MANOBRA DA ENERGISA
Fraude no balanço da Energisa somam quase R$ 100 milhões
“A energia elétrica em Mato Grosso tem sido o calcanhar de Aquiles da população“.
Esta foi a palavra do presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (AGER/MT), Fábio Calmon.
E segundo Fabio Calmon, a Energisa Mato Grosso Distribuidora de Energia S.A (Energisa), tem sido alvo de inúmeras reclamações no Estado de Mato Grosso, assim como outros estados onde a empresa tem concessão, e as inúmeras reclamações levou a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) em 2020, criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Energisa, que, desde a sua instalação em Mato Grosso, há cinco anos, está, rotineiramente, em primeiro lugar no índice de reclamações.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) teria na época como objetivo de investigar o aumento abusivo nas contas de energia elétrica no Estado de Mato Grosso.

O parlamentar estadual do Partido Verde (PV), Faissal Jorge Calil Filho exibiu em mais um vídeo publicado em suas redes sociais, das fraudes efetuadas pela Energisa Mato Grosso Distribuidora de Energia S.A (Energisa), em seus balanços financeiros para poder justificar, junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um reajuste maior nas tarifas cobradas ao consumidor.
Nestas ultimas semanas, o deputado estadual tem apresentado uma série de denúncias relativas a manobras contábeis feitas pela empresa para maquiar os gastos e investimentos feitos pela concessionária.
No vídeo apresentado pelo deputado estadual Faissal Calil, ele explica que a Energisa omitiu, em seus balanços relativos ao ano de 2017, a existência de 380 quilômetros em linhas de transmissão.
No ano seguinte, em 2018, a empresa divulgou o número correto relativo a quantidade existente no sistema da concessionária, com a soma do montante que havia omitido, maquiando os dados e fazendo com que a Aneel entendesse que esta diferença teria sido um investimento feito pela empresa, num total de quase R$ 100 milhões.
“Se pegarmos a tabela da Associação Brasileira de Construção Metálica do ano de 2014, o custo para a execução de um quilômetro de uma linha de transmissão era, naquele ano, de cerca de R$ 250 mil. Multiplicando este montante pelos 380 quilômetros omitidos pela Energisa em seu balanço, chega-se a um total de R$ 95 milhões. Ela deu a entender que construiu esta diferença em um ano, mas na verdade ela já existia”, explicou Faissal.
Esta manobra, de acordo com o parlamentar, permite que a empresa justifique, junto à Aneel, um reajuste maior nas contas de energia. A fraude nos balanços relativos ao ano de 2017 se dá pelo fato de que a agência utilizou os dados contábeis da empresa daquele ano para realizar a revisão tarifária periódica, ajuste feito a cada cinco anos.
Em 2017, ano utilizado pela Aneel para os cálculos da revisão tarifária periódica, a empresa teve superávit de apenas R$ 4,8 milhões, obtendo uma queda expressiva em seus ganhos.
Nos anos seguintes, entretanto, a concessionária voltou a ter ganhos expressivos, passando para R$ 426 milhões em 2018, R$ 594 milhões em 2019 e R$ 678 milhões em 2020.
ECONOMIA
Europa supera China e paga até 40% mais pela carne bovina produzida em MT
Embora a China continue como principal compradora da carne bovina produzida em Mato Grosso, são os mercados europeus que oferecem a maior remuneração pelo produto do Estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada de carne bovina mato-grossense, enquanto os demais países europeus desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. Os valores superam em até 40% o preço médio pago pela China, de US$ 4.745 por tonelada.
A diferença evidencia uma estratégia cada vez mais importante para a pecuária de Mato Grosso: além de ampliar mercados, conquistar destinos que remuneram melhor a carne produzida. Embora a China tenha absorvido 55,2% dos embarques mato-grossenses no primeiro semestre, os mercados europeus se destacam pelo maior valor agregado dos produtos exportados e pelas exigências relacionadas à qualidade e rastreabilidade.
Esse cenário também é refletido no Índice de Atratividade das Exportações, indicador elaborado pelo Imea que compara quanto cada mercado remunera a carne bovina em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Na prática, o índice mede a capacidade de cada destino gerar retorno econômico para a cadeia produtiva: quanto maior o índice, maior é o valor agregado obtido na exportação.

Nesse ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países da Europa (98,59). Em comparação, a China registra índice de 74,37, atrás ainda do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47). Os números mostram que, embora compre menor volume, o mercado europeu proporciona uma remuneração significativamente superior pela carne mato-grossense.
“A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Segundo Andrade, ampliar a presença em mercados mais exigente fortalece toda a cadeia produtiva e reduz a dependência de poucos compradores.
“Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, enfatiza.
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