REFORANDO O NINHO PARA AS ELEIÇÕES 2026
PSDB reage a debandada, promove novas filiações e declara apoio prévio a eventual candidatura de Pivetta ao governo
Após registrar a saída de lideranças estratégicas, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em Mato Grosso iniciou, na quarta-feira (24), um movimento de rearticulação política com a filiação de novos quadros, entre eles os empresários Chico Galindo e Moacir Couto. A iniciativa busca conter o enfraquecimento da sigla no Estado e preservar sua presença institucional no cenário eleitoral de 2026.
O processo de recomposição partidária ocorre em meio à perda de nomes considerados relevantes, como o empresário Marcelo Maluf, que até então era apontado como possível aposta da legenda ao Palácio Paiaguás. Diante desse cenário, a direção estadual intensificou articulações para redefinir estratégias e alianças.
Sob a presidência do deputado estadual Carlos Avallone, o diretório mato-grossense conduz a reorganização interna com o objetivo de assegurar competitividade nas próximas eleições. O dirigente reconhece que manter a representatividade na Assembleia Legislativa já constitui desafio expressivo, embora projete a eleição de até três parlamentares.
Durante ato de filiação realizado nesta terça-feira (24), Carlos Avallone afirmou que os novos integrantes chegam à legenda com posicionamento político previamente definido. Segundo ele, há alinhamento em torno da eventual candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado.
De acordo com o presidente estadual, o apoio antecipado integra uma estratégia de construção de alianças e de fortalecimento da chapa proporcional. Ele declarou que os recém-filiados manifestaram concordância em respaldar o Republicanos, Otaviano Pivetta em eventual disputa pelo Executivo Estadual, caso a candidatura seja formalizada.
Paralelamente ao alinhamento político, o partido estabeleceu regra interna para a formação das chapas. O PSDB decidiu não aceitar deputados estaduais com mandato nem secretários de Estado entre os novos filiados, medida que, conforme a direção, visa evitar concorrência interna e ampliar as oportunidades eleitorais dos ingressantes.
A decisão, segundo Carlos Avallone, pretende assegurar equilíbrio na disputa proporcional e estimular a renovação de quadros. A legenda avalia que a entrada de lideranças sem mandato pode ampliar o espaço político do partido e favorecer a construção de nominata mais competitiva.
O objetivo central da estratégia é eleger de dois a três deputados estaduais em 2026, como etapa de um processo mais amplo de reconstrução partidária. A meta é considerada essencial para impedir que a sigla perca relevância no Parlamento estadual e reduza sua influência nas articulações políticas.
O movimento ocorre em um contexto de rearranjos partidários em Mato Grosso, marcado por migrações de lideranças e redefinições de alianças. Nesse ambiente, o PSDB busca reafirmar identidade programática e reposicionar-se no tabuleiro eleitoral, sem abrir mão de alianças pragmáticas.
Com as novas filiações, a direção estadual responde às questões centrais sobre quem compõe o projeto, o que está em curso, quando e onde se consolidam as articulações, por que a legenda adota novas regras, como pretende alcançar suas metas e quais impactos a estratégia poderá produzir no pleito de 2026, mantendo em aberto os desdobramentos do cenário político regional.

