Search
Close this search box.

COMBATER OS INCÊNDIOS FLORESTAIS

Uso do fogo no Cerrado e na Amazônia está proibido até 30 de novembro

Publicados

em

Enquanto o desmatamento reduziu na Amazônia entre 2023 e 2024, as queimadas aumentaram. Já no bioma do Cerrado, que possui uma lei mais permissiva, ambas as situações pioraram. Especialistas há tempos alertam para a “migração” dos crimes ambientais em meio ao recrudescimento na fiscalização de determinados locais, mas o fato é que ambos biomas enfrentam grandes desafios. Especialistas atestam que reduzir o fogo no Cerrado é um imperativo para a manutenção da vida do bioma e dos benefícios por ele propiciados.

O Cerrado é o bioma mais queimado do Brasil nos últimos 40 anos. Vale diferenciar a relação do Cerrado com o fogo natural e os incêndios provocados por ação humana. O fogo natural é causado por raios na estação chuvosa, assim, a chance de se espalhar e queimar uma área grande é menor. Já os incêndios causados por ignição humana têm potencial destrutivo, pois são ateados na estação seca, ocorrendo em maior frequência e abrangendo grandes extensões do bioma.

Mas como parar esse fogo que pode ser destrutivo para o bioma? Especialistas indicam 3 caminhos principais para uma mudança de relação com o Cerrado.

Proteção

A vegetação nativa do Cerrado ocupa 79% da área queimada no bioma de janeiro a agosto de 2024. Foram 3,2 milhões de hectares queimados, um aumento de 85% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo a maior parte (41,7%) em savanas. Proteger os remanescentes de vegetação nativa do Cerrado, portanto, é um dos caminhos para reduzir o fogo no bioma.

Manejo

O fogo em áreas agropecuárias representa 21% de tudo o que queimou no Cerrado de janeiro a agosto de 2024. Foram 873.053 hectares queimados, um aumento de 102% em relação ao período de 2023.

Leia Também:  "Sou contra! Infelizmente colocaram o fundo para ser votado junto com o orçamento"

A atividade agropecuária costuma aplicar o uso do fogo para o manejo do solo, visando o preparo do terreno para o plantio, por exemplo. Inserir as técnicas do Manejo Integrado do Fogo (MIF)) no calendário é um dos passos que pode orientar a redução do uso da ferramenta, com aprimoramento de técnicas para prevenção de incêndios e aprendizado para um manejo adaptado ao cenário de clima extremo.

Entre as medidas para preparo ou reforma de áreas, sem envolver o uso do fogo, seja para agricultura ou pastagem, exemplos são encontrados no sistema de plantio direto, no corte e na trituração da capoeira, na alternância de culturas, nos sistemas agroflorestais e na integração lavoura-pecuária-floresta.

Incentivos

O fogo em áreas de vegetação nativa costuma ser a última etapa do processo de desmatamento, por isso, é chamado de “fogo de desmatamento”. Oferecer incentivos para evitar o desmate pode contribuir para reduzir também a área queimada no Cerrado. Iniciativa já existente na legislação brasileira, e ainda pendente de regulamentação, é a Lei de Pagamentos por Serviços Ambientais. Uma vez em funcionamento, permitirá o reconhecimento financeiro de produtores rurais, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais por suas contribuições à conservação da natureza.

Até 30 de novembro o uso do fogo no Cerrado e na Amazônia está proibido em MT

Entrou em vigor nesta terça-feira (1º), o período proibitivo do uso do fogo nos biomas Amazônia e Cerrado. A medida, que se estende até o dia 30 de novembro, tem como objetivo prevenir e combater incêndios florestais no período de estiagem.

Leia Também:  Economia do Estado é infectada pelo vírus “Covid-19” que perde cerca de R$ 2 bi em menos de 30 dias de quarentena

Com a chegada da seca, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) intensifica as ações de monitoramento, fiscalização e prevenção, coordenadas pelo Batalhão de Emergências Ambientais (BEA).

De acordo com o comandante da unidade, tenente-coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, os primeiros sinais do trabalho integrado já demonstram resultados positivos.

Até o momento, não houve registro de incêndios florestais de grande proporção nos biomas Cerrado e Amazônia, o que reforça a eficácia das ações de prevenção e conscientização promovidas, destaca o comandante.

Durante o período proibitivo, está suspensa a emissão de autorizações para o uso do fogo em atividades agropecuárias, ainda que controladas. A medida está respaldada por legislações federal e estadual, que vedam o emprego do fogo para limpeza de áreas, manejo de pastagens ou outros fins. O descumprimento pode resultar em multas, além de responsabilização civil e criminal.

É importante destacar a diferença entre queima controlada e incêndio florestal. A primeira é o uso planejado e tecnicamente controlado do fogo, que até o dia (30.6) podia ser autorizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema). Já o segundo é caracterizado pela propagação descontrolada das chamas sobre a vegetação, exigindo resposta especializada para seu combate. No perímetro urbano, o uso do fogo é proibido durante todo o ano, independentemente da estação.

O CBMMT reforça que a colaboração da população é essencial para o sucesso das ações preventivas. Qualquer foco de incêndio ou situação suspeita pode ser denunciado por meio dos canais de emergência pelo Número 193. A atuação rápida é fundamental para conter a propagação das chamas, reduzir danos ambientais e proteger a saúde e a segurança da sociedade.

