Europeia que utilizam os mais rigorosos critérios de segurança, já haveria a possibilidade de o Brasil aprovar em caráter provisório o seu uso.

Qualquer nova análise que comprove algum problema com a molécula, seu uso será imediatamente proibido. Essa sensata proposta promoveria uma antecipação no uso de agrotóxicos mais eficientes e menos nocivos.

O agro tem sofrido críticas de ambientalistas, celebridades e partidos de esquerda sobre a quantidade exagerada de pesticidas aplicados sobre as culturas. São críticas totalmente improcedentes, originárias de ignorância e ou de conteúdos ideológicos.

Um estudo da FAO colocou o Brasil em 44º lugar no ranking dos maiores consumidores de agrotóxicos por hectare cultivado. Com essa métrica, o Brasil é ainda muito prejudicado, pois temos aqui uma agricultura tropical com duas ou até três safras anuais na mesma área, enquanto no hemisfério norte só plantam uma safra e com um clima menos favorável à ocorrência de pragas e doenças. O Japão encabeça quase todos os rankings mundiais, mesmo assim tem a maior expectativa de vida do planeta.

O uso indevido de defensivos pode causar acidentes, principalmente no manuseio do produto. Importantíssima é a observação da carência. Defensivos também podem matar abelhas e outros insetos úteis. Porém, não podemos sonhar poeticamente somente para o ambiente. Existe uma realidade que não podemos ignorar: temos que prover de alimentos quase 8 bilhões de pessoas no mundo.

Sem o uso de agrotóxicos, é fim da linha para a maior parte da humanidade. Um simples ataque de lagarta pode zerar a produtividade de qualquer cultura. A esquerda está querendo se apropriar do conceito de que é a grande defensora da saúde humana e do ambiente afirmando que o agronegócio só tem interesse no lucro, não se importando se atropela pessoas ou destrói o ambiente.

Na verdade, todos os avanços tecnológicos do setor são incentivados e pressionados pelo próprio agro, que será o maior beneficiário dessa evolução. Atualmente no agronegócio, gestão empresarial e gestão ambiental são inseparáveis.

Segundo a FAO o Brasil atende de uma maneira muito profissional e com segurança alimentar todos os critérios de qualidade exigidos pelos importadores. Portanto, a causa ambientalista e da saúde humana na utilização de defensivos, deve ser conduzida com bom senso e sempre respaldada pela ciência.

*Arno Schneider, engenheiro agrônomo e pecuarista das Associações dos Criadores Nelore de Mato Grosso e Acrimat

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Mais crianças com miopia: uma triste realidade do século XXI

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Autor: Pedro Duraes*

Não é de hoje que a comunidade médica vem se preocupando cada vez mais com a visão das crianças. Bem antes de 2020 já era comum que víssemos os pequenos continuamente focados na tela de celulares e tablets em momentos em que deveriam estar gastando a energia em brincadeiras ao ar livre. Porém, com a necessidade de manter as crianças em casa por dois anos – muitas delas com condições de comorbidade e, assim, mais suscetíveis à Covid-19 – essa questão aumentou consideravelmente, principalmente com as aulas online.

Nós, seres humanos, somos resultado da evolução. E a evolução consiste em mudarmos, ao longo de muito tempo, alguns aspectos físicos, biológicos e fisiológicos, de forma a adaptá-los a novas necessidades. Com a rápida ascensão da internet e das tecnologias digitais neste início de século, ainda não tivemos tempo para evoluir os olhos a ponto de garantir a saúde ocular das gerações atuais frente à exposição de telas e luzes brancas com que temos que lidar continuamente. O que acontece, então? Acontece que as pessoas estão desenvolvendo mais problemas visuais, cada vez mais cedo, e nossas crianças também.

Um estudo feito com crianças chinesas e publicado pelo periódico JAMA Ophthalmology no início deste ano revelou os primeiros dados analíticos em larga escala sobre o fato de a pandemia ter aumentado – e ainda estar aumentando – os casos de miopia entre a população infantil. Segundo os números publicados, entre os anos de 2015 e 2019 a incidência de miopia em crianças de seis anos era de 5,7%. Em 2020, esse número saltou para 21,5, sendo que o aumento também foi percebido nos menores de sete e oito anos. Em todos os casos, o estudo indica que esse resultado se relaciona diretamente com o fato de as crianças se forçarem a olhar algo muito de perto – situação que se observa quando elas usam smatphones, tablets e fazem aulas online.

Até agora falei de crianças em idade escolar. Mas, e quando se trata de crianças ainda menores de dois anos? Bom, aqui é importante dizer que, nesse período da vida, as crianças têm um tecido ocular maleável e que se deforma com facilidade, favorecendo o surgimento da miopia.

A miopia tem fatores genéticos e ambientais – filhos de pai ou mãe míopes têm mais chances de desenvolver o distúrbio visual – e é caracterizada por um globo ocular mais “longo”, o que provoca a formação da imagem antes que a luz chegue até a retina, causando dificuldades em ver de longe. Porém, se considerarmos a realidade das crianças do século XXI, a causa desse aumento está mais ligada ao uso de telas do que à hereditariedade. É verdade que, antigamente, não havia um cuidado preventivo como há hoje, com os responsáveis levando seus filhos para começarem cedo nas consultas com oftalmologistas – se há mais cuidados e exames, também há mais diagnósticos e mais crianças usando óculos. Por outro lado, o estilo de vida que levamos atualmente favorece, sim, o surgimento de problemas oculares e não deixa de ser alarmante indicar lentes de grau alto a crianças tão pequenas por razões que são, sim, possíveis de serem evitadas ou contornadas.

Tudo bem que elas são a geração Z, que já nasceram imersas em tecnologia e no mundo digital, mas os cuidados com os excessos transcendem as gerações e, assim como o próprio ser humano, também precisam evoluir conforme as necessidades do momento. E a necessidade, neste momento, é: evite que seus filhos passem tempo demais em telas. As crianças são o nosso futuro e precisamos que elas enxerguem longe.

*Pedro Duraes é oftalmologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro – Unisa

Fonte: 

https://jamanetwork.com/journals/jamaophthalmology/fullarticle/2774808

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