EXISTE TERCEIRA VIA?

As ilusões que sustentam a busca por uma terceira via

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Os resultados das 8 eleições presidenciais de 1989 para cá mostram que a ideia de uma 3ª via tem muito de “wishful thinking” quando se confunde desejo com probabilidade real, e quase nada de conexão com a realidade do país. Nunca houve uma 3ª via para valer no Brasil, no sentido do que alguns partidos buscam hoje, com um candidato de centro e fora da polarização esquerda-direita.

Em 1989, que teve a 1ª eleição direta para presidente depois da ditadura militar (1964-1985), houve uma clara polarização entre centro-direita, representada por Fernando Collor de Mello (PRN, à época) e esquerda, dividida em Luiz Inácio “Lula” da Silva (PT) e Leonel Brizola (PDT). A 3ª via daquela disputa teria sido o tucano Mario Covas (1930-2001), mas ele fracassou e ficou mais atrás, em 4º lugar, sem nunca ter tido chances reais de vencer.

Não deixa de ser notável, entretanto, que a eleição de 1989 tenha sido a única das 8 disputas diretas pós-ditadura em que a diferença entre o e o candidatos ficou abaixo de 5 pontos percentuais.

No Estado de Mato Grosso, os partidos políticos têm hoje um grande desafio: encontrar um candidato competente e responsável, capaz de representar uma alternativa viável a Mauro Mendes Ferreira do Partido Democratas (DEM), e o emedebista Emanuel Pinheiro.

Mas não estamos aqui para iludir os nossos internautas, sejamos sinceros, se percebe que as ilusões que sustentam a busca por uma terceira via, pouco a pouco está esvaziando.

Dúvidas? Então vamos lá: que fim levou um movimento da direita que visava trabalhar uma candidatura para disputar o Palácio Paiaguas?

PS: o grupo político que reuniu os seus caciques foram: Podemos, PSL, PSC, Patriota, PRTB e DC.

A terceira via por acaso seria: José Antônio Medeiros (Podemos), José Eduardo Botelho (DEM), Ludio Frank Mendes Cabral (PT), Diego Arruda Vaz Guimarães (Cidadania), Otaviano Olavo Pivetta (sem partido)? Ou estão subestimando a nossa inteligência? Só pode.

Afinal, a chamada terceira via, para vencer a eleição na terra de Rondon do ano que vem, tem pela frente três desafios. O primeiro encontrar um rosto e unir-se em torno dele. O segundo tornar-se uma séria ameaça a Mauro Mendes, ainda no primeiro turno. O terceiro, derrotar Nenel Pinheiro na batalha final.

É possível? Tudo é possível na política. Entretanto uma terceira via, só ganha eleição se virar segunda via. É o que a história registra até aqui. Mauro não era terceira ou quarta via, até os anti-pedro descobri-lo como o candidato ideal. Se elegeu no primeiro turno.

Há nomes em excesso que aspiram a condição de candidato. A questão é os tantos nomes que hoje existem sem falar de outros que ainda aparecerão, ali por meados de 2022, ou outros disso, abrirão mão de suas candidaturas para apoiar um só deles?

Outras perguntas que não querem calar: bastará que isso ocorra para que o escolhido disparar nas pesquisas de intenção de voto? O tempo será suficiente para se costurar uma candidatura em cima do laço? Ou Mendes e Emanuel já não estarão consolidados como candidatos irremovíveis.

Uma variável que se repetiu por 20 anos, mas que em 2018 mudou: governador candidato a reeleição não se reelege.

Partidos políticos

A Constituição de 1998, coloca os partidos políticos entre as instituições fundamentais para organização do Estado. As legendas têm papel decisivo na qualidade dos candidatos que o eleitor terá a disposição. Tanto é assim que por expressiva determinação constitucional, a filiações partidárias é uma das condições de elegibilidade.

Ao contrário do que as vezes se pensa, os partidos são muito relevantes no cenário político. Os partidos não são, não precisam ser reféns de alguns.

Do governador precisamos saber quais seus planos para enfrentar os problemas que mais afetam.

Para finalizar: a falta de clareza e de prioridade sobre o que fazer, uma vez eleito sugerem que, nessa terceira via, continuaremos sem rumo. Ou será que, ao dizer: chega de candidato que no dia seguinte à vitória, passe a combater adversários como se fossem inimigos.