Os novatos no ninho tucano
Filiações
• Chico Galindo – ex-prefeito de Cuiabá e ex-deputado estadual;
• Leonardo Oliveira – ex-vereador por Cuiabá e sobrinho de Dante de Oliveira;
• Alex Vieira Passos – ex-secretário de Educação de Cuiabá;
• Omar Canavarros – Presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV-MT);
• Ruth, ex-presidente do PTB de Alto Taquari;
• Roberto Bezerra, vereador em Barra do Bugres;
• Nicolas Saab, empresário do ramo de construção;
• Ângelo Mello, empresário do ramo ótico;
• Erivelton Borges, empresário do ramo de construção;
• Ben Hur, empresário do setor de transportes;
Pré-candidatos e pré-candidatas a deputado estadual
• Jacy Proença, ex-vice-prefeita de Cuiabá, pré-candidata a deputada estadual;
• Juliana Saturno – ex-presidente do PTB Mulher de Mato Grosso, pré-candidata a deputada estadual;
• Nelson Paim, ex-prefeito de Poxoréo, pré-candidato a deputado estadual;
• Moacir Couto, de Barra do Garças, suplente de deputado que já assumiu o cargo aqui na AL e é pré-candidato a deputado estadual;
• Daniel do Lago, ex-prefeito de Porto Alegre do Norte, pré-candidato a deputado estadual;
• Roberto Bezerra ex-vereador em Barra do Bugres, pré-candidato a deputado estadual;
• Roberto Maia – ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia, pré candidato a deputado estadual;
• Vereador de Sinop Marcos Vinícius Borges (Advogado Ostentação);
Lideranças comunitárias
• Rosemeire Manoel Pereira do bairro Santa Isabel
• Antonio Ananias dos Santos (Kanan), do bairro Santa Isabel
• Hamilton Dias Honório (Romário), do bairro Primeiro de Março
• Eberton Santos Rodrigues (Betinho), do bairro Primeiro de Março
• Oilson Ferminiano Souza Júnior (Oilsinho) do bairro Cidade Verde
Política
Wellington desafia a resistência do Agronegócio e mantém pré-candidatura em 2026
No complexo cenário de articulações que antecede a sucessão estadual mato-grossense, o senador Wellington Fagundes do Partido Liberal (PL) consolidou o seu posicionamento estratégico como o nome mais competitivo das forças de oposição ao Palácio Paiaguás. O parlamentar mato-grossense, que cumpre atualmente o seu segundo mandato na Câmara Alta do Parlamento brasileiro, vem reiterando publicamente a sua firme determinação de disputar o comando do Poder Executivo em Mato Grosso nas eleições gerais de 2026. Essa postura convicta atua como um contrapeso direto aos insistentes rumores de recuo, refletindo a convicção do líder liberal de que a conjuntura atual representa uma oportunidade histórica e singular para alcançar a chefia da administração pública estadual.
A condução dessa ofensiva política centraliza-se na figura do próprio senador, um experiente político que traz em sua bagagem institucional a histórica marca de ter exercido o cargo de deputado federal por seis mandatos consecutivos antes de ascender ao Senado. Wellington Fagundes mobiliza os seus setores aliados e as bases partidárias municipais com o intuito de estruturar uma plataforma de governo de centro-direita que seja viável e competitiva perante o eleitorado. Ao assumir o protagonismo da ala dissidente, o congressista busca unificar correntes políticas insatisfeitas com o atual alinhamento do governo, apresentando-se como uma alternativa de poder experiente e dotada de trânsito direto nas esferas de decisão da capital federal.
O processo de consolidação desta postulação majoritária efetiva-se por meio de intensas reuniões de bastidores, manifestações públicas em redes digitais e agendas estratégicas nas principais regiões produtoras do estado de Mato Grosso. Fagundes adota uma linha de comunicação defensiva e, ao mesmo tempo, propositiva, focada em desmentir sistematicamente as especulações sobre uma eventual desistência de sua parte em favor de composições governistas.
Essa tática de reafirmação contínua visa consolidar a confiança de seus correligionários e prefeitos aliados, garantindo que o bloco partidário permaneça coeso e imune às pressões externas que buscam esvaziar a sua densidade eleitoral.

Os embates e as negociações decorrentes dessa movimentação tática localizam-se primordialmente nos eixos políticos de Cuiabá e de Brasília, onde se concentram as cúpulas partidárias e as principais lideranças representativas do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. O território mato-grossense, caracterizado pela força econômica do complexo agroindustrial, transforma-se no epicentro de uma disputa de poder na qual o controle do orçamento e das diretrizes de infraestrutura logística está em jogo.
As discussões travadas nos gabinetes do Congresso Nacional e nos escritórios corporativos da capital mato-grossense demonstram que o futuro comando do Palácio Paiaguás possui reflexos diretos na política econômica do país.
