AÇÃO INTEGRADA

Trabalhadores vulneráveis ao trabalho escravo concluem curso de operador de escavadeira em MT

Publicados

em

O Projeto Ação Integrada (PAI), criado há mais de dez anos, figura-se como uma ação articulada entre três instituições públicas presentes no Estado de Mato Grosso, fruto da junção entre a Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso (SRTE/MT), o Ministério Público do Trabalho da 23ª Região (MPT) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

O PAI tem por objetivo o combate ao trabalho análogo ao de escravo, por meio de oferta de oportunidades, qualificação profissional, elevação educacional dos trabalhadores resgatados do trabalho análogo ao de escravo e/ou em situação de vulnerabilidade social, elevação de renda de trabalhadores e comunidades vulneráveis a essa situação no Estado de Mato Grosso.

Nesta última terça-feira (02), 18 trabalhadores, sendo 17 em condições de vulnerabilidade e 1 egresso do trabalho escravo, concluíram o curso de operador de escavadeira hidráulica (PC) ofertado pelo Projeto Ação Integrada (PAI) por meio de uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e receberam seus diplomas.

A diplomação foi realizada no Auditório do Ministério Público do Trabalho da 23ª Região (MPT/MT) na presença do procurador-chefe Danilo Vasconcelos, do auditor fiscal do trabalho, Amarildo Borges, representando a Superintendência Regional do Trabalho (SRTb/MT) e a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae/MT), e da Prof. Dra. Carla Reita, representando a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Richard Carlos representando a SEDUC, e Weslley Rondon de Figueiredo Teixeira representando o SENAI.

O curso foi ministrado na fazenda experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), localizada no município de Santo Antônio de Leverger (30 km de Cuiabá), e contou com a participação de trabalhadores dos municípios de Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Cáceres, Confresa, Cuiabá e Jaciara. Todos receberam ajuda de custo, quatro refeições diárias, alojamentos, transporte, kits de higiene e roupa de cama e banho.

Leia Também:  Deputados querem aumento de salário igual ao do Supremo

O agente de Ação Social do PAI, Pablo Friedrich, informa que os alunos foram identificados a partir do cruzamento de bancos de dados e informações fornecidas pelas Secretarias de Assistência Social, Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

A grade envolveu aulas de inclusão digital, ministradas no período matutino por alunos da UFMT, e aulas de aperfeiçoamento profissional para operação de PC, conduzidas pela equipe do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Os participantes também cumpriram uma carga horária com aulas de reforço oferecidas por professores da Escola Estadual Hermes de Abreu, por meio da Seduc/MT.

O PAI, idealizado pela Superintendência Regional do Trabalho (SRTb/MT) e executado desde 2009 em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e UFMT, tem por objetivo, de acordo com o auditor fiscal do trabalho Amarildo Borges, o combate ao trabalho análogo ao de escravo por meio de oferta de oportunidades, qualificação profissional, elevação educacional dos trabalhadores resgatados do trabalho análogo ao de escravo ou em situação de vulnerabilidade social, elevação de renda de trabalhadores e comunidades vulneráveis a essa situação no Estado de Mato Grosso.

A importância do Projeto Ação Integrada deve ser entendida levando em conta o combate efetivo do trabalho escravo, que envolve diversos aspectos, além do trabalho de repressão, do combate direto ao trabalho escravo, que é com as ações da auditoria fiscal do trabalho, e a retirada dos trabalhadores. É importante que depois que isso ocorra existam políticas públicas que complementem essa situação repressiva ao trabalho escravo“, contextualiza Amarildo Borges.

Novos Horizontes

Segundo o auditor fiscal Amarildo Borges, o PAI cumpre muito bem esse objetivo, pois possibilita a essas pessoas um novo horizonte na vida dando qualificação a eles, elevação educacional e acesso ao mercado formal do trabalho, além de qualificar e dar uma profissão e exercer o papel de buscar a conscientização política e social do entendimento da cidadania dessas pessoas.

Na verdade, nesses 12 anos, o PAI cumpre um papel importante que, na verdade, deveria ser cumprido pelo Estado de uma forma geral, que é dar condições de uma forma que se qualifiquem e também para que as pessoas não fiquem vulneráveis a essa situação“, ressalta o auditor.

Para Amarildo Borges, a atuação da inspeção do trabalho no combate ao trabalho escravo é indispensável, porque é através desse processo inicial de repressão e retirada dos trabalhadores em situação escrava que é possível dar visibilidade à questão do trabalho escravo.

E também possibilita que essas pessoas sejam atendidas por políticas públicas no momento seguinte, que é o que o Ação Integrada faz“, completou.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Destaques

Pesquisadores e organizações alertam para degradação do Parque Cristalino

Publicados

em

Considerado um dos últimos “sobreviventes” do avanço do desmatamento ao norte de Mato Grosso, o Parque Estadual do Cristalino pode ser extinto em breve, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta semana. Com mais de 118 mil hectares, o parque foi criado há mais de 20 anos e instituído como Unidade de Conservação (UC), abrigando espécies raras da fauna e flora, incluindo algumas em extinção no Brasil.

Pesquisadores alertam sobre os riscos da degradação ambiental, expansão de atividades exploratórias, grilagens e até o desaparecimento de espécies exclusivas do bioma. Entidades socioambientais do estado já estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) saiu após um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que não obteve qualquer recurso por parte do estado, sinalizando a despreocupação com que questões ambientais vêm sendo tratadas em Mato Grosso.

