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APOIO DA DEFENSORIA PÚBLICA

Catadores de recicláveis terão acesso a Audiência Pública sobre aterro sanitário

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Mais de 70 catadores de materiais recicláveis, que trabalham no lixão de Várzea Grande, assistirão, do auditório da sede administrativa da Defensoria Pública de Mato Grosso, a audiência pública virtual, na qual a empresa Welfare Ambiental apresentará o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima) para a implantação do aterro sanitário em Várzea Grande.

O evento está marcado para a terça-feira (26), das 9h às 11h, no prédio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Apreensivos com a possibilidade de perda de seus empregos, os mais de 200 catadores do local, pediram auxílio da defensora pública que atua em Várzea Grande e integra o Grupo de Atuação Estratégica (Gaedic/Catadores), Cleide Nascimento, para participarem do evento, fazer perguntas e buscar respostas sobre o seu futuro profissional.

Nossa expectativa na audiência é de apresentar o pedido para que sejamos contratados pelo município de Várzea Grande, para que possamos ser incluídos nesse processo, conforme determina a lei. Somos associação e se o município e o prefeito quiserem, podem nos contratar, para fazer o trabalho de educação ambiental e coleta seletiva na cidade. Com o fechamento do lixão, sem a nossa inclusão, perderemos o emprego“, apela a presidente da Associação Mato Grosso Sustentável (Asmat), Maria Aparecida do Nascimento, a Cidinha Catadora.

Outra das intenções dos catadores em acompanhar a audiência pública é a de conhecer o que será feito no local e como será feito.

Queremos saber como estamos incluídos nesse processo. Ninguém nos explica nada, a única coisa que sabemos é que o local de nosso ganha-pão pode ser fechado a qualquer momento, por não respeitar a lei. Porém, onde vou trabalhar?“, pergunta a catadora Daniela de Deus Coelho, há três anos no Lixão.

Daniela conta que passou a trabalhar no Lixão depois que o filho, adolescente, foi obrigado a deixar o local.

Meu filho me ajudava, catando material lá. Porém, é menor, teve que parar de trabalhar e eu fui. Antes, eu fazia faxina nas casas, mas na faxina se eu tirava R$ 80 por semana, era muito. Não era todo dia que eu conseguia casa pra limpar. No lixão, eu consigo R$ 400 por semana. Pra mim, que tenho filho pra criar, é fonte de sustento, explica.

A coordenadora do Gaedic/Catadores, Carolina Weitkiewic, avalia que a situação dos catadores de Várzea Grande, como em qualquer encerramento de lixão, é muito preocupante.

As informações que temos ainda não são sólidas sobre como eles poderão continuar na atividade. Sei que existem propostas para ajudá-los, porém, todas insuficientes e assistenciais. Os catadores estão preocupados, e nós por consequência, também. Existe um grande risco de perda financeira para eles, a situação é periclitante e estamos acompanhando de perto“, disse.

A defensora Cleide está em viagem à Sinop, onde busca conhecer o processo de encerramento do lixão lá, para saber como foi feita a transição, pois o modelo adotado naquele município será o mesmo usado em Várzea Grande.

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As informações sobre a audiência pública podem ser acessadas neste link: aqui.

E o projeto do Aterro Sanitário – Unidade de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Várzea Grande, pode ser lido aqui.

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Destaques

Impasse orçamentário em Várzea Grande retarda repasse estratégico ao setor de Saneamento

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Um montante expressivo de R$ 16 milhões, destinado a socorrer a infraestrutura hídrica de Várzea Grande, permanece bloqueado devido ao travamento legislativo do Projeto de Lei Executivo na Câmara Municipal. A proposta busca mitigar os severos impactos desdobrados na prestação dos serviços essenciais de saneamento e garantir o abastecimento de água regular às residências da segunda maior cidade de Mato Grosso, enfrentando entraves formais antes mesmo de ser submetida à deliberação plenária dos parlamentares.