Propaganda

Destaques

Como a retirada do sigilo do caso “Dark Horse” reorganiza o xadrez da sucessão presidencial brasileira

Publicados

em

A exatos vinte e um dias da realização do primeiro turno das eleições presidenciais, a divulgação de relatórios da Polícia Federal referentes às investigações do caso “Dark Horse” colocou os comitês de campanha e o meio político em estado de alerta máximo. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retirar o segredo de justiça de trechos das apurações provocou um forte abalo nos gabinetes de Brasília. Monitores de pesquisas eleitorais, estrategistas e analistas dedicam-se agora a dimensionar como a sucessão de episódios escandalosos influenciará a decisão final dos eleitores diante das urnas.

O levantamento do sigilo ocorreu no ápice de um período de intensa fricção institucional ocorrida no interior do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). O debate público travado entre integrantes da Corte expôs discordâncias profundas sobre a condução das investigações, arrastando o tribunal para a iminência de uma grave crise de governabilidade. Esse clima de alta voltagem jurídica acelerou o movimento de abertura das apurações vinculadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, transformando os desdobramentos judiciais no tema central do debate político nacional.

No centro desse cenário conturbado, a dimensão ético-moral passou a se sobrepor aos ritos estritamente policiais e jurídicos no debate público. A publicização de provas e depoimentos causou apreensão generalizada nos meios políticos, ao atingir a imagem de nomes de destaque da República. A controvérsia sobre condutas pessoais e arranjos institucionais impôs um novo enquadramento à corrida eleitoral, convertendo a reputação moral dos envolvidos em um fator decisivo de desgaste político e de reorganização das preferências do eleitorado.

No Congresso Nacional, a reação das lideranças partidárias reflete a gravidade do momento político. Parlamentos e caciques de bancadas expressivas, a exemplo do senador Ciro Nogueira (PP), encontram-se no centro das investigações conduzidas pelas autoridades policiais. Os relatórios apontam a existência de um dos esquemas de corrupção mais articulados da história recente do país, gerando nos bastidores do Poder Legislativo a apreensão direta quanto à possibilidade de deflagração de medidas cautelares ou decretos de prisão antes da votação de 4 de outubro.

Leia Também:  Em Mato Grosso, 7 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão

A despeito da gravidade dos fatos revelados pelas investigações, as agendas públicas das campanhas mantêm um ritmo de aparente normalidade. Nos programas eleitorais de televisão e no rádio, os postulantes aos cargos executivos sustentam discursos focados em austeridade fiscal, responsabilidade na gestão e combate à corrupção. Essa discrepância entre os fatos expostos pelo Poder Judiciário e o tom das peças publicitárias de campanha explicita o esforço dos comitês eleitorais para blindar a imagem dos candidatos diante da opinião pública.

Entre os concorrentes ao Palácio do Planalto, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) figura como a única liderança da disputa formalmente investigada no âmbito desse inquérito. As autoridades policiais reuniram interceptações telefônicas, áudios e registros de encontros presenciais com o investigado. A investigação apura as explicações prestadas sobre o repasse de mais de R$ 60 milhões efetuados pelo empresário para o custeio de uma obra cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Mesmo figurando no polo passivo da apuração judicial, o candidato do PL mantém intensa agenda de comícios e discursos críticos aos seus opositores. Em seus pronunciamentos públicos, o senador adota uma postura ofensiva, direcionando acusações de corrupção aos adversários de campanha. Essa estratégia busca manter a mobilização da sua base de apoio, ao mesmo tempo em que a apuração sobre os aportes financeiros do filme Dark Horse ganha centralidade nos debates eleitorais promovidos pelos meios de comunicação.

Leia Também:  Polícia Federal deflagra "Operação Lesa Pátria"

Surpreendendo parte dos analistas políticos, as apurações judiciais ainda não provocaram queda do candidato nas intencionalidades de voto registradas pelas pesquisas de opinião pública. Os levantamentos mais recentes indicam uma trajetória de crescimento numérico do senador nas intenções de voto, desenhando um cenário de competitividade acirrada com chances reais de vitória em um eventual segundo turno. O fenômeno demonstra a alta polarização do eleitorado e a complexidade de mensurar o impacto imediato de escândalos no comportamento das urnas.

Paralelamente, o ambiente de tensão no Supremo Tribunal Federal ampliou-se com o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes em controvérsias associadas à condução de procedimentos correlatos ao processo. A reverberação do caso no meio político levou os articuladores de campanha a associar indiretamente o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao debate sobre a lisura das instituições. A oposição utiliza a instabilidade nos tribunais para levantar questionamentos e desgastar a imagem do governo federal perante a opinião pública.

Embora os relatórios da Polícia Federal não apresentem qualquer elemento de prova que vincule o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos negócios do ex-banqueiro, a exploração política do episódio transformou-se em uma tática central da oposição. O enquadramento dos fatos nas redes sociais e nas peças de campanha tem garantido ganhos narrativos ao candidato do PL, que reverteu perdas pontuais e estabilizou seu desempenho na reta final da disputa pela Presidência da República.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA