SETEMBRO AMARELO

SES-MT realiza o IV Encontro Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio

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Aproveitando a data mundial, a campanha “Setembro Amarelo” foi criada no Brasil em 2015. O projeto é um trabalho conjunto do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio no dia 10 de setembro.

O objetivo é conscientizar sobre a prevenção do suicídio e dar visibilidade à causa. Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se envolveram neste movimento.

Os índices crescentes de suicídios nas últimas décadas alertam sobre a importância de falar sobre o assunto. Ainda há muito tabu acerca do tema, mas o colocar em pauta na sociedade é fator importante para evitar a perda de outras vidas.

É nesse cenário que o Setembro Amarelo ganha cada vez mais força. A campanha mobiliza a sociedade para conscientização sobre o tema, falando sobre como identificar sinais da ideação suicida, como ajudar ou buscar ajuda.

Com o objetivo de contribuir com a campanha Setembro Amarelo, a Superintendência do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) elaborou um relatório detalhado das ocorrências de suicídio em Mato Grosso. O estudo é publicado neste 10 de setembro, considerado o Dia Mundial de Prevenção.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam que o número de suicídios no Brasil em 2020 foi de 12.895, com variação de 0,4% em relação a 2019, quando foram registrados 12.745 casos.

Em contraponto ao dado nacional, Mato Grosso apresentou aumento considerável de suicídios de 18%, passando de 226 casos em 2019 para 267 no ano passado. Já no primeiro semestre de 2021, o estado teve redução. Foram 118 casos, sendo que no mesmo período do ano passado foram 132. No acumulado de 2016 a 2020 (janeiro a dezembro) e janeiro a julho de 2021, foram 1.190 ocorrências.

No detalhamento das ocorrências, em todos os anos analisados, os homens foram a maioria das vítimas, em relação às mulheres. Dos 1.190 casos, em 922, ou seja, em 77,4% as vítimas foram do sexo masculino, enquanto 268 foram do sexo feminino. O local do fato coincide como residência das vítimas, para ambos os sexos.

O relatório ressalta ainda que as mulheres jovens que sofrem violência doméstica têm maior risco de cometer suicídio, com base em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde entre 2011 e 2015. Ela mostrou que mulheres que tinham notificação prévia de violência doméstica apresentavam 30 vezes mais risco de morrerem por suicídio quando comparadas com mulheres sem notificação prévia de violência.

Primeiro semestre

Dos 118 suicídios identificados no primeiro semestre de 2021 em Mato Grosso, quatro deles ocorreram logo após a vítima cometer o crime de feminicídio. O mês de junho apresentou o maior número de casos, 24. A sexta-feira foi o dia da semana com maior incidência de registros (22), seguida pela quarta-feira (20). O período matutino apresenta-se como a faixa horária com maior número de casos, sendo que entre as 6h e 11h59, ocorreram 47 dos 118 suicídios levantados. Em seguida, com 28 casos, foi identificado o intervalo entre 18h e 23h59.

A faixa etária de 35 a 64 anos também coincide como maioria para homens e mulheres vítimas de suicídio. Foram 45 casos masculinos e 10 femininos. A segunda maior faixa etária é de 18 a 24 anos, com 14 homens vítimas e 3 mulheres.

A superintendente do Observatório de Segurança Pública, que é vinculado à Adjunta de Inteligência da Sesp-MT, Tatiana Pilger, explica que o relatório visa colaborar com políticas estruturais para a prevenção do suicídio.

São necessárias medidas de proteção socioeconômica a pessoas de maior vulnerabilidade, assim como ações de educação em saúde e auxílio da mídia para divulgação dos canais de atenção psicossocial e prevenção ao suicídio”.

Saúde e bem estar

Políticas que visam à equidade em saúde e a melhoria da qualidade de vida e dos modos de viver são destacadas como fundamentais pela coordenadora de Promoção e Humanização da Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Rosiene Rosa Pires.

Nestes anos a SES-MT vem dedicando as ações e diálogos em prol da promoção da vida e prevenção do suicídio no Setembro Amarelo e também durante o ano. Vemos a necessidade de investir na promoção da saúde, como política de inclusão e justiça social, fomentando os direitos fundamentais a todos, que perpassam pelos determinantes sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais”.

