MERCADO MUNICIPAL SERÁ MODELO
“Hoje é uma data histórica muito importante para o desenvolvimento urbano de Cuiabá”
O edital de licitação da Parceria Público-Privada (PPP) para requalificação do Centro Histórico e revitalização do Mercado Municipal Miguel Sutil, localizado na Avenida Isaac Póvoas, foi assinado pelo Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). O edital será publicado na Gazeta Municipal desta quarta-feira (20) e dará o prazo de 45 dias para que as empresas apresentem suas propostas.
O Mercado Municipal Miguel Sutil não é nem sombra do que foi quando inaugurado, na década de 60, na gestão do então Prefeito de Cuiabá, Vicente Vuolo. Desde então o Mercado Municipal passou por poucas reformas, a ultima teria sido realizada ainda na gestão Dante Martins de Oliveira, ex-prefeito de Cuiabá, desde então só se ouviam promessas.

O Mercado Municipal agoniza em ruínas, e esta localizado em um dos quadriláteros mais caros da cidade. Espaço que chegou a manter mais de 80 boxes, onde a cuiabania comprava o que havia de melhor em hortifrutigranjeiros, carnes e cereais, hoje praticamente virou estacionamento de motocicletas para entregadores. Poucos comerciantes ainda resistem, mas sabem que se nada for feito, o espaço público deve se transformar em reduto de moradores de rua ou mesmo de usuários de drogas e criminosos.
Hoje a situação atual é de abandono. Faltam telhas, a fiação elétrica é antiga e está exposta em alguns boxes. Algumas das pilastras de sustento do prédio estão cedendo. Mas estes são apenas alguns dos problemas. O fato de não haver um controle sobre os estabelecimentos que estão funcionando no mercado pode ser um dos principais motivos para a insegurança. Existem suspeitas de que um dos estabelecimentos seja ponto de tráfico de drogas e de prostituição.
Mercado modelo
Ao todo, o futuro Mercado Municipal terá quatro pavimentos, divididos por setores para um melhor ordenamento dos ambientes e das mais de 180 lojas e praça de alimentação. O projeto prevê ainda construção de um estacionamento rotativo com mais 600 vagas para carros e motos, com um sistema automatizado com sensores para identificação do status da vaga e software de compra e recarga de créditos. Os investimentos na obra podem chegar na ordem dos R$ 100 milhões em seis anos.
“Hoje é uma data histórica muito importante para o desenvolvimento urbano de Cuiabá, porque estamos dando um novo destino ao ícone da nossa cultura, gastronomia e do nosso mercado varejista e atacadista, o grande Mercado Municipal Miguel Sutil, que durante décadas funcionou como um verdadeiro mercado regional abastecendo os lares das famílias cuiabanas. Me lembro de quando eu era criança e ia até esse mercado com a minha mãe nesse mercado. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento da nossa cidade, aquele espaço público foi dando espaço a prostituição, drogas, insegurança, violência e perdeu a sua função histórica”, destacou o prefeito.
“O prédio pertencia a Câmara Municipal de Cuiabá e foi muita luta muito grande para começarmos o resgate histórico desse patrimônio público e darmos uma nova conotação de convivência ao Centro Histórico. A pandemia acabou atrapalhando um pouco esse processo, mas optamos por fazer essa PPP, uma parceria público-privada para o Mercado Miguel Sutil. É um projeto que faz parte dos 300 anos de Cuiabá, devolver esse grande ícone da nossa cuiabania. Então, quero agradecer a toda a nossa equipe, ao secretário que foi o articulador de todo esse trabalho, Francisco Vuolo, ao trabalho da Secretaria adjunta de licitações e contratos, coordenada pelo Agmar. É uma PPP desafiadora e inovadora, mas nós podemos”, acrescentou.
O secretário de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Vuolo, explica que durante o período das obras da edificação do Mercado Municipal, os 18 permissionários que atualmente permanecem no espaço terão um apoio financeiro por parte da empresa vencedora do certame.
“Essa foi uma das maiores preocupações do prefeito Emanuel Pinheiro, os 18 permissionários já estão inseridos no termo de referência. Haverá um apoio, um subsídio dado a eles pela empresa que será a vencedora do certame durante o período da obra para que as atividades que eles desenvolvem sejam mantidas. Posteriormente à PPP, eles terão a prioridade para escolher o local com o investidor. O objetivo principal é fazer com que o Centro seja uma região revitalizada e fortalecida no aspecto econômico. Esperamos que os parceiros que participarem do processo sejam de alto nível para que possamos prospectar prazos e o cronograma de ações”, pontuou o secretário.
Durante a estruturação da PPP foram realizadas audiências públicas para debate junto à população, Câmara Municipal, Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Além disso, também foi criada uma comissão especial composta por representantes das secretarias de Gestão, Mobilidade Urbana, Planejamento, Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável e Procuradoria Geral do Município para acompanhamento do procedimento de licitação.
