ZERAR OS LIMITES DE PULVERIZAÇÃO
Deputado defende a “reprovação” do PL do “Veneno Sem Limites”
Com um modelo agrícola quimicamente dependente, hoje o Brasil figura entre os países que mais consomem Agrotóxicos no mundo, chegando à estimativa de 400 mil toneladas de Agrotóxicos altamente perigosos pulverizados nas plantações, isso é cerca de 20% do uso mundial.
Ao despejar de forma aérea venenos nas plantações, esta forma de aplicação acentua os riscos de uma série de efeitos negativos para a saúde humana e para a saúde do ambiente, entre outros motivos, pelo efeito da deriva, de dispersão da calda tóxica derramada.
Da quantidade de veneno jogada, “apenas 32% dos agrotóxicos são, de fato, retidos na planta. O resto, 49%, ou seja, quase metade dos agrotóxicos aplicados vão ficar no solo, vão entrar no lençol freático e vão reduzir a biodiversidade local, e outros 19% vão ser dispersos pelo ar, para áreas vizinhas, e podem chegar a até 32 km de distância de onde inicialmente foram pulverizados”, conforme baseado em estudos técnicos da Embrapa.
As consequências, já alarmantes para a saúde humana e do ambiente, são ainda mais graves, tendo em vista que há uma carência de estudos que abordem os impactos de diferentes tipos de exposição, no ar, nos alimentos com resíduos de Agrotóxicos, na água contaminada, e de interação entre Agrotóxicos.

A quem interessa a pulverização?
A pulverização em território brasileiro é regulamentada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio da Instrução Normativa 2/2008 que estabelece requisitos técnicos para a prática, como distâncias mínimas de aplicação de agrotóxicos, não sendo lícita, por exemplo, a aplicação a uma proximidade mínima de 500 metros de vilas e povoações e de 250 metros dos mananciais.
Audiência Pública sobre o PL do Veneno Sem Limites
Nesta terça-feira (18), Comissão de Saúde e o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) realizam, uma Audiência Pública para discutir o Projeto de Lei Nº 1833/2023, que reduz e em alguns casos zerar os limites para pulverização de Agrotóxicos em Mato Grosso. A Audiência Pública acontece na terça (18), a partir das 8h, na Sala das Comissões da Assembleia Legislativa, com presença de pesquisadores, especialistas, pessoas interessadas e também do autor do Projeto de Lei.
O parlamentar estadual Lúdio Cabral defende que o Projeto de Lei seja “reprovado” para evitar o aumento da contaminação de pessoas, cursos d’água, animais domésticos e do lençol freático no Estado.
“O entendimento que nós temos é que os limites estabelecidos hoje, inclusive com uma decisão judicial que revalida o decreto do Poder Executivo, que é o limite de 300 metros em qualquer tipo de propriedade – independente do tamanho – estão adequados. Existem preocupações com o meio ambiente e com a saúde, porque você não pode correr o risco de contaminar mananciais de abastecimento de água. Por isso existem esses limites físicos, você não pode gerar risco à saúde da população, e também por isso a nossa insistência em adiar a votação desse projeto“.
A realização da Audiência Pública foi articulada por Lúdio Cabral antes da segunda votação do projeto pelo Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), o que deve acontecer na próxima quarta-feira (19).
O chamado “PL do Veneno Sem Limites“ tramita em regime de urgência urgentíssima e já foi “aprovado” em primeira votação em setembro de 2024. Na sessão da última quarta-feira (12), o deputado estadual Ludio Cabral fez pedido de vista, adiando a segunda análise do Plenário.
“O que está em jogo é a contaminação da água, dos animais, do lençol freático, do abastecimento de água, dos alimentos que são oferecidos às pessoas que vivem nas comunidades rurais e à população em geral. Se for aprovado, em 90% das propriedades em Mato Grosso, que são pequenas, as famílias vão estar expostas ao risco de intoxicação aguda e crônica por agrotóxicos, e terão sua saúde prejudicada. Por isso, precisamos fazer esse debate com mais profundidade“, declarou Lúdio.
Mudanças do Projeto de Lei
As distâncias para aplicação de veneno estão definidas por meio de decretos estaduais. O Decreto Nº 1.651/2023 é alvo de Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MP/MT) em razão da redução dos limites para aplicação dos agrotóxicos em relação a povoações, cidades, vilas, bairros, e mananciais de captação de água para abastecimento da população. A sentença de primeira instância, de agosto de 2024, foi favorável ao MPMT.
O texto atual do PL nº 1833/2023, e que será discutido na Audiência Pública, é o do Substitutivo nº 4, aprovado pela Comissão de Meio Ambiente. O projeto acaba com o limite para aplicação de Agrotóxicos e produtos afins nas propriedades consideradas “pequenas”, de até quatro módulos fiscais, de forma mecanizada ou não.