Situado na divisa entre Novo Mundo e Alta Floresta, o Parque Estadual do Cristalino II é quase um “santuário” de mamíferos, aves e florestas tropicais. Entre os argumentos usados pelo Subprocurador-Geral de Defesa do Meio Ambiental, Davi Maia Castelo Branco Ferreira, está a ausência da realização de audiências públicas e estudos técnicos de viabilização para a criação de uma Unidade de Conservação à época do Decreto Estadual n.º 2.628, de 30 de maio de 2001. A tese acolhe um pedido da empresa agrícola Sociedade Comercial e Agropecuária Triângulo Ltda, localizada em São Paulo (SP).

De acordo com o biólogo e professor do Núcleo de Estudos da Biodiversidade da Amazônia Mato-grossense da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop, Domingos de Jesus Rodrigues, a primeira reação diante da notícia da extinção do parque foi de “incredulidade”. Segundo ele, a decisão vai na contramão do ponto de vista socioambiental.

Enquanto o mundo todo reforça a importância de preservar áreas de florestas para garantir o ciclo das águas, o equilíbrio ambiental, dentre outros pontos, uma decisão como essa, acaba com tudo. Ela revela o descompasso entre os interesses ambientais e jurídicos/econômicos em Mato Grosso”, alerta.

Por meio de um Termo de Cooperação Técnica assinado em 2009 entre a UFMT de Sinop e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema/MT), diversas pesquisas científicas são realizadas no Cristalino há mais de 10 anos. A parceria foi renovada em 2020 por, teoricamente, mais uma década.

Leia Também:  Vazamento de prova em concurso da SESP/MT é descartada pela Polícia Civil

No entanto, com a decisão de extinguir o parque, estudos ainda em andamento serão interrompidos, uma vez que o acesso ao local deve ser dificultado.

São mais de 10 dissertações, 30 artigos científicos, livros com a categorização de espécies, trabalhos de georreferenciamento, identificação de novas espécies. Tenho alunos que acabaram de retornar de lá e uma turma que seguiria na próxima semana para dar continuidade a pesquisas. Há projetos para proteção da biodiversidade, estações de medição do volume de chuvas, enfim, diversas atividades em andamento e em parceria com outras instituições. Fomos pegos totalmente de surpresa e agora a preocupação é quanto ao risco de degradação ambiental e perda de espécies raras, lamenta o biólogo.

Uma das espécies mais ameaçadas de extinção é o macaco-aranha-de-cara branca, encontrado raramente no Parque Cristalino e acompanhado por pesquisadores. O primata não “mora” no local por acaso. O biólogo e professor associado da UFMT de Sinop, conselheiro do Instituto Ecótono e presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Gustavo Rodrigues Canale, explica que a faixa amazônica em Mato Grosso é dividida em ecorregiões com particularidades. Assim, espécies encontradas em uma área só podem viver naquele local.

Quando se fala em Mato Grosso, muitas pessoas pensam só haver o Pantanal e o Cerrado, mas há uma faixa importante da Amazônia. Perdendo espécies neste local não há como ‘substituí-las’ em outro lugar, pois elas não sobrevivem. A área do Cristalino é estratégica para muitas espécies, porque fica na transição de dois biomas, a Amazônia e o Cerrado. Infelizmente, quando se olha para Mato Grosso, nota-se uma perda cada vez maior de florestas tropicais. Hoje, o norte do estado é praticamente um vazio de unidades de conservação. Perder o Cristalino é perder uma dessas poucas áreas, acrescenta.

Risco para outras unidades é levantado

Em nota divulgada nesta quinta-feira (04), o Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) alerta para o risco de a decisão afetar outras 18 Unidades de Conservação Estaduais, caso os questionamentos feitos em relação ao Cristalino desdobrem aos demais.

Com isso, o Estado de Mato Grosso perderia 1,38 milhões de hectares de áreas protegidas, colocando em cheque os seus compromissos internacionais de redução de emissão de carbono, a credibilidade dos seus posicionamentos quanto à sustentabilidade do estado e os fluxos de recursos para o desenvolvimento de baixo carbono e a modernização das práticas agropecuárias, cita um trecho do documento.

Dentre os riscos para estas unidades está o aumento nos conflitos agrários e avanço do desmatamento pelo agronegócio, como aponta Gustavo Canale.

O que deveria ser feito é aumentar as áreas de conservação em Mato Grosso, sobretudo na região norte, que já sofre com o desmatamento. É uma região preciosa e que deve ser preservada. A perda daquela área como Unidade de Conservação deve aumentar a possibilidade de disputas de terras e grilagens, o que coloca em risco várias espécies da fauna e flora”.

Diante da situação, e apesar do voto vencido do relator desembargador Luiz Carlos da Costa, que afirma que foi realizado estudo técnico para criação do Parque, organizações socioambientais de Mato Grosso, apoiadas por assessorias jurídicas e especializadas, estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

Leia Também:  DEM define táticas para eleições 2018

Um dos pontos questionados sobre a decisão é quanto ao trânsito em julgado do processo para o Estado de Mato Grosso sem nenhum recurso judicial interposto pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), o que demonstra uma inércia do Poder Público na defesa de suas áreas de preservação.

No entanto, nesta última quinta-feira (04), a movimentação processual foi cancelada, cabendo recursos junto ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta sobre o caso, a Sema informou que por se tratar de decisão judicial de última instância, o Estado revogará o decreto. A pasta destaca que a decisão abrange “apenas” o Parque Cristalino II que possui mais de 80 mil hectares de área, enquanto o Parque Estadual do Cristalino com 66 mil hectares segue como unidade de Proteção Integral, sob gestão estadual.

Questionada sobre as pesquisas em andamento junto à UFMT de Sinop, o órgão informou que os estudos continuarão apenas no Cristalino, pois os recursos estão vinculados às Unidades de Conservação da Bacia Amazônia.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA