A QUESTÃO É POLÍTICA
Câmara de Vereadores trava orçamento de R$ 34 milhões e impede melhorias à população
Conhecida popularmente como a “Câmara do Atraso“, o legislativo de Lucas do Rio Verde, por questões políticas, resolveu travar o orçamento da Prefeitura impedindo que obras de melhorias como asfalto, saneamento básico e creches sejam executadas.
Nesta segunda-feira (21) manifestantes fizeram protesto durante sessão ordinária na Câmara de Vereadores cobrando explicações sobre o bloqueio de mais de R$ 34 milhões e foram recebidos com coação e ameaças.
“Estamos defendendo a Casa e vamos defender até dia 31 de dezembro. Hoje vocês estão aqui defendendo o prefeito e pode ser que dia 31 vocês sejam mandados embora“, ameaçou o presidente da Câmara, Dirceu Cosma (PV) na presença de vários servidores públicos.
A população, mesmo proibida de se manifestar na Câmara por força do regimento interno, protestou exibindo cartazes e um jornalista local que fez uso da palavra para cobrar providências foi retirado do plenário.
“Uma situação que tomou a seara política e está prejudicando nosso povo. Outros municípios por exemplo, como Sinop e Sorriso, já receberam e executaram os recursos do Governo Federal no combate à Covid 19, enquanto nós aqui vencemos o pico da pandemia sem poder mexer nesse dinheiro. Querem atingir o prefeito mas acabam esquecendo do cidadão luverdense“, disse o empresário e jornalista Joatãn de Souza.
A manifestação refere-se ao PL 45, de junho deste ano, que prevê o repasse de R$ 17 milhões da União para ser utilizado, parte em ações de saúde e assistência social (por conta da pandemia do novo coronavírus), e outra parte de uso livre do município.
“O Governo Federal vem trabalhando com a preocupação de que a economia pare e por isso enviou esse socorro emergencial aos municípios. Aqui em Lucas a Câmara de Vereadores está na contramão, está trabalhando pra fazer parar“, afirmou o diretor de Desenvolvimento Humano do município, Gilson Pelicioli.
Em virtude dos efeitos da pandemia o Governo Federal promoveu uma série de ações de combate e enfrentamento ao vírus, dentre elas, o repasse de R$ 9,25 bilhões aos estados e R$ 5,748 bilhões aos municípios como forma de compensação pela perda de arrecadação.
“Os vereadores deveriam ser os primeiros a saber que em tempos de pandemia a economia retraiu, a arrecadação diminuiu, o poder de compra das famílias reduziu, e para evitar que o caos de instale, o Poder Executivo tem a obrigação de garantir os pagamentos e a prestação de serviço à população“, argumentou Pelicioli.
Para Gleidson Barbosa morador da cidade a situação é absurda.
“Isso é uma vergonha! Estamos aqui exigindo que os vereadores tomem providências e liberem um dinheiro que é nosso, é do povo! Estão aqui e foram eleitos justamente para defender os interesses do cidadão, deveriam ter vergonha do que estão fazendo com a gente!“, disse.
R$ 34 milhões
Além do PL 45, que prevê a liberação de R$ 17 milhões, outras previsões orçamentárias que dizem respeito à lama asfáltica (PL 63), saneamento básico (PL 60), construção das creches (bairros Jaime Seiti Fujii e Parque das Emas) também estão travados na Câmara de Vereadores (PL 58 e 59).

Para o vereador Marcos Paulista (PTB) os parlamentares precisam se posicionar.
“Há meses venho pedindo pra pautar os projetos, discutir e votar. Quando o projeto não é nem pautado pra discussão, tira o direito da sociedade de acompanhar. Se é contra é simples: é só votar contra. Mas, vote!“, declarou.
Os projetos nem chegaram a ser pautados na sessão de ontem, e seguem travados desde junho.
Política
MDB se posiciona como o pivô das articulações estratégicas na disputa pelo Governo de Mato Grosso
A movimentação nos bastidores políticos do Estado de Mato Grosso atingiu um novo patamar de intensidade nas últimas horas, impulsionada por intensas negociações de bastidores. O cenário eleitoral recente aponta para uma articulação avançada que visa consolidar uma robusta aliança partidária entre diferentes frentes. O foco central dessas tratativas é a estruturação definitiva das composições majoritárias que disputarão o comando do Poder Executivo Estadual nas próximas eleições, redesenhando o mapa de forças locais.
