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Março Azul: prevenção ainda é o melhor remédio contra o câncer colorretal

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Autor: André Crepaldi*

O câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, é uma das doenças que mais preocupam a comunidade médica e a saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), essa neoplasia é a segunda mais comum entre mulheres e a terceira entre homens, atingindo mais de 45 mil brasileiros anualmente e figurando entre as principais causas de morte por câncer no país.

Diante desse cenário alarmante, o Março Azul surge como uma campanha essencial para conscientizar a população sobre os fatores de risco, os sintomas e, sobretudo, a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A boa notícia é que, quando detectado em estágios iniciais, o câncer colorretal tem altas taxas de cura, podendo ultrapassar 90% de sucesso no tratamento.

O risco de desenvolver o câncer de intestino aumenta significativamente a partir dos 45 anos, idade a partir da qual os especialistas recomendam a realização periódica de exames preventivos, como a colonoscopia. Além disso, indivíduos com histórico familiar da doença, portadores de doenças inflamatórias intestinais crônicas (como retocolite ulcerativa e doença de Crohn) e pessoas com estilo de vida inadequado – caracterizado por alimentação rica em carnes processadas, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool – também fazem parte do grupo de maior vulnerabilidade.

Os sintomas do câncer colorretal podem ser silenciosos nos estágios iniciais, o que reforça ainda mais a necessidade de exames de rastreamento. Entre os sinais de alerta estão: alterações no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre sem explicação); presença de sangue nas fezes; dores abdominais frequentes e sem causa aparente; sensação de evacuação incompleta;perda de peso inexplicável; e fraqueza e fadiga constantes.

Caso qualquer um desses sintomas se manifeste, é imprescindível buscar um médico para investigação. No entanto, reforço: não devemos esperar os sintomas aparecerem para agir. A prevenção é a chave!

O exame mais eficiente para diagnosticar precocemente e até mesmo prevenir o câncer colorretal é a colonoscopia, um procedimento que permite a detecção e a remoção de pólipos intestinais antes que eles evoluam para um tumor maligno.

A recomendação padrão é que todas as pessoas a partir dos 45 anos realizem esse exame regularmente. Para quem tem histórico familiar da doença, o rastreamento deve começar ainda mais cedo, conforme orientação médica. Outras ferramentas de diagnóstico são o exame de sangue oculto nas fezes e testes genéticos, que podem ser indicados em casos específicos.

Hábitos alimentares saudáveis desempenham um papel fundamental na prevenção do câncer de intestino. O consumo de fibras (encontradas em frutas, verduras, legumes e cereais integrais) auxilia no bom funcionamento intestinal, enquanto a ingestão exagerada de carnes processadas e ultraprocessados tem sido associada a um aumento no risco da doença.

Manter um peso saudável, praticar atividades físicas regularmente e evitar o consumo de álcool e tabaco são medidas essenciais para reduzir as chances de desenvolver não apenas o câncer colorretal, mas diversas outras doenças crônicas.

O Março Azul é mais do que uma campanha: é um alerta para que possamos cuidar melhor da nossa saúde. A informação salva vidas, e a prevenção é a nossa maior aliada na luta contra o câncer colorretal.

Se você tem 45 anos ou mais, converse com seu médico e agende seus exames preventivos. Se há casos da doença na família, redobre a atenção. O diagnóstico precoce pode significar a diferença entre a cura e um tratamento muito mais agressivo.

Que este mês sirva de incentivo para que cada vez mais pessoas adotem hábitos saudáveis e façam o rastreamento adequado. Afinal, cuidar da saúde é um ato de amor-próprio e de respeito pela vida.

*André Crepaldi é médico oncologista

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Quando a luz some: quem tem coragem de ficar?

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Autora: Soraya Medeiros*

Relações verdadeiras se revelam nos dias difíceis — não nos momentos de aplauso

Vivemos na era do espetáculo. Entre redes sociais e encontros cada vez mais superficiais, somos incentivados a mostrar apenas a melhor versão de nós mesmos: o sorriso ensaiado, as conquistas recentes, a força que parece não falhar. Há uma cobrança silenciosa por felicidade constante, como se viver fosse um palco — e nós, personagens de uma história sempre bem resolvida.

Sob essa luz, é fácil atrair aplausos. Sempre haverá plateia para quem brilha.

Mas a vida não se sustenta apenas nos momentos iluminados. Há dias nublados, silêncios difíceis e cansaços que não cabem em nenhuma postagem. É nesses momentos — longe dos holofotes — que as relações mostram o que realmente são. O verdadeiro teste de qualquer vínculo não acontece na celebração, mas na ausência dela.

Há pessoas que orbitam ao nosso redor enquanto tudo vai bem. São presenças agradáveis, mas condicionais. Compartilham alegrias, celebram conquistas, admiram a força. Porém, diante da primeira dificuldade, se afastam. Não com rupturas explícitas, mas com ausências discretas — como se a vulnerabilidade fosse incômoda demais para ser acolhida.

O psicólogo Carl Rogers, referência da psicologia humanista, defendia que relações genuínas se constroem a partir da aceitação incondicional — quando somos acolhidos não apenas pelo que temos de melhor, mas também pelas nossas fragilidades. Na mesma linha, a pesquisadora Brené Brown aponta que a vulnerabilidade não é fraqueza, mas uma expressão de coragem. É nela que nascem as conexões reais.

Amadurecer também é aprender a escolher quem permanece.

Escolher quem não se intimida com dias difíceis. Quem não exige versões editadas. Quem não transforma dor em incômodo. Valorizar quem fica, mesmo quando não há nada a oferecer além da própria presença.

A conexão verdadeira não nasce da perfeição, mas da inteireza. Ela existe quando alguém é capaz de enxergar valor não apenas na luz, mas também nas partes cansadas e humanas. Há dignidade no cansaço, na dúvida e na pausa — e só quem se importa de verdade reconhece isso.

Trocar quantidade por qualidade nas relações é um passo essencial para a saúde emocional. No fim, não são muitos que permanecem — são poucos. E são esses poucos que sustentam o vínculo quando tudo parece mais difícil.

São eles que permanecem quando a luz some.

*Soraya Medeiros é jornalista.

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