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Artigo

A inteligência emocional no mundo corporativo

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Autora: Kelly Andrade*

O dia a dia no mundo corporativo não é fácil. Os projetos, expectativas, reuniões, relatórios, demandas de relacionamento entre as equipes, demandas de gestão, e muitas outras fazem com que, caso o profissional não consiga manter o equilíbrio mental, tenha grandes chances de se desgastar emocionalmente e até mesmo adoecer.

Acompanhando líderes e colaboradores de diversas empresas, observamos o quanto a rotina desafiadora e a falta de gestão emocional, pode prejudicar a motivação, produtividade e saúde de muitos. Por isso, a inteligência emocional se apresenta como uma das competências mais esperadas dos profissionais no mundo corporativo.

A inteligência emocional (IE) reflete a capacidade que temos de reconhecer, administrar e gerir nossas emoções de forma assertiva usando-as a nosso favor. Em outras palavras, uma pessoa com boa inteligência emocional é capaz de pensar, sentir e agir de forma inteligente e consciente, sem deixar que as emoções controlem sua vida causando estresse, traumas ou até mesmo doenças psicossomáticas.

Além de reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções, a inteligência emocional permite reconhecer e entender as emoções dos outros. Essa capacidade é fundamental para melhorar a comunicação, aumentar a colaboração e reduzir conflitos dentro das equipes.

Ela permite que os profissionais compreendam melhor as emoções e necessidades dos colegas de trabalho, o que promove um ambiente mais harmonioso e produtivo. É uma competência essencial para os líderes, pois os ajuda a motivar, inspirar e engajar suas equipes. Além disso, ela é fundamental para tomar decisões mais efetivas e resolver problemas de forma mais eficiente.

A habilidade em controlar as emoções e a forma de se comunicar de maneira eficaz também contribui na melhoria dos relacionamentos com clientes e parceiros de negócios, além de fortalecer a equipe da empresa como um todo.

Apesar de muitas pessoas considerarem algo abstrato, podemos citar algumas dicas de como desenvolver os pilares da inteligência emocional no dia-a-dia, na prática.

Autoconhecimento

O primeiro passo é o autoconhecimento, isso permite que os indivíduos reconheçam suas próprias emoções e compreendam como elas afetam seu comportamento e desempenho no trabalho. O autoconhecimento pode ser alcançado a partir de testes psicológicos e comportamentais, psicoterapia, processo de mentoria, feedback de gestores e colegas, autorreflexão sobre as próprias características, leituras, entre outros.

Gestão emocional

A gestão emocional é um dos pilares e consiste em gerenciar as próprias emoções e reações no ambiente de trabalho, buscando uma resposta adequada aos diferentes estímulos. Aqui vale alguns clichês como, ter um tempo para refletir antes de responder de forma impulsiva, técnicas de respiração e relaxamento e fazer o exercício de analisar uma situação desafiadora como uma terceira pessoa.

Empatia

Outro pilar indispensável para se relacionar de forma assertiva é a empatia, que envolve compreender as emoções e necessidades dos outros, demonstrando interesse genuíno e ouvindo atentamente suas preocupações. Aqui podemos citar a escuta ativa, autocontrole em relação a possíveis julgamentos, se dispondo a perguntar para compreender a perspectiva do outro.

Automotivação

A automotivação também é outra característica indispensável. É muito importante que tenhamos clareza sobre quais são os motivos que temos para nossas ações. O processo de autoconhecimento auxilia aqui também, além disso, refletir quais são seus interesses e expectativas é fundamental.

Habilidade social

Por fim, a habilidade social é a prática que envolve adaptar-se às necessidades e comportamentos dos colegas de trabalho, promovendo um ambiente colaborativo e eficaz em equipe;

A inteligência emocional está sendo cada vez mais estimulada no mundo corporativo, uma vez que ela é, com certeza, uma grande aliada para garantir o funcionamento do seu negócio, proporcionando um ambiente de trabalho saudável para todos e garantindo um maior engajamento entre as equipes, fortalecendo assim a satisfação e a motivação no ambiente corporativo.

Enfrentar e superar desafios, tanto a nível pessoal quanto profissional, mantendo uma postura positiva e perseverante certamente nos auxilia no crescimento e no bem-estar mental tão desejado por todos.

*Kelly Andrade é psicóloga, especialista em avaliação psicológica, psicoterapeuta TCC e EMDR na Eleve Desenvolvimento Humano, em Cuiabá (MT)

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Artigos

Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?

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Autor: Luis Carlos Marques Fonseca*

A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.

A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.

Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.

Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.

As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.

Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.

*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).

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