MUDAR

Entre o desejo e a realidade

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Entramos a campanha eleitoral agora em novembro, com os candidatos 90% definidos e a dura realidade de uma eleição sem cara e sem cor. Não é uma eleição vermelha ou amarela, nem azul ou verde, temos uma verdadeira salada mista. Coligações improváveis ou mesmo tradicionais por pura conveniência eleitoral. Nesse último caso, o cenário mudou pouco.

Parece que a vontade e desejo de uma grande mudança de tudo que temos visto em política nos últimos anos é predominante. Talvez porque o sentimento da grande maioria é de que existe falta de opções políticas de renovação com um conceito mais ético, principalmente fora dos padrões do atual de governo e do anterior.

As últimas pesquisas mostram que o desejo de mudança tem atraído uma parte considerável dos eleitores. Sem dúvida a intenção de voto que aconteceu com o nosso presidente da Republica, Jair Messias Bolsonaro é o mais puro e claro sinal desta vontade de mudar. A diferença entre o desejo e a realidade é sempre cruel e existe um paradoxo entre ambos. A nossa infeliz realidade é que o Brasil criou um sistema, tanto político quanto social e estrutural que funciona com grande ineficiência em quase todas áreas: saúde, educação e segurança pública.

A chamada “O país que quero” que a Rede Globo fez por todo Brasil em rede nacional explica um pouco deste sentimento e todos desejos pretendidos são sempre no mesmo tom.

Eu desejo um país que não tenha corrupção e tenhamos políticos honestos. Desejo que os hospitais tenham um atendimento mínimo e humanizado para a população. Desejo que tenhamos uma melhor distribuição de renda. Desejo que tenhamos um mínimo de segurança aceitável dentro dos padrões social”.

O cerne da questão é que não encontramos um político que preencha todas as nossas aspirações. Que não pratique o tão conhecido “toma lá, dá cá” e tenha capacidade administrativa e gerencial para montar uma equipe de alto nível e de altos padrões éticos. Ainda é importante não retroceder em situações já superadas, tanto no campo econômico quanto no campo político e trabalhista. Retomar esses debates não favorece o país e pode representar perdas que irão demorar décadas para serem recuperadas, bem como arriscar a baixa inflação e juros baixos.

Já tivemos essa experiência em alguns Estados do Brasil e o Rio de Janeiro é o exemplo mais evidente do que estamos falando. Na última eleição para prefeito, Marcelo Crivella foi o vencedor e o resultado ficou muito pior que se imaginava com o Rio entregue à total inoperância da máquina.

É o velho ditado se concretizando: está ruim, mas pode ficar muito pior. Sob o governo de Sérgio Cabral e Crivella, o Rio voltou uma década em muitas áreas, principalmente na questão da segurança pública e, no caso do Crivella, a volta do comércio sem lei nas ruas.

É por isto que devemos atentar e evitar escolhas embasadas mais pelo descontentamento do que na busca da virtude do candidato.

Vamos aos candidatos.

Desejo que os nossos candidatos a Prefeitura de Cuiabá nesta eleição acabe com a criminalidade desenfreada, investindo em Saúde, Educação, Infraestrutura.

A pergunta correta é: como fazer e de que forma priorizar o pouco orçamento disponível? Aos candidatos, perguntaria como vamos finalizar as centenas de obras de infraestrutura que estão inacabadas e geram um enorme prejuízo para o município? Vimos no passado a criação de programas e liberação de recursos com a promessa da criação de novos empregos. A realidade foi a perda de recursos públicos por falta e empenho.

São perguntas objetivas que não podem ter respostas vagas. Servem para avaliar a melhor a estratégia e a convicção de realizar do candidato, sem perder de vista seus desejos e a realidade do cenário político brasileiro.

Cada vez mais, está se diminuindo o tempo e o espaço para promessas simplesmente populistas: vou acabar com a fome no país, vou dar moradia decente para os nossos cidadãos, vou resolver e vou fazer.

O povo hoje já tem muito mais capacidade de avaliar as promessas. Temos quase um celular por habitante e isto gera informação. Estes dois exemplos são a essência desta matéria. Entre o desejo e a realidade. Poderíamos perguntar a todos os outros candidatos que tem o mesmo discurso o que eles desejam. A dura realidade, entretanto, é que possivelmente teremos uma alta renovação do Congresso Nacional, segundo as pesquisas e nesse ponto começa o maior problema do novo Executivo que será eleito este ano.

Não existe governabilidade sem a bênção do legislativo. A história mostra que governar sem o apoio do centro, é pura ficção, haja visto o que aconteceu com os ex-presidentes Collor e Dilma que, órfãos de apoio na Câmara, foram retirados dos cargos via impeachment principalmente por contrariar os desejos do Congresso. O mesmo acontece agora com o atual presidente, que chegou a ensaiar a reforma da Previdência e foi dado um sonoro não a ele pelo Legislativo.

Se realmente queremos mudança, o foco deve ser na base legislativa, pois é de lá que irão acontecer as principais mudanças. Acredito fielmente que a figura de um Don Quixote e seu escudeiro não mudarão efetivamente nada, por maior que seja o desejo de todos. É necessário um governo mais forte e com mais coligações partidárias para aprovar profundas reformas.

