Artigo
Novos desafios na liderança e o ChatGPT
Autor: Mário Quirino*
Um dos maiores desafios hoje em uma empresa é construir um time de alta performance, reter este time e motivar esta equipe. Para isso, é importante a empresa ter um grande líder. No mundo onde a inteligência artificial vem ganhando força em escala global, é normal os ânimos ficarem um pouco estremecidos, pois estamos vendo bem em nossa frente o mercado de trabalho poder mudar radicalmente de direção.
O ChatGPT, um protótipo de um chatbot com inteligência artificial, vem com a promessa de mudar as nossas vidas. Em um teste, a tecnologia conseguiu passar no The Bar, uma espécie da nossa OAB no Brasil. A nova tecnologia consegue interagir como se fosse humana.
A inteligência artificial está pronta para substituir várias posições de trabalho nos próximos 10 anos, podendo fazer desaparecer milhões de empregos e isso irá exigir que nós, seres humanos, de uma certa forma foquemos nas relações humanas.
A pandemia fez com que uma grande parte dos trabalhadores fossem para casa, trabalhassem atrás de um computador, o famoso home office, e não demorou para descobrirmos que não fomos apenas levar o trabalho para casa e sim a nossa casa simplesmente virou o nosso trabalho.
Neste modelo, aumentamos a nossa hora de trabalho e é justamente neste lado do computador, do tablet ou do celular, que a inteligência artificial é mais produtiva e com um poder de trabalho 24 horas por dia.
Hoje, um atendimento feito pelo call center de um banco ou uma telefonia celular podem ser mais eficientes, mais rápidos e, inclusive, mais simpáticos que um atendimento humano.
Recentemente saiu um artigo em Harvard falando das habilidades do novo líder. Dentre elas, estão agir estrategicamente, promover inovação, inspirar engajamento, ser adaptável e, principalmente, aproveitar as redes de relacionamentos.
Se eu pudesse trazer uma mensagem importante para os novos líderes, seria a de que essa nova tecnologia GPT de Inteligência artificial é 570 vezes inferior às 100 trilhões de sinapses neurais que o seu cérebro é capaz de produzir.
Os softwares e programas atuais conseguem fazer coisas em uma capacidade de escala que é impossível dos humanos acompanharem, mas a nossa capacidade de interagir, ajudar, emocionar, sentir e amar nunca será alcançada pela inteligência artificial. E isso conseguimos fazer longe do computador.
É claro que a internet, a globalização e nosso estilo de vida foram totalmente modificados nos últimos 10 anos. A internet tem seus atributos sedutores, mas investir em relacionamentos, network, em pessoas, além de ser uma competência citada em artigo de Harvard, é uma coisa que só nós conseguimos fazer.
Cada vez mais, dois tipos de pessoas crescerão daqui em diante: os programadores de softwares e os entendedores de gente. Assim, confie em você.
*Mário Quirino é especialista em desenvolvimento humano e Diretor Executivo do BNI Brasil em Mato Grosso.
Artigos
Como evitar que os fracassos definam nossa identidade?
Autor: Luis Carlos Marques Fonseca* –
A pressão para sermos bem-sucedidos social e economicamente transformou erros e perdas em uma crise de identidade coletiva. Ao observarmos a sociedade atual, percebemos que a angústia de “não atingirmos determinados resultados que desejamos” nasce, em grande parte, da incapacidade de separar nossos resultados de quem essencialmente somos. Por que permitimos que um tropeço se transforme em uma sentença? A resposta, embora complexa, reside na forma como construímos nossa identidade, pois a chave para a liberdade não é a ausência de tropeços, mas a prática consciente da não identificação com as nossas conquistas e fracassos.
A sociedade contemporânea nos empurra para uma fusão perigosa entre o “fazer ou ter” e o “ser”. Se um projeto colapsa, a pessoa se sente inferior; se um papel social se desfaz, ela sente que perdeu a “razão de viver”. No entanto, precisamos resgatar a perspectiva do ator e do personagem. O seu “Eu Real” é o ator; as circunstâncias da vida — o emprego, os sucessos, as posses, as relações sociais, as crises — são apenas papéis no palco. O ator se entrega ao papel com intensidade e responsabilidade, mas ele nunca esquece que, ao fechar das cortinas, sua essência permanece intacta, independentemente de o personagem ter triunfado, fracassado ou perecido.
Para evitar que uma fissura se torne um trauma limitante, é preciso aprender a extrair a essência da experiência, e tornar-se mais consciente de si mesmo. Quando erramos, temos dois caminhos: carregar a dor do “erro” como um trauma que limitará futuras ações ou aprender com ele, tornando-se mais aptos a integrar conscientemente novas situações mais complexas de vida. O fracasso só define a identidade daquele que não é capaz de aprender com os próprios deslizes. Quando assumimos a responsabilidade pelos nossos erros, temos a possibilidade de correção, paramos de culpar a nós mesmo, aos demais ou ao destino e retomamos as rédeas do nosso caminho, de sermos cada vez mais conscientes.
Viver sem apego excessivo aos resultados não significa agir com indiferença, mas sim aproveitar com plenitude cada momento presente. O “Eu Artificial” adora habitar o passado, remoendo mágoas e falhas antigas para justificar o medo do futuro e a responsabilidade de ser o dono do próprio destino. Estar inteiro no agora, fazendo uso de toda experiência acumulada, é a única forma de impedir que a memória negativa e o apego às nossas conquistas e fracassos passados ditem nossos próximos passos.
As conquistas e fracassos, portanto, devem ser vistos como oportunidades de aprendizado. São experiências necessárias para o despertar das virtudes próprias de nossa verdadeira identidade: a Vontade, a Intuição e a Inteligência. Quando deixamos de rejeitar a queda e passamos a observar o que ela nos ensina, a identidade deixa de ser um castelo de cartas vulnerável ao vento das circunstâncias e se torna uma estrutura sólida, forjada na experiência e na sabedoria de quem se identifica com algo em si mesmo que está além de qualquer resultado passageiro.
Não somos o que nos acontece; somos seres conscientes que decidem o que fazer com aquilo que acontece. O palco pode mudar, mas o ator, se estiver consciente de si, jamais se perde na cena.
*Luis Carlos Marques Fonseca é diretor-presidente da Nova Acrópole Brasil Norte e autor do livro Filosofia: O caminho da liberdade (Hanoi Editora).
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