MILITANTE VIRTUAL

“Eleitor hoje parece menos revoltado”

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A Pandemia do novo Coronavírus mudará a mecânica da campanha para a próxima eleição municipal, cujo primeiro turno é em 15 de novembro. A comunicação digital deve ser utilizada intensamente pelos candidatos, e o cabo eleitoral, aquele que ficava nas ruas agitando bandeiras e distribuindo santinhos, dará vez ao militante virtual.

A avaliação é do especialista em marketing político Marcelo Vitorino, segundo o qual o humor do eleitor deve estar mais receptivo a uma escolha mais pragmática.

Ele acredita que os candidatos com credibilidade para lidar com questões relacionadas ao emprego, à renda e à recuperação da economia local, conquistarão mais espaço nas urnas.

A seguir os principais trechos da entrevista:

Como as campanhas vão acontecer em meio à pandemia?

Cada cidade enfrenta uma situação diferente em relação ao problema. Têm cidades como Anápolis (GO), por exemplo, que não pararam em nenhum momento porque estavam preparadas para a crise. Há cidades ainda próximas do pico e outras com casos em declínio. O fato é que os grandes comícios, agendas de rua e eventos fechados serão mais restritos. O que deveria, pelo menos em tese, entrar para cobrir esse espaço é a comunicação digital. O porta a porta terá de dividir sua responsabilidade com o tela a tela. E essa tendência deve ser mantida para eleições futuras. O cabo eleitoral precisará se transformar em militante virtual, um processo que começou lentamente em 2010, mas que, agora, mostra-se imprescindível para quem deseja vencer.

Como será o humor do eleitor na época da eleição?

É difícil precisar apenas um humor por causa da diversidade que há no país, mas, ao que me parece, devemos ter uma abstenção ainda maior do que a mostrada nos anos anteriores, o que acaba levando às urnas apenas as pessoas que se interessam realmente pela política. Em uma eleição municipal, isso está mais atrelado a questões do cotidiano dos eleitores, mais próximas da realidade. Provavelmente, em 15 de novembro, há uma grande chance de o eleitor ser mais pragmático na escolha, olhando com mais atenção para os candidatos e candidatas com maior reputação e credibilidade para lidar com questões relacionadas ao emprego e à renda, à recuperação da economia local. Com esse movimento, diminui o anseio pela renovação política. A tendência é que busque políticos mais experientes, com possibilidade de atrair recursos para seus municípios.

A pandemia influenciará na decisão do eleitor?

As pesquisas qualitativas que acompanho, nas várias regiões do Brasil, apontam que os eleitores não desejam mais a nova política a qualquer custo. Agora, querem alguém com experiência administrativa e que não seja considerado da política tradicional. Esse é um traço do momento. Querem alguém com capacidade de ter alinhamento com governos, que possa levar recursos para a cidade, que conduza a retomada da economia no município.

A crise sanitária tem sido usada nos discursos dos candidatos? Acredito que o foco dos majoritários acabará indo mais pela discussão sobre a crise econômica gerada pela sanitária. Qual o peso do digital nas campanhas?

O peso da campanha na Internet vai variar de acordo com o entendimento do responsável pela comunicação e também do candidato. Se tiverem noção total do que uma campanha digital pode fazer e direcionarem recursos para a área, com a contratação de profissionais experientes, com liberdade para criar conteúdos específicos para eleitores conectados, a Internet pode ser decisiva para uma campanha. Hoje já não é mais novidade que a primeira tela não é mais a televisão, mas, sim, o celular. Mesmo em locais remotos a conectividade chegou. A campanha digital pode ser a base para mobilizar militantes, criar vínculos com eleitores, combater fake news e arrecadar recursos para campanhas.

O valor de investimento das campanhas deve ser menor?

Quando comparado aos investimentos feitos para as campanhas na televisão, sem dúvida, as campanhas digitais são mais baratas. Porém, isso não significa que o investimento será pequeno. A falta de profissionais especializados acaba encarecendo o mercado. Em campanhas digitais, um percentual considerável deve ser investido, algo entre 20% e 30% dos recursos destinados à comunicação.

