CORONAVAC PODE PROTEGER POPULAÇÃO
Butantan aposta na plataforma da CoronaVac contra nova variante Ômicron
Variante Ômicron tem mutações na proteína que é usada como alvo em boa parte dos imunizantes disponíveis hoje no mercado. Mas vacinação continua sendo fundamental para prevenir casos graves da Covid-19. Uma nova versão do Coronavírus foi encontrada e os cientistas a consideram de “grande preocupação“.
Diante do elevado número de mutações dessa nova variante, surge uma questão urgente: as vacinas ainda serão eficazes contra ela?
Existem milhares de diferentes tipos, ou variantes de Covid circulando em todo o mundo. Isso é esperado porque os vírus sofrem mutações o tempo todo. Mas esta nova variante, chamada B.1.1.529 ou Ômicron, tem deixado os especialistas particularmente preocupados porque é muito diferente da Covid original, que foi usada como base para o desenvolvimento das atuais vacinas disponíveis.

A expectativa do Instituto Butantan é que a CoronaVac mostre boa eficácia para proteger as pessoas contra a variante Ômicron. Isso se deve à plataforma usada pelo imunizante, de vírus inativado. A diferença da Ômicron para outras cepas já conhecidas é justamente a proteína S, usado para fazer as vacinas da RNA, como Pfizer e Moderna.
“Eu diria que a eficácia da Coronavac é a que tem menos chance de ser burlada”, avaliou a vice-diretora do Butantan, Maria Carolina Sabbaga, em recente entrevista ao Estadão. Serão feitos estudos para confirmar essa hipótese.
Vacinas de vírus inativado são desenvolvidas com base na composição completa do vírus, não apenas na proteína S. Anderson F. Brito, virologista e pesquisador científico do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), explica que a Ômicron tem um padrão de mutações que afeta principalmente a proteína Spike, ou proteína S. Esse é o mecanismo usado pelo vírus para entrar nas nossas células.
“As mudanças na Spike afetam principalmente uma região específica da proteína usada para interagir com os nossos receptores celulares. É como se a chave que o vírus usa para entrar nas células tivesse mudado de forma drástica”, afirma.
Pfizer, AstraZeneca e Janssen, todas usadas no Brasil, além da Moderna, já estudam a eficácia da versão atual das vacinas, além de já terem começado a produzir uma nova possibilidade, dedicada à prevenção da Ômicron.
O Instituto Butantan, por sua vez, ainda não iniciou os estudos para verificar a eficácia do imunizante contra a Ômicron. Na China, a Sinovac anunciou que já começou o processo para averiguar se há, ou não, necessidade de desenvolver uma nova vacina. Mas, caso seja confirmado que é preciso fazer uma nova versão da CoronaVac, a Sinovac acredita que o processo seria rápido.
Ainda sobre a Ômicron, Maria Carolina Sabbaga acredita ser cedo para avaliar os efeitos da nova variante. Ela lembrou do caso da Delta, que afetou diversos países, mas não o Brasil intensamente.
“Não é porque é forte na África que vai ser forte aqui. As variantes mudam muito geograficamente”, disse.
Geral
“O xadrez ensina o aluno a lidar com pressão, frustrações e desafios”
O xadrez tem contribuído para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais dos estudantes da Escola Estadual de Tempo Integral Clênia Rosalina, em Cuiabá. Concentração, raciocínio lógico, disciplina e tomada de decisões estão entre as competências estimuladas pela modalidade, que integra a proposta pedagógica das escolas de tempo integral vocacionadas ao esporte da rede estadual.
O trabalho é conduzido desde 2021 pelo professor de Educação Física, João Paulo da Silva Louzada. Na avaliação dele, o esporte cumpre um papel importante na escola ao ajudar os estudantes a desenvolver disciplina, convivência e responsabilidade, principalmente quando é trabalhado de forma contínua no dia a dia da unidade.
“O esporte vai além da prática física e da competição. Na escola, ele é uma ferramenta de formação humana, social e educacional. Por meio das atividades esportivas, os estudantes desenvolvem competências importantes para a convivência, como respeito às regras, cooperação, liderança, disciplina, criatividade e responsabilidade”, afirma o professor.
No caso do xadrez, segundo João Paulo, os efeitos aparecem tanto dentro quanto fora do tabuleiro. A cada partida, o estudante aprende a observar melhor, a controlar impulsos, a lidar com erros e a avaliar as consequências antes de agir.
“O xadrez ensina o aluno a lidar com pressão, frustrações e desafios de forma mais equilibrada. Ele ajuda o estudante a pensar antes de agir, pois, em uma partida, podem ocorrer situações inesperadas. O aluno precisa avaliar o cenário, tomar decisões e assumir o resultado de cada escolha”, explica.
Entre os exemplos citados pelo professor está a estudante Ana Clara da Silva Pinho, do 1º ano do Ensino Médio. A jovem enxadrista se tornou referência na escola pelo desempenho em campeonatos escolares e estaduais.

Nos últimos anos, ela acumulou títulos como campeã estadual do JORE 2025, campeã regional do JORE 2025, campeã do Festival Escolar de Xadrez (FEX) Torneio Verão 2026, campeã sub-14 feminino do Festival Escolar de Xadrez 2024 e campeã do IFMT Blitz 2024, também na categoria sub-14 feminino.
Ana Clara ainda foi vice-campeã dos Jogos Estudantis de 2025, em Cuiabá.
Para João Paulo, os resultados alcançados pela estudante nas competições estaduais refletem um trabalho desenvolvido na escola, com incentivo, treino e acompanhamento contínuos.
“O desempenho da Ana Clara é resultado de um processo que começou aqui. Mas percebo mudanças não apenas nela. Os demais alunos que praticam xadrez também demonstram maior concentração, mais segurança ao lidar com desafios e mais cuidado ao tomar decisões. Para mim, é uma modalidade muito eficiente nesse desenvolvimento”, destaca.
O trabalho desenvolvido na escola também tem contribuído para ampliar o cenário enxadrístico no âmbito escolar de Mato Grosso. Além das aulas e dos treinamentos, os professores João Paulo e Glaydson Magno Andrade da Costa atuam na organização do Festival Escolar de Xadrez (FEX), realizado desde 2024 com o apoio da Federação Mato-grossense de Xadrez.
Sediado na própria unidade escolar, o festival vem crescendo a cada edição e reunindo estudantes, atletas e admiradores da modalidade de diferentes regiões do estado. Em 2026, o FEX recebeu mais de 80 inscrições, consolidando-se como uma competição estudantil importante para a valorização do xadrez no ambiente escolar.
De acordo com a Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc-MT), a experiência da unidade está inserida na política de expansão das escolas de tempo integral da rede estadual.
Mato Grosso possui atualmente 594 escolas estaduais, das quais 96 funcionam em tempo integral, o que corresponde a 16,16% da rede. Desse total, 14 unidades são destinadas ao esporte. As escolas de tempo integral estão presentes em 53 municípios.
A rede estadual atende 324.406 estudantes, dos quais 19.650 em tempo integral, o que corresponde a 6,6% das matrículas. Nessas unidades, as práticas esportivas fazem parte da rotina dos alunos e contribuem para uma formação mais ampla, com reflexos na aprendizagem, na convivência e no desenvolvimento emocional.
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