O entrave burocrático atinge em cheio os moradores de Várzea Grande, comunidade vulnerável que lida rotineiramente com o desabastecimento, a irregularidade no fornecimento de água potável e a precariedade na manutenção da rede sanitária local. A crise estrutural afeta diretamente milhares de famílias no município, as quais sofrem as consequências imediatas da falta do recurso essencial em suas rotinas diárias, enquanto o orçamento corretivo aguarda chancela no parlamento municipal.

O mecanismo financeiro prevê o repasse fracionado de R$ 2 milhões mensais até atingir o teto de R$ 16 milhões, integralmente voltados para custear despesas operacionais emergenciais e debelar o gargalo estrutural da autarquia hídrica. Diante do quadro, a liderança governista busca assegurar o repasse urgente para evitar a colapso do sistema, destacando que os fundos serão remanejados da pasta de Viação e Obras para cobrir dívidas urgentes e mitigar o sucateamento dos equipamentos de captação e distribuição.

O epicentro do impasse ocorre na Câmara Municipal de Várzea Grande, onde o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), indeferiu o pedido do líder do governo para incluir a matéria na pauta de votação ordinária nesta semana. A decisão da presidência manteve o projeto fora da ordem do dia, sob o argumento formal de que o texto demanda maior tempo de análise das comissões técnicas, frustrando as articulações da bancada governista para acelerar a tramitação da verba emergencial.

A recusa na inclusão da matéria na pauta plenária deu-se oficialmente no decorrer da sessão deliberativa realizada na última terça-feira, ocasião em que os parlamentares debatiam as urgências do município. A protelação arrasta-se desde 28 de abril, momento em que o Poder Executivo protocolou formalmente a minuta no parlamento local, acumulando meses de paralisação e empacando o cronograma de contingenciamento planejado pela gestão da Prefeita da Cidade Industrial, Flávia Moretti (PL).

A justificativa apresentada pela presidência da Casa de Leis, Wanderley Cerqueira (MDB), respalda-se no dever de cautela e fiscalização sobre a real viabilidade e destinação de recursos públicos expressivos oriundos dos cofres municipais. Os vereadores contrários ao regime de urgência alegam a necessidade estrita de avaliar profundamente o plano de sustentabilidade econômica do órgão recebedor, bem como auditar as razões pelas quais dotações da Secretaria de Obras seriam remanejadas para cobrir gastos operacionais.

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A premente subvenção financeira justifica-se no déficit crônico do Departamento de Água e Esgoto (DAE), entidade que encerrou os exercícios operacionais recentes com saldos severamente negativos no balanço orçamentário. O acumulado deficitário da autarquia ultrapassou R$ 13,32 milhões no ano anterior e somou mais R$ 4,16 milhões nos primeiros meses do ano corrente, impondo barreira financeira intransponível que impossibilita a continuidade regular das intervenções urbanas sem aporte suplementar da Prefeitura de Várzea Grande.

A implementação da transferência monetária exige a aprovação do Projeto de Lei no plenário, a subsequente sanção executiva e o estabelecimento de uma rígida prestação de contas periódica ao Legislativo. O texto estipula que a autarquia hídrica elabore imediatamente um plano de sustentabilidade econômico-financeira para justificar a alocação dos R$ 10 milhões originários do Projeto Pantanal e R$ 6 milhões previstos para ampliação do sistema, assegurando transparência no emprego das verbas.

O prosseguimento do projeto depende rigorosamente do seu reagendamento nas pautas subsequentes das sessões ordinárias, nas quais os vereadores deverão examinar as emendas, o parecer das comissões e o mérito da transferência orçamentária. Até que ocorra o consenso político necessário para a votação definitiva, o Município permanece legalmente impedido de efetuar qualquer aporte de capital no DAE, condicionando o futuro do saneamento básico local ao desfecho das negociações legislativas.

Em última análise, a paralisia do trâmite legislativo reflete a tensão entre a urgência social da população desprovida de saneamento e os ritos de fiscalização exigidos na governança do dinheiro público. Enquanto a Câmara Municipal posterga a decisão em nome do rigor analítico, as torneiras do município permanecem sujeitas à intermitência, reforçando a cobrança popular para que o poder público supere os entraves regimentais e garanta o abastecimento e a dignidade hídrica à cidade.

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