Esta complexa engenharia política está se desenvolvendo diretamente nos principais eixos de articulação partidária do Estado de Mato Grosso, englobando diretórios e escritórios estratégicos. A relevância geográfica do Estado, um dos motores econômicos do país, amplifica o impacto dessas decisões. As reuniões e acordos concentram-se na capital e irradiam influência para os colégios eleitorais mais importantes do interior mato-grossense, onde as bases partidárias acompanham atentamente os desdobramentos.
O processo de aproximação e fechamento de acordos ganhou força significativa nas últimas horas, um período considerado crucial devido à proximidade das Convenções Partidárias oficiais. O fator tempo atua como um catalisador para as lideranças políticas, que buscam definir suas posições e garantir vantagens competitivas antes do encerramento dos prazos legais. A urgência cronológica exige decisões rápidas e certeiras por parte dos articuladores, que trabalham contra o relógio.
Os protagonistas dessa movimentação são as lideranças e os integrantes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Republicanos, que buscam uma composição sólida para as próximas disputas. Além dessas duas siglas, o União Brasil (UB), uma ala expressiva do Partido Liberal (PL) participam ativamente como defensores dessa ampla aliança. No centro da dinâmica institucional destaca-se também a deputada estadual Janaina Riva, atual presidente do diretório do MDB em Mato Grosso.
A principal motivação por trás dessa intensa articulação é a busca por maior viabilidade eleitoral e o fortalecimento de uma chapa majoritária que demonstre robustez e capilaridade política. O objetivo imediato das legendas envolvidas é garantir uma estrutura partidária pesada e com tempo de propaganda necessário para assegurar o êxito nas urnas.
Para o MDB, especificamente, o movimento representa a oportunidade de consolidar sua relevância histórica e ditar os rumos da sucessão estadual.
O arranjo político em desenvolvimento prevê que a chapa majoritária resultante dessa união seja oficialmente encabeçada pelo atual governador do estado, Otaviano Pivetta. A proposta central consiste em integrar formalmente o MDB e o Republicanos na estrutura de apoio direto à liderança do atual chefe do Executivo. A estratégia visa apresentar ao eleitorado uma frente ampla e de continuidade administrativa, unindo forças tradicionais e novas correntes do cenário político.
A viabilização desse acordo ocorre por meio de reuniões estratégicas, diálogos reservados e avaliações criteriosas de cenários por parte de um grupo de emedebistas entusiasmados com o projeto. Estes membros do partido têm endossado publicamente a aliança, atuando como pontes entre as diferentes siglas. O método adotado envolve a superação de arestas internas e a construção de consensos programáticos que possam justificar a coligação perante os filiados e os eleitores.
A necessidade de uma articulação tão profunda decorre do fato de que as três principais legendas aliadas, União Brasil, Republicanos e a ala dissidente do Partido Liberal (PL), ainda não fecharam suas chapas definitivas para a disputa ao Senado Federal.
Até o presente momento, o bloco conta com apenas um pré-candidato consolidado para a vaga senatorial. Essa lacuna na chapa majoritária cria a necessidade de preenchimento estratégico, transformando o espaço vago em uma valiosa moeda de troca nas negociações.
Um dos principais fatores de complexidade nesse processo reside na postura da deputada estadual Janaina Riva, que atualmente não nutre uma relação estreita com o governador Otaviano Pivetta. Apesar do distanciamento pessoal e político entre a presidente da sigla e o chefe do Executivo, o clamor interno do partido tem pesado a favor da coligação.
A parlamentar emedebista avalia minuciosamente o cenário para identificar qual caminho oferecerá a maior viabilidade para sua própria projeção e futura disputa ao Senado.
Como consequência direta dessas variáveis, o MDB converteu-se oficialmente na chamada “noiva da vez” do mercado político mato-grossense às vésperas das Convenções Partidárias. O posicionamento estratégico do partido confere a ele o “PODER” de definir os rumos das alianças majoritárias e o peso do apoio governamental.
O desfecho dessa aproximação consolidará o desenho das forças que disputarão o voto do eleitorado, estabelecendo as bases para o próximo ciclo político do Estado de Mato Grosso.
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