Acreditar que presidentes controlam corrupção é acreditar em história da carochinha e, se fosse assim, o PT teria conseguido controlar alguma coisa neste sentido. As instituições são autocontroladas por meio de normativos independentes, como vem acontecendo agora através das instituições democráticas. Por isto me causa estranheza tanta gente culta enaltecendo determinados candidatos que seriam “da mudança”.

Faço a pergunta: mudança de quê?

Espero que tenham razão, pois este também é o desejo da equipe do Blog do Valdemir, mas, como disse no início, pode ser mais desejo do que realidade este profundo desejo de mudança.

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Covid-19: Gostaram prefeitos de Mato Grosso? Afrouxaram o isolamento agora vem as consequências

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Apesar de configurar na classificação de risco baixo de infecção pelo Coronavírus, conforme mostra o documento a partir da página 12, do Boletim Informativo com o panorama epidemiológico da situação em Mato Grosso.

Apesar de esse status por trinta dias, 2 de novembro, Ribeiraozinho foi a última cidade classificada com risco “moderado“.

Apesar da “média móvel de 7 dias” demonstrar tendência de queda, dos casos de Covid-19.

Apesar de que nunca tenha existido de fato um isolamento da população, o que temíamos aconteceu: os cuidados essenciais para prevenção da Pandemia da Covid-19, foi deixado de lado por uma grande parcela da população.

Os mato-grossenses vivem um clima de “acabou a pandemia”, os registros de aglomerações em eventos sociais e familiares tem sido frequentes, além das atividades comerciais e indústrias.

Os frutos desse comportamento têm refletido diretamente no número de pessoas diagnosticadas com Coronavírus e consequentemente na taxa de ocupação de leitos hospitalares. A situação vem preocupando autoridades, entidades médicas e órgãos de saúde pública.

A população mato-grossense começa a ficar angustiada. É preciso que cada um tenha consciência, entretanto, é de suma importância que seja feita uma Lei ou Decreto. Assim com a consciência de cada um e medidas por parte dos prefeitos, será possível aguardamos o mês de março, quando a população brasileira começará a ser vacinado contra a Covid-19.

PS: só para registrar aí na sua memória, os casos  estão aumentando não é por culpa do Flamengo que foi eliminado da Copa Libertadores da América 2020, mas sim, do relaxamento da população e principalmente dos prefeitos dos municípios do Estado de Mato Grosso que,  por causa das eleições municipais, abriram, liberaram tudo, menos aglomerações em suas casas.

O índice do distanciamento está de 37,2%, segundo levantamento da empresa do Software InLoco.

O número está abaixo do verificado no dia 23 de março (52,4%), quando foram estabelecidas as primeiras medidas restritivas em Cuiabá. Bem inferior ao considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que é 70%.

O distanciamento social é apontado como uma das medidas mais importantes e eficazes para reduzir o avanço da Pandemia da Covid-19, que ainda não acabou.

Nesta semana inclusive um grupo de pesquisadores brasileiros alertou para o que eles identificaram como o começo da segunda onda da Pandemia no país.

De acordo com informações do Jornal Nacional, o estudo traz assinatura de seis especialistas, de cinco universidades e institutos de pesquisas do país.

Dados

Foram notificados 744 novas confirmações de casos de Coronavírus e 10 mortes nas últimas 24 horas. Dos 159.726 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, 2.698 estão em isolamento domiciliar e 152.392 estão recuperados.

A taxa de ocupação está em 34,99% para UTIs adulto e em 15% para enfermaria adulto. Em oito meses de Pandemia foram registrados 4.142 óbitos.

Teste em Mato Grosso

Cerca de 500 mil pessoas em Mato Grosso já passaram por algum teste para diagnóstico da Covid-19, desde o início da Pandemia. Os resultados positivos representam 30% dos testados. Os números na Pnad Covid-19, foram divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As mulheres são o público mais frequente com 240 mil testes e os homens com 236 mil exames. As pessoas que receberam resultado positivo para o contágio passou de 119 mil em setembro, para 132 em outubro.

Elas eram até outubro 3,9% da população de Mato Grosso.

Se considerados os dados de julho, o grupo que já adoeceu quase dobrou. No mês de aceleração para o pico havia 79 mil com resultado positivo.

Os casos de Covid-19, em menores de idade tiveram  um aumento na capital entre 22 e 28 de novembro. O Boletim da Prefeitura de Cuiabá aponta um crescimento de 534% nos casos em crianças e 751% em adolescentes. Apesar do aumento da incidência, felizmente, as mortes estão em queda.

Toque de recolher

O Estado de Santa Catarina anunciou toque de recolher para todas as cidades do Estado. A decisão, que vai valer durante a madrugada, foi tomada no final da tarde desta quarta-feira (2), em reunião entre o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) e representantes da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), e no mesmo dia em que 15 das 16 regiões foram classificadas com risco gravíssimo para Coronavírus.

A decisão tem como objetivo frear o avanço da doença ao mesmo tempo em que mantém as atividades econômicas do Estado. 

A velocidade de ação das autoridades é fundamental no combate ao novo coronavírus.

Vacinação? Só em março de 2021.

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