IMPORTAR PARA ABATE

Acrimat vê com preocupação a importação de animais

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Em julho de 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu os requisitos para a importação de bovinos e bubalinos de países que integram o Mercosul. Foram afixadas regras tanto para animais adquiridos para abate imediato quanto para gado de engorda. No caso da importação de animais para abate imediato, as regras constam da Instrução Normativa 18/2019.

Com a seca que atingiu o Estado de Mato Grosso nos últimos dois anos, com mais impacto no ano passado, alguns setores da cadeia produtiva da pecuária cogitam a possibilidade de importar animais para abate.

A informação, não confirmada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de que haverá abertura de importação para países fora do Mercosul, preocupa pecuaristas e entidades representativas, como é o caso da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Em relação a liberação da importação de bovinos e bubalinos de países da América do Sul, adquiridos para abate imediato, como intencionado por alguns frigoríficos que solicitaram licenciamento para o Mapa, tendo em vista que nada foi oficializado e não houve, também, consulta a entidades representativas do setor como a Acrimat, o que posso falar como pecuarista e como presidente de uma associação que defende os interesses dos pecuaristas, é que é preciso analisar o impacto dessa atitude com profundidade“, diz o presidente da Acrimat, Dr. Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.

De acordo com o pecuarista, Mato Grosso sempre executou um trabalho extenso na área da sanidade animal, com o Mapa a frente e vários outros órgãos em auxílio, como o próprio órgão de defesa estadual, Indea, presente nos 141 municípios de Mato Grosso, para atingir o status de livre da febre aftosa com vacinação, conseguindo retirar a vacinação em algumas localidades. O último caso da doença foi relatado há mais de 25 anos.

Abrir para a importação nos colocaria em risco; pode ocorrer a reinserção de doenças entre o nosso rebanho, e isso é algo que nos preocupa“.

Em termos nacionais, o Brasil conta com um serviço de defesa sanitária certificado e auditado pela OIE, o que permite ao país comercializar sua carne para mais de 150 nações. A importação de animais, por vezes de origem onde não se observa o mesmo critério, é algo que pode prejudicar a comercialização do nosso produto.

O presidente da Acrimat ressalta que em relação aos preços, nada mudará.

A oferta de animais prontos pode resolver a situação de determinado frigorífico de certa região por uma, duas semanas. Mas, diante da possibilidade da importação, é importante chamar a atenção para o aspecto sanitário“.

A falta de animal pronto é uma realidade, existe uma escassez de animais devido a grande seca enfrentada pelos produtores mato-grossenses.

As chuvas estão voltando agora, e a recuperação de pasto só agora está se mostrando eficiente, o que nos dá a segurança em dizer que até março ou abril teremos animais prontos para abate“, analisa Oswaldo Ribeiro.

Do total do rebanho mato-grossense, que hoje chega a 30,1 milhões de cabeça. 85% são criados em pasto, e 15% em confinamento, o que assegura, com a retomada da normalização do regime de chuvas e a consequente recuperação das pastagens a entrega de animais prontos para abate nesse período.

E é sempre bom lembrar que a pecuária é uma atividade de produção e de médio e longo prazo, portanto estes animais prontos hoje já estavam programados há três, quatro anos; então o que temos hoje é porque o pecuarista trabalha e planejou e não por especulação, finaliza o presidente da Acrimat.

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ECONOMIA

Produção industrial de Mato Grosso acumula queda de 5,8% até novembro de 2020

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Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o setor da indústria, no Mato Grosso, acumulou queda de 5,8% na produção até novembro de 2020. O segmento mais afetado foi fabricação de produtos de madeira, que registrou perda de 24,7%. Já para os produtos alimentícios a redução foi de 2,4%. O único resultado positivo foi para fabricação de produtos químicos, que teve alta de 2,4%.

Segundo o superintendente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), Mauro Santos, o desempenho do setor no estado esteve em linha com o nacional, que teve recuo de 5,5% no acumulado de 2020.

Para ele, com essa baixa, os consumidores tiveram que pagar mais por produtos cujas matérias primas sofreram impacto no valor.

Essa falta de matéria-prima impacta nos preços, porque aumenta os custos da indústria, e esse custo é repassado ao consumidor final. Isso porque diversas matérias-primas tiveram aumento no preço que varia de 30% a 70%. Cito o exemplo do TDI poliol e do aço, que aumentaram mais de 100%, contribuindo para a alta nos preços dos produtos acabados”, explica.

Apesar disso, Santos projeta que, para 2021, haja um crescimento da produção industrial motivados pelo consumo de alimentos, de combustíveis e pela dinâmica da construção civil, que está incentivada por juros mais baixos e um estoque que atende às demandas.

Setor frigorífico

Considerado um dos mais representativos dentro da agroindústria de Mato Grosso, o setor frigorífico perdeu 8,06% de produção no mesmo período. A informação é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Ao todo, foram abatidas 4,8 milhões de cabeças até novembro do ano passado. Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos (Sindifrigo/ MT), de Paulo Bellicanta, a tendência é de continuidade na queda em 2021.

É claro e natural que o seu impacto foi o aumento no preço da carne para o consumidor final. Isso é inevitável. É uma lei de mercado: oferta e procura. De setembro em diante, houve uma escassez significativa na alta de preços, com a influência que eu acabei de dizer, relata.

Ainda segundo Bellicanta, a demanda continua e isso é notado com a elevação nos preços da carne.

A situação só deve se normalizar a partir do segundo semestre de 2022, quando finaliza o ciclo da pecuária, que leva de dois a três anos de duração”, afirma.

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