Nas grandes propriedades rurais, acima de 15 módulos fiscais, o limite fica de 90 metros. E nas médias propriedades, acima de quatro e até quinze módulos fiscais, o texto coloca o limite de 25 metros. As distâncias para aplicação do veneno são em relação a “povoações, cidades, vilas bairros, e mananciais de captação de água, moradia isolada agrupamento de animais e nascentes ainda que intermitentes“.
Política
MDB se posiciona como o pivô das articulações estratégicas na disputa pelo Governo de Mato Grosso
A movimentação nos bastidores políticos do Estado de Mato Grosso atingiu um novo patamar de intensidade nas últimas horas, impulsionada por intensas negociações de bastidores. O cenário eleitoral recente aponta para uma articulação avançada que visa consolidar uma robusta aliança partidária entre diferentes frentes. O foco central dessas tratativas é a estruturação definitiva das composições majoritárias que disputarão o comando do Poder Executivo Estadual nas próximas eleições, redesenhando o mapa de forças locais.
Esta complexa engenharia política está se desenvolvendo diretamente nos principais eixos de articulação partidária do Estado de Mato Grosso, englobando diretórios e escritórios estratégicos. A relevância geográfica do Estado, um dos motores econômicos do país, amplifica o impacto dessas decisões. As reuniões e acordos concentram-se na capital e irradiam influência para os colégios eleitorais mais importantes do interior mato-grossense, onde as bases partidárias acompanham atentamente os desdobramentos.
O processo de aproximação e fechamento de acordos ganhou força significativa nas últimas horas, um período considerado crucial devido à proximidade das Convenções Partidárias oficiais. O fator tempo atua como um catalisador para as lideranças políticas, que buscam definir suas posições e garantir vantagens competitivas antes do encerramento dos prazos legais. A urgência cronológica exige decisões rápidas e certeiras por parte dos articuladores, que trabalham contra o relógio.
Os protagonistas dessa movimentação são as lideranças e os integrantes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Republicanos, que buscam uma composição sólida para as próximas disputas. Além dessas duas siglas, o União Brasil (UB), uma ala expressiva do Partido Liberal (PL) participam ativamente como defensores dessa ampla aliança. No centro da dinâmica institucional destaca-se também a deputada estadual Janaina Riva, atual presidente do diretório do MDB em Mato Grosso.
A principal motivação por trás dessa intensa articulação é a busca por maior viabilidade eleitoral e o fortalecimento de uma chapa majoritária que demonstre robustez e capilaridade política. O objetivo imediato das legendas envolvidas é garantir uma estrutura partidária pesada e com tempo de propaganda necessário para assegurar o êxito nas urnas.
Para o MDB, especificamente, o movimento representa a oportunidade de consolidar sua relevância histórica e ditar os rumos da sucessão estadual.
O arranjo político em desenvolvimento prevê que a chapa majoritária resultante dessa união seja oficialmente encabeçada pelo atual governador do estado, Otaviano Pivetta. A proposta central consiste em integrar formalmente o MDB e o Republicanos na estrutura de apoio direto à liderança do atual chefe do Executivo. A estratégia visa apresentar ao eleitorado uma frente ampla e de continuidade administrativa, unindo forças tradicionais e novas correntes do cenário político.
A viabilização desse acordo ocorre por meio de reuniões estratégicas, diálogos reservados e avaliações criteriosas de cenários por parte de um grupo de emedebistas entusiasmados com o projeto. Estes membros do partido têm endossado publicamente a aliança, atuando como pontes entre as diferentes siglas. O método adotado envolve a superação de arestas internas e a construção de consensos programáticos que possam justificar a coligação perante os filiados e os eleitores.
A necessidade de uma articulação tão profunda decorre do fato de que as três principais legendas aliadas, União Brasil, Republicanos e a ala dissidente do Partido Liberal (PL), ainda não fecharam suas chapas definitivas para a disputa ao Senado Federal.
Até o presente momento, o bloco conta com apenas um pré-candidato consolidado para a vaga senatorial. Essa lacuna na chapa majoritária cria a necessidade de preenchimento estratégico, transformando o espaço vago em uma valiosa moeda de troca nas negociações.
Um dos principais fatores de complexidade nesse processo reside na postura da deputada estadual Janaina Riva, que atualmente não nutre uma relação estreita com o governador Otaviano Pivetta. Apesar do distanciamento pessoal e político entre a presidente da sigla e o chefe do Executivo, o clamor interno do partido tem pesado a favor da coligação.
A parlamentar emedebista avalia minuciosamente o cenário para identificar qual caminho oferecerá a maior viabilidade para sua própria projeção e futura disputa ao Senado.
Como consequência direta dessas variáveis, o MDB converteu-se oficialmente na chamada “noiva da vez” do mercado político mato-grossense às vésperas das Convenções Partidárias. O posicionamento estratégico do partido confere a ele o “PODER” de definir os rumos das alianças majoritárias e o peso do apoio governamental.
O desfecho dessa aproximação consolidará o desenho das forças que disputarão o voto do eleitorado, estabelecendo as bases para o próximo ciclo político do Estado de Mato Grosso.
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