Os candidatos estão preparados para esse novo cenário?

A maioria dos candidatos desconhece as ferramentas e também as formas que podem ser utilizadas. Acabam fazendo o básico, usando a Internet apenas para entrega de conteúdos de outras mídias, sem proporcionar interação. Também querem falar para eleitores conectados como se fosse um palanque, fora do tom que cada plataforma pede. Muitos acreditam que a performance das redes independe de um time profissional e também do próprio envolvimento. Há de se levar em consideração que já há um desafio posto quando um político do legislativo disputa um cargo ao executivo, e o que brilha aos olhos deste acaba geralmente sendo a coligação e o tempo de televisão. Parece que não estavam no Brasil em 2018.

Existem profissionais especializados nesse tipo de campanha?

Existem poucos profissionais que reúnem conhecimentos necessários para um bom trabalho. Para usar a Internet como meio para comunicar uma campanha, é preciso dominar três pilares: a comunicação, o uso da tecnologia e a política. A maioria domina um ou no máximo dois pilares.

O que se espera sobre a guerra das fake news? O WhatsApp será utilizado?

O WhatsApp será uma boa ferramenta de comunicação para aqueles que seguirem as regras, enviando mensagens apenas para quem solicitou, com uma boa organização dos contatos, e com conteúdo interessante. Já para disseminação de boatos, as mudanças feitas pela plataforma dificultaram muito a vida de quem pretendia fazer. As contas hoje são bloqueadas muito mais rápido do que em 2018. As regras de encaminhamento de propostas pela plataforma também estão contribuindo positivamente.

O que os eleitores querem encontrar nas redes dos candidatos?

A pesquisa que a Presença Online realizou neste ano trouxe três pontos principais: a opinião dos candidatos sobre assuntos atuais, a trajetória do candidato e as suas propostas. O que os eleitores menos desejam ver nas redes são as frases motivacionais, a agenda e os materiais.

Qual a semelhança entre essa campanha e a de 2018? Os candidatos aprenderam algo? Ou continuam sem entender? E algo sobre o Entorno.

O eleitor hoje me parece menos revoltado do que antes. Claro que é difícil falar desse cenário como único, diante de um país com tantas cidades. Observo que nas eleições municipais há mais objetividade e menos ideologia. Os eleitores querem saber quem pode resolver o problema, depois olham a forma e só depois querem saber com quem essa pessoa anda. A maioria dos candidatos de 2020 não passou por 2018, então estão repetindo os mesmos erros da turma anterior. O cenário de 2020 é muito diferente do cenário de 2016, que foi a última eleição municipal. Do ponto de vista da comunicação, poucos candidatos aprenderam algo em relação a 2018. A maioria aposta na política tradicional e na televisão como meios principais para chegar ao eleitor. Repetem erros cometidos por medalhões e, provavelmente, podem acabar de fora como aconteceu antes. Nas cidades do Entorno, não vejo grandes mudanças em relação aos anos anteriores. É como se estivessem dançando uma música que já parou de tocar há quatro anos e, mesmo assim, insistem em querer que alguém dance junto.

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Política

Pinheiro e Pátio na mira de Medeiros

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Enquanto ocorrem as primeiras eleições no governo Bolsonaro, é possível perceber que em grande medida as questões nacionais estão presentes e se misturam com o debate local, seja por conta da Pandemia que mata centenas de milhares, do desemprego de milhões, da Saúde, da volta da inflação e da fome que cresce, e não é só o destino das cidades que estão em jogo, o futuro da classe trabalhadora é uma questão central. E isso nós não estamos vendo acontecer entre os postulantes a cadeira numero 1 de Cuiabá.

Seja nos blocos do horário eleitoral, veiculados de manhã e à tarde, ou nos comerciais que entram na programação, as campanhas aumentam o tom dos ataques em propagandas no rádio. O mesmo acontece nas publicações na internet. Na comparação com a televisão, que tem o maior alcance e audiência entre o eleitorado, há mais citações aos rivais, críticas e até ironia.

