CASO RACHADINHA PETISTA NA CÂMARA DE CUIABÁ
Ex-chefe de gabinete acusa marido de Edna de chefiar esquema de VI
“Lá no gabinete a todo tempo eles falavam que era uma verba do gabinete, em nenhum momento foi explicado para mim que isso era para custear despesas da chefe de gabinete. Com a minha falta de experiência eu acreditei, porque fui orientada dessa forma”.
Disse a servidora pública Laura Natasha Oliveira, ex-chefe de gabinete da vereadora Edna Luzia Almeida Sampaio (PT), que depôs na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Cuiabá, e que atuou por cerca de 5 meses no gabinete da parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT).
A situação política de Edna Sampaio ficou cada vez mais complicada, e as declarações Laura Natasha Oliveira, complicou de vez a situação da parlamentar ao confirmar em depoimento na Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá que o responsável por gerir o recurso da Verba Indenizatória (VI), da função, e que comandava todo o sistema financeiro era o esposo da petista, Willian Sampaio, que não possui vínculo com o Legislativo Municipal.

Laura Natasha Oliveira revelou que foi mandada embora pela vereadora Edna Sampaio por conta da sua gravidez, e que ela naquela condição atrapalharia o seu mandato da vereadora e por isso estaria sendo desligada.
Ferrenha combatente contra o machismo e críticas ao esquema de “rachadinha” da família do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PL), a parlamentar do Partido dos Trabalhadores (PT), está sendo acusada pela mesma pratica na Câmara Municipal de Cuiabá. As declarações têm impacto jurídico e moralmente no mandado da petista.
Na Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá, a ex-chefe de gabinete da vereadora Edna Sampaio (PT), Laura Natasha Oliveira respondeu todas as perguntas, sem precisar que sua advogada interrompesse ou a orientasse, e disse ainda que era inexperiente no cargo, e que fazia mensalmente o repasse da Verba Indenizatória (VI) de R$ 5 mil mensal para a conta da vereadora porque foi orientada a seguir o procedimento, informou também que era responsável pelo relatório da prestação de contas, mas que o modelo já era padronizado, apenas para inserir as informações.
Durante o depoimento, na Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá, a ex-chefe de gabinete da vereadora Edna Sampaio (PT), Laura Natasha Oliveira, disse que quando soube de sua gestação passou muito mal nos primeiros meses devido aos enjoos de gravidez, e estava indo trabalhar “obrigada” e ao sentar para conversar com a vereadora e se desculpar pelo desempenho baixo no gabinete, foi informada de sua exoneração.
A ex-chefe de gabinete disse que tentou conversar com a vereadora sobre o assunto, mas que não conseguiria sustentar mais uma criança com o salário de pouco mais de R$ 1 mil reais, e acabou ouvindo como resposta da parlamentar petista que isso não era problema dela e que a gravidez custaria seu mandado que ainda tinha dois anos pela frente, e que seu emprego era temporário e que “a minha situação financeira não era um problema dela”.
Outro questionamento foi sobre a demissão que poderia ter ocorrido por alguma outra situação, que havia feito à parlamentar. Ela acredita que não, mas que chegou a questionar o fato dela não ter direito ao vale alimentação que os demais servidores recebiam no valor de R$ 300.
“Eu fui no Recursos Humanos e questionei e eles me disseram que eu já recebia a VI. Então fui na vereadora e perguntei sobre o vale alimentação e vale transporte, já que eu pagava do meu bolso. E ela [Edna] me disse que seria porque eu recebia um salário alto”.
A cobrança partia de Willian Sampaio
Ele me perguntava: “Já caiu a VI do gabinete? ”’. A conta era em nome da Edna, e eu nunca tive acesso a conta da Edna, nem ao cartão, nem movimentação, nem prestação de contas. Eu não podia movimentar esse dinheiro. Eu só transferia”, completou.
Declarações contradizem petista
Rodrigo de Sá Arruda (Cidadania), presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Cuiabá, classificou como satisfatório os dois primeiros depoimentos da investigação envolvendo a vereadora Edna Sampaio.
Para ele, a ex-chefe de gabinete da vereadora Edna Sampaio (PT), Laura Natasha Oliveira, explicou bem detalhadamente como eram as transferências e como foi exonerada.
“O depoimento conflita com o que Edna disse sobre a demissão, repasses e prestação de contas, e que são detalhes que vamos apurar ainda”, disse.
O presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Cuiabá, apontou um outro detalhe sobre o caso da VI, que vê conflito em relação ao esposo da vereadora, Willian Sampaio, administrar o recurso.
“Ele se apresentava como contador da prestação de contas, mas a transferência era para a conta pessoal dela”, disse.
Kássio Coelho (Patriota), relator na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, evitou comentar, mas disse chamou atenção o fato do repasse da VI da chefe de gabinete para a conta da parlamentar.
“O vereador tem uma VI dele e ele presta conta do valor. O chefe de Gabinete também, ele quem tem que ser responsável pelos gastos. O valor vai para o CPF dele. A lei é bem clara, não tem como o vereador pegar e pedir para que ele jogue na conta do vereador. E ela tá alegando que ela tem um mandato em coletivo e que tem gastos. Vamos aguardar”, finalizou.
Lei das Verbas Indenizatórias
Segundo a Lei nº 6.902, que fala sobre o pagamento de Verba Indenizatória às pessoas que ocupam cargos em comissão do poder legislativo de Cuiabá, as despesas de chefe de gabinete devem: atender as demandas nas comunidades; supervisão dos trabalhos dos assessores de gabinete parlamentar externo; visitas nas secretarias e órgãos da administração para averiguação do bom andamento das demandas de gabinete; e também checagem in loco do cumprimento das indicações do vereador, inclusive no funcionamento da iluminação pública.
Também participaram da oitiva o vereador Wilson Kero Kero (Podemos), que é membro da Comissão, além dos vereadores, Michelly Alencar (União), Maysa Leão (Republicanos), Luis Fernando (Republicanos), Demilson Nogueira (PP) e Dilemário Alencar (Podemos).
Política
A expansão dos candidatos milionários e as estratégias de influência política em Mato Grosso
Os candidatos com maior patrimônio declarado no cenário político nacional, com destaque absoluto para lideranças das regiões Centro-Oeste e Sudeste, encabeçam um fenômeno socioeconômico que redefine as disputas eleitorais no Brasil. Em Mato Grosso, a corrida rumo ao Governo Estadual em 2026 expõe uma elite política que ostenta centenas de milhões de reais em bens registrados na Justiça Eleitoral. Figuras públicas de expressão, como o atual governador Otaviano Pivetta do partido Republicanos, o senador Jayme Campos (UB), o empresário Maurício Tonhá do Partido Democratica Cristã, e o senador Wellington Fagundes (PL), personificam essa intersecção entre o poder econômico e o político. Esses agentes representam um estrato de postulantes que transformam capitais privados em plataformas públicas de poder.
Essa inserção patrimonial consiste na submissão de declarações de bens cujos valores alcançam cifras bilionárias e milionárias, um procedimento obrigatório que joga luz sobre o poder financeiro dos concorrentes. O acúmulo de propriedades rurais, participações acionárias em grandes corporações, frotas de veículos e cabeças de gado configura uma realidade patrimonial distante da média do eleitorado. Trata-se da consolidação de candidaturas que utilizam o capital acumulado no mercado privado como credencial e suporte para a ocupação de cargos eletivos de alta relevância. Essa exposição de riqueza materializa a forte presença de ativos privados nos pleitos governamentais.
O epicentro geográfico desse fenômeno localiza-se no Estado de Mato Grosso, um território caracterizado pela pujança do agronegócio, inserido em um contexto macroeconômico nacional onde o Sudeste e o Centro-Oeste concentram as maiores fortunas. Essas regiões, marcadas por profundas assimetrias e alta desigualdade socioeconômica, convertem-se em cenários férteis para a prevalência do poder financeiro nas urnas. O ambiente mato-grossense, especificamente, reflete como a concentração de terras e de agroindústrias se desdobra diretamente na composição das forças políticas locais. É nesse território de contrastes que a riqueza se afirma como um fator determinante de viabilidade eleitoral.
A análise temporal do fenômeno baseia-se nos dados oficiais das eleições de 2018, 2020 e 2022, cujos registros históricos fundamentam as projeções para o embate político que se desenha para o ano de 2026. Esse recorte cronológico permite mapear a evolução e a estabilidade dos patrimônios, embora desconsidere os concorrentes estreantes, uma vez que tais novatos nunca foram submetidos ao crivo da transparência patrimonial compulsória.
