FATOS APURADOS

Vazamento de prova em concurso da SESP/MT é descartada pela Polícia Civil

Publicados

em

Na tarde da última segunda-feira (21), a Ouvidoria do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT) recebeu mais de 30 denúncias contra o concurso da Segurança de Pública do Estado de Mato Grosso (SESP/MT), realizado no domingo (20).

Entre as denúncias de irregularidades que estão sendo apontadas, estão a ausência de detectores de metal, celular vibrando em sala de aula e selfs (autofotografia) realizadas no local das provas. O Núcleo de Promotorias da Cidadania confirmou que todas as denúncias de irregularidades seriam analisadas.

Dentre as denúncias enviadas à parlamentar de irregularidades estão pagamento realizado sem identificação no sistema, incorrendo na exclusão indevida do candidato na lista de divulgação do local de prova; candidato que efetuou pagamento e não foi permitido realizar a prova, sobre a justificativa de limitação de idade; problema de identificação de candidatos na prova (ausência de coletor de digitais); uso de equipamentos eletrônicos em sala e no banheiro; inexistência de fiscalização para o porte indevido de equipamentos eletrônicos; prisão de um cidadão na cidade de Cáceres, por suspeita de estar realizando a prova no lugar de candidato inscrito; fotos circulando nas redes sociais de imagens da sala de aula.

Com apoio da Diretoria de Inteligência, a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão de Crimes Informáticos (DRCI) apurou que “não” houve vazamento de prova do concurso da Segurança Pública, realizado no último domingo (20), conforme apontava um vídeo que circulou em redes sociais e na internet.

Leia Também:  Riva abre o “bico” em depoimento e aponta Dante, Blairo e Silval como envolvidos nos esquema de corrupção em MT

O relatório investigativo da Delegacia Especializada de Repressão de Crimes Informáticos (DRCI) foi produzido com base em apontamentos realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e encaminhado, no final da tarde desta sexta-feira (25), ao Ministério Público Estadual (MPE).

Para apurar os fatos, a equipe da DRCI junto com peritos criminais do setor de computação forense da Politec, realizou buscas e coletas de evidências digitais na sede da Gerência de Exames e Concursos da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT)

Foram verificadas a infraestrutura de informática (rede e sistemas) e os procedimentos de manuseios e de uploads de cadernos de provas e gabaritos. Também foram examinados os registros do banco de dados da aplicação de gerenciamento de publicações da Gerência de Exames e Concursos da universidade.

A suspeita de possível fraude iniciou com a circulação de um link publicado na internet e em redes sociais anunciando um suposto vazamento do caderno de prova para o provimento de vagas para o cargo de aluno a soldado da Polícia Militar. Segundo as notícias divulgadas, o caderno estaria disponível desde o dia 11 de janeiro de 2022.

Leia Também:  Lucimar flexibiliza "Decreto" e diz que vai buscar consenso na Justiça para abertura do comércio

A notícia induzia à interpretação errônea de que o caderno de prova para o cargo de aluno a Soldado da PM já estaria disponível dias antes da aplicação da prova.

Segundo o delegado da Delegacia Especializada de Repressão de Crimes Informáticos (DRCI), Ruy Guilherme Peral, a data que aparece na pesquisa não se refere à data de disponibilização do caderno de provas, mas, sim, à de indexação da estrutura de diretórios do site.

Observou-se que os registros de banco de dados disponibilizados a apuração da Polícia Civil mostram que o caderno de provas em questão foi disponibilizado, na página oficial do concurso somente às 22 horas do domingo (20). Frise-se que, após finalização dos trabalhos periciais pela Politec, será estabelecida e evidenciada a linha cronológica dos eventos”, explicou o delegado.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Destaques

Pesquisadores e organizações alertam para degradação do Parque Cristalino

Publicados

em

Considerado um dos últimos “sobreviventes” do avanço do desmatamento ao norte de Mato Grosso, o Parque Estadual do Cristalino pode ser extinto em breve, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta semana. Com mais de 118 mil hectares, o parque foi criado há mais de 20 anos e instituído como Unidade de Conservação (UC), abrigando espécies raras da fauna e flora, incluindo algumas em extinção no Brasil.

Pesquisadores alertam sobre os riscos da degradação ambiental, expansão de atividades exploratórias, grilagens e até o desaparecimento de espécies exclusivas do bioma. Entidades socioambientais do estado já estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) saiu após um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que não obteve qualquer recurso por parte do estado, sinalizando a despreocupação com que questões ambientais vêm sendo tratadas em Mato Grosso.

Situado na divisa entre Novo Mundo e Alta Floresta, o Parque Estadual do Cristalino II é quase um “santuário” de mamíferos, aves e florestas tropicais. Entre os argumentos usados pelo Subprocurador-Geral de Defesa do Meio Ambiental, Davi Maia Castelo Branco Ferreira, está a ausência da realização de audiências públicas e estudos técnicos de viabilização para a criação de uma Unidade de Conservação à época do Decreto Estadual n.º 2.628, de 30 de maio de 2001. A tese acolhe um pedido da empresa agrícola Sociedade Comercial e Agropecuária Triângulo Ltda, localizada em São Paulo (SP).