José Antônio Medeiros, deputado federal e candidato ao Senado da Republica pelo Podemos, anunciou que vai pedir, por meio do Diretório Estadual da sigla em Mato Grosso, a cassação dos prefeitos Emanuel Pinheiro (MDB) de Cuiabá, e de Rondonópolis, José Carlos do Pátio (SD), por improbidade administrativa durante o período mais crítico da Pandemia do novo Coronavírus em Cuiabá.

O pedido deve ser protocolado nos próximos dias na Câmara Municipal de Vereadores.

Nesta sexta-feira (23), em live, com o candidato a Prefeito de Cuiabá, vereador Abílio Júnior (Podemos), José Medeiros afirma que existem elementos suficientes para pedir o afastamento de Emanuel Pinheiro da Prefeitura de Cuiabá.

Abílio e Medeiros apontam alguns motivos que podem levar a cassação do prefeito cuiabano, entre eles, o decreto municipal que reduziu em 30% da frota do transporte coletivo para evitar aglomeração. No entanto, a redução aumentou os riscos de contaminação, pois as pessoas se aglomeraram dentro dos poucos ônibus que estavam disponíveis na cidade.

Outro fator seria a diminuição do horário de funcionamento do comércio. De acordo com Abílio, as pessoas foram obrigadas a aglomerar nos horários reduzidos. O vereador também cita o fracassado rodízio de placas de carros pelo CPF implantado pela prefeitura.

As medidas que o prefeito de Cuiabá tomou ajudaram muito mais ao Covid do que a população, lamenta Abílio.

O candidato a prefeito ainda comenta que Emanuel Pinheiro pode ser responsabilizado pela contaminação das pessoas, por promover aglomeração em horários específicos, pelo fechamento de empresas, aumento do desemprego e por medidas que prejudicaram a economia de Cuiabá.

Ele [Emanuel Pinheiro] errou, não agiu tecnicamente e sim politicamente. Muitos prefeitos agiram assim com objetivo de buscarem mais recursos federais“, critica o vereador.

Para o deputado federal José Medeiros, que é vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal, a negligência de alguns gestores públicos durante a pandemia foi levantada pelo presidente da República, que enviou milhões de reais para os municípios e muitos não abriram nenhum leito novo de UTI como foi o caso de Cuiabá.

Alguns prefeitos, como o prefeito Pátio, pegaram os recursos enviados pelo Governo Federal para combater o Covid-19 e fizeram asfalto pensando em faturar eleitoralmente. Eu chamo isso de asfalto de sangue. Enquanto eles faziam asfalto, as pessoas morriam por falta de atendimento. Qual o pai de família vai arrumar a calçada de sua casa enquanto o filho está precisando de saúde? Ele pega o dinheiro e aplica na calçada? Não! Ele aplica o dinheiro na saúde. Aqui foi diferente. Desde o início da pandemia entrou R$ 500 milhões no cofre da Prefeitura de Cuiabá e quase R$ 80 milhões enviados pelo Governo Federal e não fizeram nenhum leito de UTI, enquanto tem cidade que fez seis leitos com menos de um milhão. Diante de tudo isso, se faz necessário pedir o afastamento dos dois prefeitos pelo bem da população, comenta Medeiros.

O vice-líder de Bolsonaro lembra que a gestão de Emanuel Pinheiro foi marcada por escândalos, entre eles o do Paletó e o afastamento e até a prisão de secretários. O mais recente foi o afastamento do ex-secretário de Saúde, Luiz Antônio Pôssas de Carvalho por suspeita de ter superfaturado a compra de remédios para o tratamento da Covid-19. Já em Rondonópolis, Medeiros cita a compra de respiradores falsos e o pedido de Pátio para utilizar os recursos federais da Covid para fazer asfalto.

Pátio e Emanuel deviam estar presos por negligência no atendimento das vítimas do Coronavírus“.

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