Destaques
Deepfakes se tornam mais acessíveis e difíceis de identificar com avanço da IA
Vídeos de candidatos fazendo declarações que jamais deram, áudios com vozes praticamente idênticas às de figuras públicas e fotografias produzidas artificialmente estão cada vez mais difíceis de distinguir de conteúdos reais. Com a evolução e a popularização da inteligência artificial generativa, os deepfakes devem exigir atenção redobrada dos eleitores durante as eleições de 2026, diante do risco de manipulação da informação e de disseminação de conteúdos falsos capazes de influenciar o debate público.
Deepfake é uma técnica de produção ou manipulação de conteúdo digital por meio da inteligência artificial, capaz de fazer uma pessoa parecer dizer ou realizar algo que nunca disse ou fez. A tecnologia pode ser aplicada a vídeos, fotografias e áudios, permitindo a reprodução artificial de rostos, a alteração dos movimentos labiais e a clonagem de vozes, com resultados cada vez mais sofisticados e semelhantes aos registros autênticos.
Nos primeiros anos de popularização dos conteúdos produzidos por Inteligência Artificial, determinados erros eram relativamente fáceis de identificar. Mãos com dedos extras, olhos desalinhados, ausência de piscadas e movimentos faciais artificiais tornaram-se alguns dos sinais mais conhecidos. Com a evolução dos modelos de IA, entretanto, a simples procura por esses defeitos já não é suficiente para determinar se uma imagem, um vídeo ou outro material digital é verdadeiro.
Um especialista em IA procurado pelo Blog do Valdemir diz que:
“Os sistemas atuais melhoraram significativamente. Ainda existem sinais que merecem atenção, como pequenas alterações no contorno do rosto durante o movimento, diferenças entre os movimentos dos lábios e a fala, sombras e reflexos incompatíveis com a iluminação da cena, textura da pele que muda de um quadro para outro, acessórios que aparecem e desaparecem, textos e objetos que se deformam e movimentos corporais pouco naturais”, explica o especialista.
Os áudios representam um desafio ainda maior para a identificação de falsificações. Sistemas modernos conseguem reproduzir timbre, sotaque e outras características individuais da fala a partir de amostras relativamente curtas da voz original. Alguns elementos podem despertar suspeita, como a ausência de respirações naturais, ritmo e volume excessivamente uniformes, pausas incomuns, entonação incompatível com o conteúdo da mensagem, pronúncia estranha de nomes próprios e mudanças abruptas de volume ou timbre.
O especialista ressalta, contudo, que nenhum desses indícios comprova, isoladamente, que determinado conteúdo é falso. Por isso, a verificação deve começar pela procedência do material.
“A melhor recomendação ainda é verificar a origem, em vez de confiar apenas na aparência. Deve-se perguntar: quem publicou primeiro? O material aparece nos canais oficiais daquela pessoa? Há registro do evento completo? Veículos jornalísticos confiáveis registraram aquela declaração? Existem versões anteriores do mesmo vídeo?”, pondera.
Ferramentas acessíveis ao público, como Deepware Scanner e Hive, também podem auxiliar na análise de conteúdos em busca de indícios de manipulação ou geração por Inteligência Artificial. Esses serviços, porém, não devem ser interpretados como uma comprovação definitiva da autenticidade ou falsidade de um material.
“Eles fornecem indícios e probabilidades, não um ‘certificado da verdade’. Diante de um conteúdo polêmico ou muito grave, a regra mais segura continua sendo não compartilhá-lo imediatamente, confirmar sua origem em mais de uma fonte independente e buscar informações em veículos jornalísticos e canais oficiais”, afirma.
Além da crescente sofisticação tecnológica, a velocidade de circulação das informações nas redes sociais representa outro obstáculo. Os algoritmos de recomendação não foram concebidos como ferramentas de verificação de fatos, mas como sistemas destinados a selecionar conteúdos capazes de despertar interesse e manter os usuários nas plataformas. A desinformação, frequentemente baseada em surpresa, medo, indignação ou escândalo, pode gerar elevado engajamento antes que a autenticidade do material seja devidamente apurada.
“Um vídeo falso atribuindo uma declaração absurda a um candidato pode receber milhares de compartilhamentos antes que jornalistas, especialistas ou a própria plataforma consigam verificar sua autenticidade, causando estragos que ultrapassam a barreira do ambiente digital e podem perpetuar-se no mundo real como uma suposta verdade. Criar e publicar uma falsificação pode levar poucos minutos, enquanto realizar uma perícia, confirmar a origem, produzir uma checagem e comunicar essa informação a milhões de pessoas demanda muito mais tempo. Essa assimetria de velocidade impõe uma barreira significativa à contenção desses conteúdos”, alerta.
Para reduzir os riscos durante o período eleitoral, a resposta precisa ocorrer simultaneamente em diferentes frentes, com identificação clara de conteúdos sintéticos, sistemas automáticos de detecção acompanhados de revisão humana, redução temporária da recomendação de materiais suspeitos, mecanismos que dificultem compartilhamentos massivos e canais prioritários para denúncias relacionadas às eleições.
“A resposta precisa combinar tecnologia, legislação, educação midiática, jornalismo profissional e comportamento responsável dos próprios usuários”, conclui o especialista.
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