TORNEIO OFF DE ROBÓTICA
Escola pública de Várzea Grande participará da etapa nacional do Torneio Sesi de Robótica
A equipe “Ze Tec” de robótica, da Escola Estadual José Leite de Moraes de Várzea Grande, participará da etapa nacional do Torneio Sesi de Robótica First Lego League Challenge (FLLC), no Distrito Federal. A unidade foi a única escola pública de Mato Grosso a ser classificada para esta etapa, que será realizada nos dias 12 e 15 de março de 2025, em Brasília.
O professor de matemática, Anderson Marcos Piffer, conta que a equipe nasceu no início de 2024, com o objetivo de participar do Torneio Off Seasons de Robótica, realizado pelo Sesi em agosto, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT).
“Por ser a primeira vez competindo, tivemos um bom desempenho na competição, ficando em 7º lugar geral e ganhamos o prêmio de melhor técnico do torneio. Desta vez, na competição no Distrito Federal no início de dezembro ficamos em 4º lugar”, explicou.
A equipe se preparou para competir na categoria FLL chamada de Submerged, que é composta por quatro critérios avaliativos. Segundo o professor, foram feitos vários vídeos aulas e conferências com especialistas em oceanos, pois a pergunta norteadora da temporada é: “O que pode ser proposto para auxiliar na vida de quem vive no oceano?”.
Além do robô, a equipe construiu um protótipo apelidado de “lavra cracas”. O objeto é um mecanismo elevatório que eleva embarcações ao adentrarem em águas nacionais, usando as plataformas de petróleo desativadas para fazer a limpeza de seus cascos. Para o professor, é algo marcante para a escola e para a equipe de estudantes.
“No Brasil, existem cerca de 1.100 equipes de robótica FLL e dessas, apenas 100 se classificaram para etapa regional em Brasília. Viajamos com 10 alunos da equipe, sendo que oito nunca tinham voado de avião. Esta experiência foi marcante e certamente inesquecível para eles, melhor ainda porque trouxemos uma classificação”, destacou.
Equipes formadas por crianças e adolescentes de 9 e 15 anos apresentaram seus projetos de inovação e buscaram somar o máximo de pontos com robôs autônomos. Os grupos disputaram vagas para o torneio nacional, onde 100 saíram vencedores para competir na etapa internacional.
Mais de 200 crianças se reuniram no ginásio Taguatinga do Sesi-DF para o torneio regional. Foram 30 equipes de escolas públicas e privadas e, garagem (grupo de amigos) que competiram com robôs construídos de lego. O tema da temporada 2024/2025 é First Dive, em que os competidores são desafiados a utilizar habilidades nos campos Steam para explorar a vida no fundo do mar.
O campeonato nacional ocorrerá de 12 a 15 de março de 2025, no Centro de Convenções Internacional do Brasil, em Brasília. O técnico e professor está confiante que a equipe sairá com a classificação para etapa mundial e competir em Houston nos Estados Unidos.
“As crianças estão com a sensação de missão cumprida e isso dá um gás para quererem ganhar a etapa nacional. Conseguimos realizar aquilo que queremos, que com muita dedicação, é possível conseguir bons resultados, mesmo sendo aluno de escola pública. Por isso, ainda acredito em escola pública, temos as melhores, que ultrapassam muitas privadas”, finalizou.
Geral
“O xadrez ensina o aluno a lidar com pressão, frustrações e desafios”
O xadrez tem contribuído para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais dos estudantes da Escola Estadual de Tempo Integral Clênia Rosalina, em Cuiabá. Concentração, raciocínio lógico, disciplina e tomada de decisões estão entre as competências estimuladas pela modalidade, que integra a proposta pedagógica das escolas de tempo integral vocacionadas ao esporte da rede estadual.
O trabalho é conduzido desde 2021 pelo professor de Educação Física, João Paulo da Silva Louzada. Na avaliação dele, o esporte cumpre um papel importante na escola ao ajudar os estudantes a desenvolver disciplina, convivência e responsabilidade, principalmente quando é trabalhado de forma contínua no dia a dia da unidade.
“O esporte vai além da prática física e da competição. Na escola, ele é uma ferramenta de formação humana, social e educacional. Por meio das atividades esportivas, os estudantes desenvolvem competências importantes para a convivência, como respeito às regras, cooperação, liderança, disciplina, criatividade e responsabilidade”, afirma o professor.
No caso do xadrez, segundo João Paulo, os efeitos aparecem tanto dentro quanto fora do tabuleiro. A cada partida, o estudante aprende a observar melhor, a controlar impulsos, a lidar com erros e a avaliar as consequências antes de agir.
“O xadrez ensina o aluno a lidar com pressão, frustrações e desafios de forma mais equilibrada. Ele ajuda o estudante a pensar antes de agir, pois, em uma partida, podem ocorrer situações inesperadas. O aluno precisa avaliar o cenário, tomar decisões e assumir o resultado de cada escolha”, explica.
Entre os exemplos citados pelo professor está a estudante Ana Clara da Silva Pinho, do 1º ano do Ensino Médio. A jovem enxadrista se tornou referência na escola pelo desempenho em campeonatos escolares e estaduais.

Nos últimos anos, ela acumulou títulos como campeã estadual do JORE 2025, campeã regional do JORE 2025, campeã do Festival Escolar de Xadrez (FEX) Torneio Verão 2026, campeã sub-14 feminino do Festival Escolar de Xadrez 2024 e campeã do IFMT Blitz 2024, também na categoria sub-14 feminino.
Ana Clara ainda foi vice-campeã dos Jogos Estudantis de 2025, em Cuiabá.
Para João Paulo, os resultados alcançados pela estudante nas competições estaduais refletem um trabalho desenvolvido na escola, com incentivo, treino e acompanhamento contínuos.
“O desempenho da Ana Clara é resultado de um processo que começou aqui. Mas percebo mudanças não apenas nela. Os demais alunos que praticam xadrez também demonstram maior concentração, mais segurança ao lidar com desafios e mais cuidado ao tomar decisões. Para mim, é uma modalidade muito eficiente nesse desenvolvimento”, destaca.
O trabalho desenvolvido na escola também tem contribuído para ampliar o cenário enxadrístico no âmbito escolar de Mato Grosso. Além das aulas e dos treinamentos, os professores João Paulo e Glaydson Magno Andrade da Costa atuam na organização do Festival Escolar de Xadrez (FEX), realizado desde 2024 com o apoio da Federação Mato-grossense de Xadrez.
Sediado na própria unidade escolar, o festival vem crescendo a cada edição e reunindo estudantes, atletas e admiradores da modalidade de diferentes regiões do estado. Em 2026, o FEX recebeu mais de 80 inscrições, consolidando-se como uma competição estudantil importante para a valorização do xadrez no ambiente escolar.
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), a experiência da unidade está inserida na política de expansão das escolas de tempo integral da rede estadual.
Mato Grosso possui atualmente 594 escolas estaduais, das quais 96 funcionam em tempo integral, o que corresponde a 16,16% da rede. Desse total, 14 unidades são destinadas ao esporte. As escolas de tempo integral estão presentes em 53 municípios.
A rede estadual atende 324.406 estudantes, dos quais 19.650 em tempo integral, o que corresponde a 6,6% das matrículas. Nessas unidades, as práticas esportivas fazem parte da rotina dos alunos e contribuem para uma formação mais ampla, com reflexos na aprendizagem, na convivência e no desenvolvimento emocional.
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