De acordo com o biólogo e professor do Núcleo de Estudos da Biodiversidade da Amazônia Mato-grossense da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop, Domingos de Jesus Rodrigues, a primeira reação diante da notícia da extinção do parque foi de “incredulidade”. Segundo ele, a decisão vai na contramão do ponto de vista socioambiental.

Enquanto o mundo todo reforça a importância de preservar áreas de florestas para garantir o ciclo das águas, o equilíbrio ambiental, dentre outros pontos, uma decisão como essa, acaba com tudo. Ela revela o descompasso entre os interesses ambientais e jurídicos/econômicos em Mato Grosso”, alerta.

Por meio de um Termo de Cooperação Técnica assinado em 2009 entre a UFMT de Sinop e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema/MT), diversas pesquisas científicas são realizadas no Cristalino há mais de 10 anos. A parceria foi renovada em 2020 por, teoricamente, mais uma década.

Leia Também:  TRE reconhece que publicação feita por Diego Guimarães não tinha cunho eleitoral

No entanto, com a decisão de extinguir o parque, estudos ainda em andamento serão interrompidos, uma vez que o acesso ao local deve ser dificultado.

São mais de 10 dissertações, 30 artigos científicos, livros com a categorização de espécies, trabalhos de georreferenciamento, identificação de novas espécies. Tenho alunos que acabaram de retornar de lá e uma turma que seguiria na próxima semana para dar continuidade a pesquisas. Há projetos para proteção da biodiversidade, estações de medição do volume de chuvas, enfim, diversas atividades em andamento e em parceria com outras instituições. Fomos pegos totalmente de surpresa e agora a preocupação é quanto ao risco de degradação ambiental e perda de espécies raras, lamenta o biólogo.

Uma das espécies mais ameaçadas de extinção é o macaco-aranha-de-cara branca, encontrado raramente no Parque Cristalino e acompanhado por pesquisadores. O primata não “mora” no local por acaso. O biólogo e professor associado da UFMT de Sinop, conselheiro do Instituto Ecótono e presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Gustavo Rodrigues Canale, explica que a faixa amazônica em Mato Grosso é dividida em ecorregiões com particularidades. Assim, espécies encontradas em uma área só podem viver naquele local.

Quando se fala em Mato Grosso, muitas pessoas pensam só haver o Pantanal e o Cerrado, mas há uma faixa importante da Amazônia. Perdendo espécies neste local não há como ‘substituí-las’ em outro lugar, pois elas não sobrevivem. A área do Cristalino é estratégica para muitas espécies, porque fica na transição de dois biomas, a Amazônia e o Cerrado. Infelizmente, quando se olha para Mato Grosso, nota-se uma perda cada vez maior de florestas tropicais. Hoje, o norte do estado é praticamente um vazio de unidades de conservação. Perder o Cristalino é perder uma dessas poucas áreas, acrescenta.

Risco para outras unidades é levantado

Em nota divulgada nesta quinta-feira (04), o Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) alerta para o risco de a decisão afetar outras 18 Unidades de Conservação Estaduais, caso os questionamentos feitos em relação ao Cristalino desdobrem aos demais.

Com isso, o Estado de Mato Grosso perderia 1,38 milhões de hectares de áreas protegidas, colocando em cheque os seus compromissos internacionais de redução de emissão de carbono, a credibilidade dos seus posicionamentos quanto à sustentabilidade do estado e os fluxos de recursos para o desenvolvimento de baixo carbono e a modernização das práticas agropecuárias, cita um trecho do documento.

Dentre os riscos para estas unidades está o aumento nos conflitos agrários e avanço do desmatamento pelo agronegócio, como aponta Gustavo Canale.

O que deveria ser feito é aumentar as áreas de conservação em Mato Grosso, sobretudo na região norte, que já sofre com o desmatamento. É uma região preciosa e que deve ser preservada. A perda daquela área como Unidade de Conservação deve aumentar a possibilidade de disputas de terras e grilagens, o que coloca em risco várias espécies da fauna e flora”.

Diante da situação, e apesar do voto vencido do relator desembargador Luiz Carlos da Costa, que afirma que foi realizado estudo técnico para criação do Parque, organizações socioambientais de Mato Grosso, apoiadas por assessorias jurídicas e especializadas, estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

Leia Também:  ICV mapeia as brigadas de prevenção aos incêndios florestais em MT

Um dos pontos questionados sobre a decisão é quanto ao trânsito em julgado do processo para o Estado de Mato Grosso sem nenhum recurso judicial interposto pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), o que demonstra uma inércia do Poder Público na defesa de suas áreas de preservação.

No entanto, nesta última quinta-feira (04), a movimentação processual foi cancelada, cabendo recursos junto ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta sobre o caso, a Sema informou que por se tratar de decisão judicial de última instância, o Estado revogará o decreto. A pasta destaca que a decisão abrange “apenas” o Parque Cristalino II que possui mais de 80 mil hectares de área, enquanto o Parque Estadual do Cristalino com 66 mil hectares segue como unidade de Proteção Integral, sob gestão estadual.

Questionada sobre as pesquisas em andamento junto à UFMT de Sinop, o órgão informou que os estudos continuarão apenas no Cristalino, pois os recursos estão vinculados às Unidades de Conservação da Bacia Amazônia.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA