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Por que comemorar o aniversário do seu filho?

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Autora: Edy Bravo*

É inegável que estamos cada vez mais conectados e “digitais”. Imersos muitas vezes em rotinas extenuantes, parece que em um piscar de olhos nossos filhos cresceram e aqueles nenéns que eram completamente dependentes de nós se tornaram donos de si.

Mas, será que foi em um piscar de olhos? Neste turbilhão da vida moderna, com as demandas incessantes e ritmos frenéticos, às vezes é fácil deixar passar despercebido o valor dos momentos simples e significativos. No entanto, entre as muitas datas marcantes que pontuam nosso calendário, uma se destaca de maneira especial e deve ser sempre comemorada: o aniversário dos nossos filhos.

Há 6 anos trabalhando na área de buffets infantis em Cuiabá, posso dizer sem sombra de dúvidas que marcar a passagem do tempo – do nosso e dos nossos – é relevante e engrandecedor.

Em primeiríssimo lugar, comemorar o aniversário de uma criança é uma forma de celebrar não apenas sua existência, mas também a vida em si. É um lembrete poderoso de que cada novo ano traz consigo a oportunidade de crescimento, aprendizado e novas experiências. Ao celebrar o aniversário do nosso filho, estamos celebrando a própria essência da vida e tudo o que ela tem a oferecer.

Além disso, os aniversários são momentos para expressar amor, gratidão e apreço pela presença dos pequenos em nossas vidas. É uma oportunidade para refletir sobre o quanto eles significam para nós e como suas vidas têm impactado positivamente o mundo ao seu redor. Uma festa de aniversário é mais do que apenas uma celebração: é uma expressão tangível do nosso amor e cuidado por aqueles que mais amamos.

As festas de aniversário também são ocasiões especiais que reúnem familiares e amigos em torno de uma causa comum. Esses momentos compartilhados fortalecem os laços familiares, criam memórias duradouras e proporcionam uma sensação de pertencimento e união que é fundamental para o bem-estar emocional de todos os envolvidos.

É preciso lembrar que para uma criança, ter seu aniversário comemorado com festa e alegria é uma experiência que vai muito além do simples ato de receber presentes. É uma oportunidade para se sentir especial, amado e valorizado. Essa celebração contribui para o desenvolvimento da autoestima e autoconfiança da criança, reforçando sua sensação de pertencimento e importância no mundo.

Independentemente da idade, as festas de aniversário são momentos que ficam gravados na memória das crianças para sempre. As risadas, os abraços, os momentos de diversão e os pequenos detalhes que compõem essas celebrações se tornam preciosas lembranças que serão revisitadas com carinho ao longo da vida – por meio das histórias que os pais contarão ou pela fotografia. Comemorar o aniversário dos nossos filhos é criar memórias que durarão para sempre. E aí, você está criando boas memórias?

*Edy Bravo é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá.

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Artigos

O Senado e a traição às nossas crianças

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Autor: André Naves*

Como se conceitua o direito à Vida? Em um país fraturado por desigualdades estruturais, o conceito de vida tem sido frequentemente sequestrado por discursos estridentes que o reduzem à mera sobrevivência. Mas a vida, em sua acepção constitucional, jurídica e humana, não é apenas a existência pós-concepção ou o bater de um coração. O direito à vida exige segurança existencial, segurança alimentar, proteção social e o direito inalienável de crescer e se desenvolver livre do terror.

Foi essa dimensão integral da vida que o Senado Federal brasileiro decidiu aniquilar ao aprovar o Decreto Legislativo que susta a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A Resolução 258/2024 não criava novos direitos nem inventava obrigações inéditas. Ela regulamentava, com sensibilidade e rigor técnico, procedimentos concretos e urgentes: o atendimento humanizado e sigiloso a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em hospitais e delegacias; o prazo máximo de atendimento para evitar a revitimização; a escuta especializada por profissionais capacitados; e o acesso imediato aos direitos já garantidos pelo Código Penal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Ao sustar essa norma, o Senado eliminou proteções concretas, destruindo perspectivas de dignidade de quem já teve a vida maculada.

Precisamos olhar para a realidade sem a hipocrisia moralista. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024) demonstram uma tragédia contínua: o Brasil registrou mais de 87 mil estupros em 2023 – o maior número de nossa história. Desse oceano de barbárie, 61% das vítimas de estupro de vulnerável são meninas de até 13 anos de idade. Entre 2015 e 2023, o Ministério da Saúde registrou quase 190 mil partos de meninas menores de 14 anos – crianças cujos corpos foram transformados em cena de crime e, posteriormente, em incubadoras forçadas.

Obrigá-las a levar adiante uma gravidez fruto de estupro não é defender a vida. É institucionalizar a tortura. É roubar-lhes a infância, a saúde mental, a segurança alimentar e a possibilidade de um futuro digno. É decretar uma morte existencial – o abandono escolar compulsório, o isolamento social, a pobreza estrutural, o trauma permanente – para salvar uma narrativa política.

E ao sustar a Resolução 258, o Senado Federal atropelou a própria lei e a Constituição. O Código Penal Brasileiro, desde 1940, é cristalino: não há crime de aborto quando a gravidez é resultante de estupro. Trata-se de uma decorrência lógica de um sistema que, minimamente, tenta proteger a vítima da perpetuação de seu trauma. Um decreto legislativo não tem o condão de revogar o Código Penal nem de se sobrepor aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal. A manobra do Senado é, portanto, uma aberração jurídica.

Como Defensor Público Federal, encaro diariamente os olhos daqueles que o Estado prefere esquecer. Vejo o peso do capacitismo, do racismo e da misoginia esmagando futuros. Quando o Legislativo atua para dificultar o acesso ao aborto legal para uma menina de 10 anos estuprada pelo tio ou pelo padrasto – que representam a maior parte dos agressores -, ele não está protegendo a família. Ele está protegendo o abusador. Ele está dizendo a essa menina que a dor dela não importa, que seu corpo não lhe pertence e que o Estado é cúmplice de seu algoz.

Não podemos aceitar que a moralidade de fachada substitua a responsabilidade ética e jurídica com o bem comum. A verdadeira defesa da vida exige que enfrentemos as raízes da violência. Exige educação, proteção integral, escuta ativa e políticas públicas que garantam que nenhuma criança seja violada no lugar onde deveria estar mais segura.

O Senado Federal, que age em nome da tradição, da vida e da liberdade, recusa-se a enxergar a dor de uma criança violentada – e coloca suas digitais num atestado de crueldade e barbárie. A modernidade sem raízes humanistas é leviana. E um Estado que escolhe proteger o abusador em vez da vítima não merece o nome de democrático.

Ainda há tempo para que a sociedade civil, o Judiciário e as vozes lúcidas deste país se levantem contra esse retrocesso. Que tenhamos a decência de lutar por elas. Porque não há lugar mais escuro no Brasil do que a infância roubada de nossas meninas.

*André Naves é Defensor Público Federal especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural, escritor e professor.

Saiba mais em www.andrenaves.com ou em suas redes sociais @andrenaves.def.

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