Segundo ela, a ampliação de centros especializados também é importante, pois a existência de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nos municípios reduz em 14% o risco de suicídio. Para 2021, o órgão dará visibilidade à promoção da cultura da paz.

Vamos abordar as tecnologias sociais que favoreçam a mediação de conflitos diante de situações de tensão social. Outro ponto é a inserção das práticas corporais, atividades físicas, arte, cultura e lazer como estratégias para a promoção da vida e, consequentemente, o enfrentamento ao suicídio”.

Ela lembra que nos dias 14 e 15 de setembro a SES-MT realizará o IV Encontro Intersetorial de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio no “Setembro Amarelo“. O evento será transmitido pelo canal YouTube da Escola de Saúde Pública, a partir das 8h30.

Serviço

O Centro de Valorização da Vida (CVV) promove apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimentos gratuitos a qualquer pessoa. O centro garante sigilo total e atende por telefone, e-mail e chat 24 horas por dia, nos sete dias da semana, pelo telefone 188. Os CAPS’s também prestam este apoio, com unidades distribuídas pelos municípios.

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Destaques

51 milhões de pessoas viveram abaixo da linha da pobreza

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A pobreza e a extrema pobreza continuam, ano após ano, a ser uma grande marca na sociedade brasileira. As características e a distribuição da população em situação de pobreza e extrema pobreza chamam a atenção.

A pobreza e a extrema pobreza têm efei-tos terríveis para a dignidade das pessoas e, no caso de crianças e adolescentes, trazem consequências irreparáveis. A situação compromete irreversivelmente seu desenvolvimento, condenando-os ao estado perpétuo de vulnerabilidade. Crianças criadas em um ambiente de privação e violência não conseguem crescer, estudar e trabalhar, o que dificulta que se tornem adultos independentes, perpetuando o ciclo de pobreza.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que, mesmo com programas de transferência de renda como o Auxílio Emergencial e outros promovidos por estados e municípios, quase 51 milhões de pessoas viveram na linha abaixo da pobreza em 2020, primeiro ano da pandemia. Ou seja, um em cada quatro brasileiros sobreviveu com menos de R$ 450 reais mensais no ano passado.

Se foi ruim com os recursos públicos adicionais, pior seria sem esses programas sociais. Segundo o IBGE, sem eles, o total de pessoas abaixo da linha da pobreza teria saltado de 50,953 milhões (24,1% dos brasileiros) para 67,729 milhões (32,1% da população). Em 2019, antes da Covid-19 e da concessão desses auxílios, 25,9% das pessoas viviam nessa condição no país.

Ainda de acordo com a pesquisa, sem os auxílios decorrentes da pandemia, os 21 milhões de brasileiros mais pobres teriam sobrevivido com R$ 13 por mês. Com os benefícios públicos, essa parcela da população ficou, em média, com R$ 128 por mês. Ou R$ 4,27 por dia. Esse grupo havia recebido, em média, R$ 111 mensais em 2019.

O IBGE também mostra outro dado dramático da realidade brasileira: mesmo com os auxílios emergenciais, 12,046 milhões de pessoas (5,7% da população) viveram abaixo da linha de miséria em 2020. O número de miseráveis teria mais que dobrado sem os benefícios concedidos pelo poder público no ano passado, alcançando 27,313 milhões de pessoas, ou 12,9% dos brasileiros.

Para a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial, vive na miséria quem tem renda familiar per capita inferior a R$ 155 por pessoa. Com a pandemia, o nível de ocupação no Brasil atingiu menor média histórica, apenas 51%. O indicador revela as desigualdades raciais e de gênero no Brasil.

Segundo o IBGE, a população ocupada branca teve, em média, rendimento de R$ 3.056 ano passado. Um valor 73,3% superior à média de R$ 1.764 de rendimentos da população preta ou parda. Para os homens, o rendimento médio, de R$ 2.608, foi 28,1% maior do que o das mulheres, que ficou em R$ 2.037.

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