OPINIÃO
A armadilha do perfeccionismo
Autor: Manoel Vicente de Barros –
Quer que um projeto de vida nunca aconteça? tente faze-lo de forma perfeita.
Perfeccionismo é aquele defeito que até parece qualidade, ótimo para ser mencionado em entrevistas de emprego e a justificativa para tudo que nunca começou. Uma armadilha ao seu potencial.
Sempre que um paciente se incomoda sobre estar procrastinando planos de sua vida, ao contrário de uma esperada falta de iniciativa e energia, o que encontro é a busca pela perfeição.
Se não for para ficar perfeito, melhor nem fazer. E nunca será feito.
A brilhante escritora Brené Brown, cujos livros recomendo, interpreta o perfeccionismo como um escudo, uma tentativa de se proteger contra a vergonha e julgamento alheio e de si próprio. No núcleo do perfeccionista não existe o esforço pela excelência, existe o medo de exposição. No fim, o perfeccionismo é um movimento defensivo.
Acumuladores de responsabilidades no trabalho e estudantes ansiosos com as notas bimestrais. Na busca pela meta inatingível, em que todos os desfechos sejam planejados e que fatores aleatórios estejam sob controle, só se encontra frustração, esgotamento e autopunição.
A Síndrome de Burnout, que recentemente foi promovida à categoria de diagnóstico médico, é basicamente a estafa, o esgotamento pelo trabalho. Assim como o consumo excessivo de açúcar leva ao diabetes, a busca exagerada por ser perfeito, leva ao Burnout.
O guia do crescimento pessoal é a pergunta constante “Como posso melhorar?”. Quando uma atividade é orientada à performance, avaliação e notas, muda-se o foco para “O que eles vão pensar?”. A pessoa deixa de ter valor por si própria e passa a ter o valor determinado pelo o que realiza e quão bem o faz.
Esse é o perfeccionista que você conhece, que francamente, todos somos em algum grau. Existe o outro perfeccionista, que infelizmente, você talvez nunca tenha ouvido falar.
Ideias que nunca foram ditas em voz alta e livros que nunca foram escritos, quem se convenceu que a execução de qualquer projeto deve ser impecável, termina nunca seguindo suas inspirações. As idéias mirabolantes, mas potencialmente transformadoras, nunca saem do papel.
O escudo do perfeccionismo mata a capacidade de ousar, de fazer diferente, e com isso todos perdemos. Lamento especialmente pelos artistas que nunca conhecemos.
Experimentar uma avaliação negativa, e ela ressoa bem mais forte que as positivas, não é fruto de não ter sido falho, imperfeito ou insuficiente. É fruto de estar fazendo algo inovador, de se expor, de se permitir ouvir a opinião alheia.
A ida do homem à Lua não inspira pela perfeição, é pela ousadia. Os encontros que transformaram sua vida não foram planejados. A maior oportunidade de negócio surgiu fora da linha reta. As conversas mais significativas só acontecem quando se mostra falhas e vulnerabilidades.
Perfeccionismo é um raciocínio emocionalmente autodestrutivo, que nunca moveu o mundo e não é fonte de satisfação pessoal.
Recepcione a imperfeição alheia, critique menos quem falhou, elogie a inovação, por menor que seja. Quando ver alguém caindo, sorria e compartilhe a história da sua queda.
Melhor feito do que não feito. Delegue aquilo que te sobrecarrega, menos foco na nota e mais importância ao seu crescimento pessoal. Ouse ser diferente e inovar. Sua imperfeição é inspiradora.
Manoel Vicente de Barros é Psiquiatra em Cuiabá e atua no tratamento de Depressão e Ansiedade, CRM 8273, RQE 4866.
Artigos
Traição política e democracia, a linha tênue entre estratégia e compromisso
Autora: Kelly Silva* –
Na democracia, mudanças de posicionamento fazem parte do jogo político. Divergências, novas alianças e rupturas acontecem em qualquer cenário onde diferentes interesses convivem. Porém, existe uma diferença entre a liberdade democrática e a chamada traição política.
A democracia garante que líderes possam mudar de opinião, rever decisões e até romper alianças. Isso é legítimo quando acontece por princípios, convicções ou pelo interesse coletivo. O problema surge quando essas mudanças são movidas apenas por vantagens pessoais, acordos de bastidores ou disputas por poder.
Muitos políticos se elegem defendendo um grupo, uma ideologia ou um projeto. Mas, após assumirem seus cargos, mudam de lado rapidamente, abandonam discursos e esquecem compromissos feitos com a população. Para parte da sociedade, isso é visto como traição. Para outros, é apenas articulação política dentro da democracia.
A verdade é que a democracia permite escolhas, mas também exige responsabilidade. O eleitor não espera que um político seja refém de alianças eternas, mas cobra coerência entre discurso e prática. Quando a mudança de postura acontece sem transparência, nasce a desconfiança.
Traição política não é apenas romper com aliados. É romper com a confiança do povo. E nenhuma democracia se fortalece quando a população deixa de acreditar em quem foi eleito para representá-la.
No fim, a política continuará sendo feita de alianças e disputas. Mas a diferença entre estratégia e traição estará sempre na motivação de cada decisão e no impacto que ela causa na vida da população.
*Kelly Silva é jornalista e pós graduada em alta política
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