A intensificação dessa disputa de bastidores ocorre em um momento crucial da pré-campanha neste ano, período em que as agremiações partidárias começam a afunilar as opções de chapas majoritárias e a definir a distribuição dos fundos eleitorais.
A urgência de Wellington Fagundes em demarcar o seu espaço deve-se ao avanço dos blocos concorrentes, os quais tentam consolidar um consenso precoce na política estadual antes da abertura do prazo legal para as Convenções Partidárias. A escolha do atual momento para o endurecimento do discurso serve para evitar o isolamento de sua legenda, forçando os demais atores a considerarem o peso político do Partido Liberal nas mesas de negociação.
A motivação profunda que impulsiona a insistência do senador na disputa majoritária repousa na percepção de que o atual ciclo político oferece as condições ideais para a sua consagração no Executivo, coroando uma longa trajetória no Legislativo.
Wellington Fagundes compreende que o eleitorado mato-grossense apresenta forte tendência conservadora, o que confere ao seu partido uma vantagem comparativa natural que não deve ser desperdiçada em nome de acordos de subordinação regional. O desejo de implementar um modelo de gestão focado na diversificação econômica e na ampliação dos investimentos sociais atua como o combustível ideológico para enfrentar os desgastes inerentes a uma campanha de oposição.
O objetivo fundamental da manutenção dessa candidatura reside na tentativa de romper a aparente hegemonia do grupo situacionista, assegurando que o Partido Liberal ocupe o topo da chapa majoritária no estado governado pela direita. Ao fixar a sua meta na cadeira de governador, o senador almeja não apenas o sucesso pessoal, mas também a ampliação da bancada federal e estadual de sua agremiação, garantindo palanques fortes para as lideranças nacionais da legenda.
A estratégia visa consolidar Mato Grosso como um bastião do liberalismo conservador, impedindo que o controle da máquina pública estadual fique concentrado nas mãos de legendas consideradas menos alinhadas ao núcleo partidário.
A despeito de sua competitividade eleitoral demonstrada nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato enfrenta severas resistências internas e olhares atravessados por parte de uma ala expressiva de sua própria legenda, o PL de Jair Bolsonaro. Esse bloco dissidente, que atua em consonância com influentes figurões do agronegócio mato-grossense, manifesta clara preferência pela manutenção do atual esquema governamental, defendendo publicamente o apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Esse desalinhamento interno evidencia uma clara clivagem entre o pragmatismo da bancada ruralista e os interesses de expansão partidária da Executiva, gerando um ambiente de desconfiança nos bastidores.
Nesse complexo puxa-encolhe que ameaça a estabilidade de sua postulação, a sustentação política de Wellington Fagundes é assegurada diretamente por seu amigo de longa data e presidente nacional da legenda liberal, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto. O dirigente partidário nacional atua como o principal fiador da candidatura do senador mato-grossense, intervindo de forma enérgica toda vez que boatos sobre uma suposta renúncia ganham repercussão na imprensa regional.
Valdemar tem utilizado a divulgação de vídeos oficiais para desmentir as especulações de recuo, blindando a pré-candidatura de Fagundes contra o assédio de setores governistas e reafirmando a autonomia das decisões da Executiva Nacional.
O desdobramento futuro desta queda de braço partidária aponta para um cenário de intensa polarização e judicialização de decisões internas, à medida que a data das convenções oficiais se aproximar no calendário eleitoral. O apoio irrestrito da direção nacional do Partido Liberal a Wellington Fagundes tensionará as relações com os “Barões do Agronegócio“, testando a capacidade da legenda de impor a disciplina partidária sobre os seus quadros financiadores em Mato Grosso. A resolução desse impasse determinará se a oposição marchará unificada e robusta rumo ao Palácio Paiaguás ou se o pragmatismo econômico das forças governistas prevalecerá sobre os projetos de expansão da cúpula partidária liberal.
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