TUDO ATRASADO

Sindimed/MT aciona justiça para que Várzea Grande pague médicos em dia

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O Sindicato dos Médicos do Estado de Mato Grosso (SINDIMED/MT) entrou com uma Ação Civil Pública para que a prefeitura de Várzea Grande seja obrigada a pagar os médicos da rede pública municipal com regularidade e pontualidade de forma isonômica.

Na ação o Sindicato pede também que a justiça condene os gestores e o Município por danos morais coletivos em razão do prejuízo causado pela desídia na administração dos pagamentos devidos aos médicos.

O município de Várzea Grande de forma contínua e sistemática não paga com regularidade a remuneração dos servidores médicos, sobretudo, daqueles que atuam no pronto socorro municipal. Mês a mês os médicos e a diretoria clínica do Hospital informam à direção e ao sindicato que os pagamentos não estão sendo feitos corretamente. Em um mês são suprimidos os adicionais de insalubridade, no outro são suprimidos os pagamentos de horas extras ou de adicionais noturnos. Por isso propusemos a ação“, explica o assessor jurídico do Sindimed/MT Bruno Álvares do escritório Voucher e Álvares.

Segundo o Sindimed, os médicos relataram que em outros meses, não são pagos plantões extras, ou a verba indenizatória que representa parcela significativa da remuneração dos médicos.

Os servidores médicos são submetidos a extenuantes jornadas de trabalho e que atuam em uma unidade com péssimas condições de funcionamento, ao final do mês, frustram-se com a irregularidade dos pagamentos. Isso impacta direto no orçamento familiar e nos demais compromissos dos servidores, já que correm riscos de ficarem inadimplentes se contarem com a regularidade dos pagamentos realizados pelo Município de Várzea Grande. Um absurdo. Ninguém pode trabalhar assim. As contas vencem todo mês“, comenta o diretor de comunicação do Sindimed o médico Adeildo Lucena.

A situação é tão absurda que aparentemente o Município escolhe quem vai ficar sem receber em um determinado mês. Assim em um mês o médico recebe, e em outros dois meses seguidos deixa de receber. O mais agravante é isso ocorre com profissionais da saúde, pagos com recursos públicos provenientes de orçamento vinculado.

O sindicato denuncia ainda que o Município dificulta a fiscalização dos recursos quando não disponibiliza em seu portal da transparência as informações relativas ao orçamento da Secretaria Municipal de Saúde.

Veja-se que as informações não constam do portal (http://www.varzeagrande.mt.gov.br/fundos-municipais-arquivos/97/2058,2096/8).

Por conta dessas denuncias o sindicato pede que sejam pagos em dia os médicos e que caso não sejam cumpridos os pagamentos, a prefeitura seja multada em R$ 100.000,00 (cem mil reais), para cada novo mês de atraso dos pagamentos dos servidores.

Também pede o pagamento por danos morais coletivos de forma solidária no valor de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

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ECONOMIA

“Operação Tapiraguaia”: 4ª fase da Operação aponta desvio de recursos da Saúde e Educação em Confresa

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O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República em Barra do Garças (MT), em trabalho conjunto com a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagram nesta quarta-feira (12) a quarta fase da Operação Tapiraguaia, que apura o desvio de recursos públicos federais na área da Saúde e da Educação no município de Confresa em MT.

Ao todo estão sendo cumpridos pela Polícia Federal 23 mandados de busca e apreensão, seis medidas cautelares de afastamento de função pública e três medidas cautelares de proibição de contratar e de renovar contrato com a Administração Pública.

Na 4ª fase da Operação Tapiraguaia, os focos são irregularidades na aplicação de verbas federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em 2017, e na contratação de serviços de exames laboratoriais da Secretaria Municipal de Saúde de Confresa em 2018.

De acordo com o relatório da auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU), que deu embasamento ao MPF e à Polícia Federal para instauração de procedimento investigatório, foram constatadas irregularidades em pregões presenciais realizados pelo município com o objetivo de adquirir merenda escolar. Duas empresas, sendo que a empresa 1* foi vencedora de três pregões no valor total de R$ 573.880,87, e a empresa 2, vencedora de um pregão no valor de R$ 1.866.952,28, teriam sido beneficiadas através do direcionamento da licitação. Consta do relatório que ambas não tinham capacidade econômico-financeira para executar os contratos. (*nomes não podem ser divulgados)

Com as investigações foi possível identificar que a empresa 1, que tem como principal atividade o comércio de sorvetes, armazenava os produtos de forma precária, causando o perecimento dos alimentos que deveriam ser entregues às escolas. Já a empresa 2 teria sido aberta somente para fornecer os produtos ao município e, além disso, não houve justificativa para a grande quantidade de produto licitada.

Outras irregularidades também foram identificadas nos procedimentos licitatórios como indícios de montagem de pesquisa de preços pela semelhança da grafia nos grupos dos orçamentos, ausência de validade, de indicação de responsáveis e de data de realização das propostas; apresentação de atestado de capacidade técnica emitido pela própria vencedora do certame pregão presencial nº 03/2017 (empresa 1); a abertura da empresa 2 cerca de 50 dias antes da realização do pregão presencial 21/2017, em que saiu vencedora, não havendo outros concorrentes; entrega de produtos pela empresa 2 sem especificação quanto ao peso e à validade dos produtos; identificação de pagamento por mercadorias não entregues à municipalidade, além de pagamentos sem documentação comprobatória de entrega das mercadorias e notas de empenho emitidas em desacordo com a legislação.

As investigações também mostram que a contratação de laboratórios de análises clínicas teve licitação dispensada indevidamente, favorecendo um servidor público da Prefeitura de Confresa. Apurou-se que os pagamentos eram legitimados por meio da apresentação de notas fiscais falsas em nome de laboratórios “laranjas”, como se estes tivessem prestados os serviços. A soma total dos pagamentos feitos em virtude dos serviços laboratoriais totalizou, entre janeiro e abril de 2018, R$ 54.442,36, evidenciando dispensa ilegal de licitação. A quebra do sigilo das informações bancárias dos investigados demonstrou as movimentações bancárias entre os laboratórios “laranjas” e o servidor municipal.

Assim como ocorreu com a deflagração das outras fases, após o interrogatório dos investigados pela autoridade policial e a análise do material apreendido, o Ministério Público Federal decidirá sobre a propositura de novas ações penais e de improbidade administrativa contra agentes públicos e privados, inclusive para a obtenção do ressarcimento dos valores eventualmente desviados.

Panorama da “Operação Tapiraguaia”

Com base no material apreendido e analisado desde a Primeira Fase, o MPF em Barra do Garças já promoveu 13 ações penais e 11 ações de improbidade administrativa em desfavor de 25 réus e suas respectivas empresas.

Investigações

As investigações tiveram início em 2017, a partir de fiscalização realizada pela CGU em contratos nas áreas da educação, saúde e infraestrutura referentes aos anos de 2015 e 2016. Apurou-se desde então que as empresas contratadas pela Prefeitura Municipal de Confresa, por meio de montagem de processos e direcionamento da contratação, recebiam os pagamentos superfaturados e, em seguida, transferiam parte dos recursos para agentes públicos da prefeitura e para terceiros vinculados a esses agentes.

A CGU e a Polícia Federal em análise de dados bancários dos investigados, obtidos com autorização judicial, apuram que o prejuízo à União até o momento é de aproximadamente R$ 4,5 milhões.

A operação recebeu o nome de “Tapiraguaia tendo em vista esta ser a primitiva denominação do atual município de Confresa. É a junção dos termos Tapirapé e Araguaia, designação de nomes de dois rios da região norte mato-grossense.

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