As oscilações e os congelamentos de dados entre um pleito e outro expõem a perenidade dessas fortunas ao longo das últimas janelas eleitorais. O tempo, portanto, atua como um validador da permanência dessas elites abastadas no topo da pirâmide partidária.

Os motivos subjacentes à entrada desses magnatas na esfera pública concentram-se na necessidade imperiosa de proteger ativos econômicos preexistentes e de expandir a influência setorial em esferas regulatórias. O ingresso na Política Partidária confere a esses indivíduos um prestígio social diferenciado, além de uma rede de contatos internacionais e nacionais de altíssimo nível, conhecida no meio corporativo como Networking. Há também o desejo intrínseco de validar o sucesso empresarial por meio do reconhecimento popular, transformando a acumulação privada em liderança pública legitimada. A busca pelo status e pela blindagem de mercados atua, desse modo, como o principal motor propulsor dessas candidaturas endinheiradas.
A operacionalização dessas candidaturas viabiliza-se por meio de estratégias de comunicação sofisticadas, focadas na disseminação do discurso antissistema e na exaltação da figura do gestor técnico e eficiente. Apresentando-se como autênticos outsiders que não dependem financeiramente dos cofres públicos, esses políticos canalizam a insatisfação popular direcionada à classe política tradicional. Ademais, em decorrência das severas restrições legais impostas às doações empresariais correntes, a robustez financeira desses indivíduos permite o custeio de campanhas de alta performance com recursos próprios.
O autofinanciamento robusto e a retórica mercantilista constituem as ferramentas centrais de conversão de riqueza em votos.
Em termos puramente quantitativos, as cifras declaradas impressionam e estabelecem uma hierarquia clara de riqueza, liderada amplamente por Otaviano Pivetta, que registrou impressionantes R$ 379,4 milhões de reais em sua última declaração disponível. Logo em seguida, o senador Jayme Campos figura no ranking com um patrimônio consolidado de R$ 35,2 milhões de reais, composto por cotas corporativas e direitos de crédito significativos.
O pré-candidato Maurício Tonhá acumulou a soma de R$ 20,5 milhões de reais em ativos diversos, enquanto o senador Wellington Fagundes encerra o grupo de milionários com R$ 8,6 milhões de reais informados. Esses montantes somados explicitam o gigantismo do capital investido e detido pelos principais atores da governança estadual.
O propósito final dessa ocupação de espaços institucionais visa à modelagem de legislações específicas, além do direcionamento de políticas fiscais que beneficiem os setores econômicos de origem desses candidatos. Pretende-se implantar de forma dogmática a chamada visão de gestão, uma filosofia que defende a tese de que o Estado deve ser administrado sob a mesma ótica de eficiência e lucratividade de uma empresa privada.
A finalidade prática consiste em sintonizar as engrenagens burocráticas do poder público com o ritmo e as demandas do mercado global, otimizando os fluxos regulatórios para favorecer o desenvolvimento econômico sob a ótica empresarial. O objetivo final é redesenhar a governança sob as premissas do pragmatismo corporativo.
A estruturação dessa influência ocorre de forma capilarizada mediante a diversificação dos investimentos declarados, que variam desde participações em agropecuárias, rádios locais e empresas de logística até cabeças de gado e empréstimos a pessoas físicas.
Paralelamente, essa dinâmica se manifesta de forma opaca em relação a determinados nomes do cenário atual, como Natasha Slhessarenko, Marcelo Maluf, Alex Puccinelli e Rafaell Milas, que não possuem dados públicos disponíveis. Essa assimetria na divulgação de dados cria uma dualidade no tabuleiro eleitoral, dividindo os concorrentes entre veteranos de fortunas auditáveis e novos nomes sem histórico financeiro exposto. Essa configuração patrimonial multifacetada define o modus operandi da representação política.
O cenário analítico consolida-se sob a condição de um avanço global incontestável desse fenômeno, em que a presença de bilionários e multimilionários na política se torna uma tendência internacional irreversível. Sob essas circunstâncias, a disparidade financeira concede aos candidatos abastados uma vantagem desproporcional nas disputas, comprometendo, muitas vezes, a equidade do processo democrático face aos concorrentes de menor poder aquisitivo.
A capacidade de autofinanciamento e o controle de vastas redes econômicas alteram o equilíbrio das forças políticas contemporâneas, perpetuando o predomínio das elites financeiras. É sob essa realidade condicionante que o eleitorado é convocado a decidir os rumos administrativos e políticos de Mato Grosso.
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