MEXIDAS NO TABULEIRO DE XADREZ

No jogo político mato-grossense: medo e esperança, as peças se movimentam

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Que maravilha ficar revendo e relendo os discursos que os nossos políticos já protagonizaram até aqui. As manchetes preveem: Medeiros será candidato de Bolsonaro; Júlio decidirá seu futuro em abril, só boas notícias. No dia seguinte o mesmo noticiário avisa: Wellton Fagundes terá apoio de Bolsonaro; Júlio continua no União Brasil.

O povo mato-grossense não tem um segundo de paz. Num momento, a alegria em saber que o jogo continua e até “xeque mate” estão rolando. No momento seguinte, a imagem de políticos vendo os peões avançando sobre o Rei. O que sentir? Medo ou esperança?

Medo ou esperança são dois afetos de um mesmo eixo temporal: o da expectativa. Sentir medo é achar que as coisas podem dar errado lá na frente, saber que elas também podem dar certo.

Medo e esperança se articulam com irmãos siamês: uma hora um, outra hora outro. Os políticos estão sempre fazendo essa gangorra e seria ótimo conseguir sair dela, já que a esperança está eclipsada, ela está ali, ela está no tabuleiro político.

As peças do jogo nos dizem: o que nós temos eles não têm, o que fazemos eles não fazem, dar o “xeque mate”.

Então o que alguns políticos estão fazendo nos bastidores? Estão colocando dois bispos no aqui e agora (candidatos ao Paiaguas e Senado), também é bom para que a gente se pergunte: quem ganha se algumas saírem tão prematuramente?

São reflexos que podem fazer entre uma mexida e outra, entrar um “xeque mate” e outro. O que não podemos é aceitar passivamente a realidade de que políticos formam “grupinhos” em épocas de eleições.

Será que existe alternativa a esse cenário? Enquanto o editor pensa, eu fico emocionado vendo os políticos jogando. É, de fato, um espetáculo muito mato-grossense.

O jogo de xadrez

O jogo político que se iniciou no Pleito Eleitoral 2020, com a eleição e reeleição dos prefeitos em Mato Grosso, até o momento não houve lances irregulares que vão contra as regras do jogo só ocorreu mexidas erradas), em que coloca seu próprio Rei (líder) em xeque.

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O que aconteceu até o momento foi um xeque mate que o próprio emedebista Nenel Pinheiro se envolveu. O Rei Nenel se encontra encurralado no qual não consegue viabilizar sua candidatura. No momento muitos políticos estão tentando se viabilizar, isso se chama “xeque perpétuo”, quando o jogador realiza uma série de diz me diz, sem que seja possível dar um “mate” (realidade).

Como publicado pelo Blog do Valdemir, Otaviano Olavo Pivetta vai dar “xeque mate” no Senado da República, (saídas prematuras de Neri Geller e José Medeiros do cenário). O vice-governador vai atender o pedido do seu novo amigo na política (o veio da Havan) e vai se filiar a um partido alinhado com o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, hoje no Partido Liberal (PL).

Max Joel Russi, deputado estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB), e presidente da Casa de Leis, com estas mexidas vai se viabilizando:

Hoje o nosso partido não faz parte do Governo, mas tem um alinhamento muito forte com o governador Mauro Mendes… é uma tendência dentro do PSB apoia-lo. Tem esse encaminhamento por parte dos prefeitos e lideranças do partido“.

Será o vice de Mauro Mendes?

É bom ter o nome lembrado para qualquer candidatura à majoritária. Mas hoje sou candidato a deputado estadual. É uma vaga que vai ser bastante disputada, mas não há conversa nesse sentido nesse momento“, disse Max Russi (a esperança está eclipsada).

Estão percebendo como se encontra o jogo? Os líderes políticos de Mato Grosso estão jogando com paciência, muita estratégia e concentração, sendo os melhores não necessariamente mais agressivos ou mais conservadores, mais aqueles que conseguem preservar suas peças vão pouco a pouco, minando as peças dos seus adversários.

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O melhor de tudo é que o eleitor também está jogando, e os políticos estão com medo. A população já decifrou que, o “jogo político” é um processo no qual, assim como no xadrez, qualquer erro pode ser muito caro, custando a vitória. Naturalmente, alguns políticos jogam melhor que outros, alguém precisa sair perdendo. Aprender com os erros também é importante nesse sentido, já que o erro de hoje pode ser a vitória de amanhã.

Vamos para mais uma mexida no tabuleiro:

O governador do Partido Democratas (DEM), Mauro Mendes Ferreira, jogou a melhor abertura quando buscou formar uma coalizão junto a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), apostando na afinidade de pauta e no apoio das bancadas.

Acontece que bancadas são voláteis e as pautas custam caro. Para não perder o jogo, o Paiaguas muda constantemente a estratégia e sacrifica algumas peças nesse processo. Mauro foi atrás da “oposição” para obter uma base minimamente sustentável, um movimento talvez não calculado, mas sim feito por puro instinto de sobrevivência política. Aliás, um movimento acertado.