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Política

Projeto que proíbe governo de propor o passaporte da vacina é aprovada na ALMT

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Com o avanço da corrida para a vacinação anti-Covid-19 em diversos países do mundo, de forma a tentar controlar as continuidade dos numerosos casos de infecções pelo Coronavírus SARS-CoV-2 e suas consequências, têm surgido nova polêmica, “o passaporte vacinal“.

Países do mundo todo estão apostando nas vacinas para sair desta pandemia, porém os governos agora enfrentam outra questão: será o momento de retomar certa parte da economia como viagens, teatros, shows e até mesmo o trabalho para todos? Ou somente para quem já foi vacinado?

As vacinas têm se mostrado eficazes no combate à Pandemia, incluindo na redução dos casos graves e hospitalizações. Isso significa que se as empresas, locais de trabalho e fronteiras forem reabrir, uma maneira de reduzir o risco de um novo surto seria exigir algum tipo de prova de vacinação na entrada, que poderia ser um passe de saúde ou um passaporte de vacina.

O assunto gera debates, já que na maioria dos países a vacina não será obrigatória, e o ritmo da vacinação significa que muitos de nós ainda teremos de esperar por muito tempo. Além disso, há quem não possa tomar por questões médicas, enquanto outros podem alegar crenças religiosas incompatíveis com a vacinação. Com isso, permitir certas liberdades e privilégios para aqueles que tomaram as doses provavelmente seria visto como discriminatório por muitas pessoas.

O Projeto de Lei n° 417/21 visa criar o Passaporte Digital de Imunização, quanto à vacinação da Covid-19. O objetivo é aumentar o controle sanitário sobre locais com aglomeração de pessoas. O texto, de autoria do deputado estadual Paulo Roberto Araújo (Progressistas) tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).

Segundo a proposição, o Passaporte Digital de Imunização poderia ser exigido para autorizar a entrada em eventos e locais públicos, utilização de meios de transporte coletivos, sejam: terrestres ou aéreos, bem como em qualquer local em que a aglomeração de pessoas exija controle sanitário com o intuito de aumentar a segurança da população.

E por 13 votos os deputados estaduais derrubaram o parecer contrário da Comissão de Saúde e aprovaram em primeira votação, na manhã desta quarta-feira (20), o Projeto de Lei 780/2021 de autoria da deputada estadual Janaína Greyce Riva (MDB) que proíbe a implantação por parte do poder público de um passaporte sanitário ou da vacina como popularmente vem sendo chamado, em Mato Grosso.

Numa sessão que contou com discussões acaloradas na Tribuna da Casa de Leis, e que contou com a galeria repleta de apoiadores ao Projeto, Janaína Riva defendeu que o passaporte fere o artigo 5° da Constituição Federal que trata do direito de ir e vir do cidadão.

Eu sou a favor da vacina, tomei as duas doses e tomaria uma terceira se eu tivesse direito inclusive, mas também sou a favor da liberdade. A nossa discussão não é sobre a vacina, mas sobre o cerceamento do direito das pessoas de ir e vir, bem como a segregação e o controle social por trás desse passaporte. Já pensou as pessoas serem proibidas de entrar numa igreja? Ninguém tem o direito de fazer isso. Eu citei igreja, mas falo também do comércio. De serem impedidas de ir ao mercado por que não se vacinaram”, disse.

A parlamentar do MDB, Janaína Riva explica que o projeto dela trata apenas das igrejas, comércios e congêneres, não se estendendo ao ambiente público. A parlamentar trouxe à tona na tribuna o caso de uma mãe que perdeu a guarda do filho por não querer se vacinar.

Se vacina quem quer e alguns não podem vacinar por limitações religiosas. É direito individual de cada um à integridade física e sobre o próprio corpo. Estar vacinado não significa estar isento de cuidados como uso de máscara e higienização das mãos e ambientes, até porque nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Precisamos retomar o rumo do desse país, o comércio já foi prejudicado demais. Não podemos deixar que o radicalismo impere”, finalizou.

Agora, a proposta vai à segunda votação e segue para sanção do governador Mauro Mendes (DEM). Deputados como Faissal Jorge Calil Filho (PV), Ederson Dal Molin, o Xuxu Dalmolin (PSC), Gilberto Moacir Catani (PSL), dentre outros, fizerem a defesa do Projeto da parlamentar Janaína Riva.

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