Outra peça importante no jogo político é o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), Max Joel Russi, seu dever de casa é dominar as peças do tabuleiro com rara habilidade.

Evidentemente, nada na política é aprovado somente por boa vontade assim como o enxadrista não entrega seu jogo antes de exaurir grande parte de suas defesas.

Por isso, por mais irônico que se possa parecer, é importante notar que até peões ganham jogos. Todas as peças do tabuleiro têm as suas funções, e a estratégia vencedora é justamente aquela que as usa com harmonia, sabedoria e eficiência.

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Política

Mesmo cassado, Bezerra poderá disputar as eleições de 2022

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Em novembro de 2021, o Ministério Público Eleitoral (MPE), pediu a cassação do mandato do deputado federal e presidente estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Mato Grosso, Carlos Gomes Bezerra, por supostos gastos ilícitos nas Eleições de 2018.

Conforme denuncia do Ministério Público Eleitoral (MPE), diz que o deputado federal Carlos Bezerra montou um gabinete paralelo ao comitê de campanha, o que o beneficiou na disputa. O argumento está no parecer final, assinado pelo procurador regional eleitoral, Eric Raphael Masson, ao processo que investigava Carlos Gomes Bezerra por crimes eleitorais.

Conforme o procurador, o gabinete foi vinculado ao MDB, partido do qual Bezerra é presidente em Mato Grosso, e o parlamentar teria se valido desse cargo para omitir declaração de gastos.

Masson cita dois casos em que as despesas reais de campanha não teriam sido informadas. O dinheiro considerado com origem em Caixa 2 soma R$ 183,7 mil.

A despesa com material gráfico informada à Justiça Eleitoral foi de R$ 142 mil, porém o gasto real teria ficado em R$ 262 mil. Com combustíveis, foram informados R$ 48 mil. O valor real, contudo, teria ficado R$ 134 mil.

Os valores a mais foram identificados em apuração dos documentos de campanha.

Não se ignora que o investimento, pelo partido, até poderia vir a ser legítimo, se não fosse o fato de que absolutamente nada foi declarado à Justiça Eleitoral! Esse ponto é de suma importância, porque decorrem os contornos de caixa dois”, diz o parecer.

Fora do cargo

Por unanimidade, o deputado federal Carlos Bezerra (MDB), teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT), por crimes eleitorais na campanha de 2018. O MPE afirmou em documento que, apesar da quebra de sigilo bancário não ter sido deferida pela Justiça, as provas colhidas na investigação demonstram que o deputado montou um “gabinete paralelo”.

Nova derrota

Mauro Campbell Marques, ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em sua decisão nessa quarta (25), acabou negando medida liminar e manteve a cassação do deputado federal Carlos Bezerra.

O acórdão regional acolheu a tese da Procuradoria Regional Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF), de que houve omissão contábil do candidato Carlos Bezerra em relação a recursos estimáveis em dinheiro provenientes do Diretório Regional do MDB.

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Apontou ainda, omissões de despesas e receitas de campanha e realização de gastos irregulares pagos com recursos públicos e privados.

No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Bezerra e o MDB Nacional interpuseram, isoladamente, recursos ordinários contra o acórdão regional. Em seu apelo, o MDB pleiteou a concessão de tutela de urgência para o fim de atribuir efeito suspensivo ao respectivo recurso, considerando a proximidade do Pleito Eleitoral de 2022, contexto no qual o deputado Carlos Bezerra deve ser considerado um potencial candidato do partido.

Contudo, ao negar o pedido e manter a ação, bem como a cassação do mandato, o ministro destacou não vislumbrar, neste momento processual, a probabilidade do direito invocado, já que, segundo o ministro, o recurso ordinário manejado pelo MDB já possui o efeito desejado, sendo certo que “o efeito suspensivo cessa com o julgamento do feito pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Conforme o ministro, o registro da ocorrência no cadastro eleitoral não implica declaração de inelegibilidade nem impede a obtenção da certidão de quitação eleitoral, ou seja, o deputado federal Carlos Bezerra poderá disputar as eleições de 2022, mas na condição de sub judice.

Registro, ainda, que, conforme o art. 16-A da Lei das Eleições, ao candidato é garantido concorrer ao pleito na condição de sub judice, mesmo nos casos em que o pedido de registro de candidatura tiver sido negado”.

Por fim, o ministro enfatizou que o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) julgou procedente representação fundamentada no art. 30-A da Lei nº 9.504/1997, de modo que, como cediço,uma vez julgada procedente a representação, a única sanção aplicável é a negativa ou a cassação do diploma”.

Portanto, sendo certo que, no caso, não houve, e nem poderia haver a imposição da sanção de inelegibilidade, não prospera a afirmação do MDB de que “[…] a imposição imediata da sanção de inelegibilidade revela-se uma restrição desproporcional ao direito fundamental do candidato concorrer nas eleições que se avizinham […]” (ID 157500469), haja vista que não condiz com a realidade jurídica extraída do acórdão regional”, ressaltou. – (Com VG Noticias)

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