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Wilson Pires de Andrade: – 16 ANOS SEM O IMORTAL UBALDO MONTEIRO, O MAIOR HISTORIADOR DE VÁRZEA GRANDE

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16 ANOS SEM O IMORTAL UBALDO MONTEIRO, O MAIOR HISTORIADOR DE VÁRZEA GRANDE

Autor: Wilson Pires de Andrade

Cada fato, por mais insignificante que pudesse parecer, era sempre anotado cuidadosamente em um caderno pelo historiador, assim foi pautado o seu cotidiano.

Ubaldo Monteiro se orgulhava de conhecer com uma incrível riqueza de detalhes quase toda a história de Várzea Grande. “Um povo e uma cidade têm que ter história”, costumava dizer aos amigos e admiradores, ao lembrar cada data marcante vivida pela população várzea-grandense.

Jeito simples, olhar curioso, voz firme, com uma fome voraz de aprendizado, ele sempre estava descobrindo fatos novos sobre a Cidade Industrial.

Foi um dos poucos, por exemplo, que registrou fatos da Igreja Nossa Senhora da Guia, uma das mais antigas de Mato Grosso e maior patrimônio religioso, histórico e cultural do município. Inesgotável fonte de saber para os jovens, Monteiro lamentava o desinteresse dos estudantes pela pesquisa da história.

Poeta, jornalista, escritor, intelectual e coronel da Polícia Militar, o imortal Ubaldo Monteiro da Silva nasceu em 16 de maio de 1916, em Várzea Grande. Deixou de ser simples cidadão mato-grossense para fazer parte da história de Várzea Grande. Admirado por alguns, respeitado por todos, Ubaldo Monteiro foi uma espécie de Olavo Billac pós-moderno, guardadas as devidas proporções, segundo definição do então poeta e historiador cuiabano Lenine de Campos Povoas.

Nascido de família humilde, Ubaldo Monteiro era filho do casal Alfredo Monteiro da Silva e Ana Emília da Silva. Casado com dona Neuza Ribeiro Monteiro da Silva, teve quatro filhos. Suas maiores paixões sempre foram a família, a literatura e a história.

Intelectual nato, ele era descendente das antigas gerações dos Monteiro e Pompeo de Campos, oriundos de Nossa Senhora do Livramento, dos tempos dos bandeirantes.

Ubaldo Monteiro passou a sua juventude em Cuiabá. Cursou o primário e bacharelou-se em Ciências e Letras na Escola Liceu Cuiabano (Colégio Estadual).

Depois, serviu o Exército. Gostou da vida militar, o que o levou a cursar a Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Já formado, retornou para Cuiabá em 1943, para ser oficial da Polícia Militar de Mato Grosso. Exerceu vários cargos, como o de Diretor Geral do Departamento de Trânsito de Mato Grosso – DETRAN e cumpriu missões importantes, muitas classificadas como de segurança extrema.

Sempre inovador, em 1951 fundou o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Mato Grosso. Dirigiu a Academia até 1956. Foi mestre em quatro disciplinas. Respeitado. Admirado. Obedecido.

VIDA PÚBLICA

Em 1957, Ubaldo Monteiro se licencia da PM para se candidatar a deputado estadual. Ciente de que seria útil trabalhando por Várzea Grande e pela Baixada Cuiabana, foi candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Enfrentou o poderio econômico dos políticos de Campo Grande e de toda região Sul do Mato Grosso (hoje Estado do Mato Grosso do Sul). Venceu. Foi sexto deputado estadual mais votado.

Já nas eleições de 1962, em sua reeleição, ficou como primeiro suplente, e um ano depois assumiu mais vez a cadeira de deputado estadual. Querido em Várzea Grande e admirado em Cuiabá, cumpriu o seu segundo mandato até 1966.

Desiludido com a política, principalmente por causa do sistema de governo implantado pelo presidente da República Castello Branco, Ubaldo Monteiro deixou a política e, apesar dos apelos dos correligionários, não se candidatou à reeleição. Decidiu que havia chegado o momento de dedicar-se à família e à sua maior paixão: a literatura. Ainda na política, a sua esposa, dona Neuza Ribeiro Monteiro e seus filhos Afrânio e Afonso, foram vereadores na cidade de Várzea Grande.

Como deputado, lutou por melhores salários para os policiais militares e conseguiu aprovar projetos de sua autoria de suma importância, como o dos Estatutos e o da Lei de Inatividade de Oficiais e Praças da Polícia Militar. Além disso, a aprovação de vários projetos em benefício da causa pública e dos policiais do Estado.

Retornando ao cotidiano da caserna, passou para a reserva como Chefe do Estado Maior da Polícia Militar.

Sondado para ser candidato a prefeito de Várzea Grande, por duas vezes, não aceitou a candidatura. Primeiro, para servir no Departamento Penitenciário, onde exerceu o cargo de diretor de duas penitenciárias. Depois, para se dedicar à literatura e à historiação.

LITERATURA

Como escritor, Ubaldo Monteiro se revelou um dos mais ferrenhos defensores das tradições mato-grossenses. Suas obras têm sempre um toque refinado de sentimento nativista. “Tem que escrever com a alma, definia.

Dedicado à literatura, Monteiro escreveu mais de oito livros, entre eles: “No Portal da Amazônia” – contando a história do primeiro século de Várzea Grande; “Cuiabaninhos” – Contos; “Meus Varzeanos – versos; “Flashes dos 250 anos de Cuiabá”; “A Polícia Militar de Mato Grosso” – histórias; “Flor de Pequi” – romance regional; “Poesiprosa” – poesias; “Os Varzeanos” e “Meus Varzeanos II” – romances inéditos; “No Portal da Amazônia” – história; “Senzalas Mato-grossenses” – contos; e “Várzea Grande: passado e presente, confrontos”.

Como autor de várias músicas, destaca-se “A Marcha do Centenário e o Hino Oficial de Várzea Grande”.

Gostava de festas, de tomar uns whiskys de vez em quando e era frequentador assíduo do Bar e restaurante Kavú. No esporte, participava apaixonadamente na vida do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, indo sempre aos estádios para acompanhar os jogos.

Ubaldo Monteiro da Silva ocupou com muita competência uma cadeira na Academia Mato-grossense de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Foi presidente da Casa da Cultura de Várzea Grande e da Biblioteca Municipal. Quando alguém necessitava de informações históricas da cidade de Várzea Grande, não tinha dúvida, buscava o socorro providencial de Ubaldo Monteiro.

Tamanho conceito rendeu a Ubaldo Monteiro grandes homenagens. Ele foi agraciado por várias entidades e órgãos governamentais. Entre as honrarias recebidas pelo reconhecimento aos seus serviços prestados, Monteiro recebeu a Ordem de Mérito de Mato Grosso e a Ordem do Mérito Legislativo de Mato Grosso. São as maiores honrarias conferidas a um cidadão mato-grossense pelo Poder Executivo e pela Assembleia Legislativa.

Ubaldo Monteiro da Silva morreu aos 88 anos no dia 23 de maio de 2004.

Assim era Ubaldo Monteiro, poeta, jornalista, escritor, historiador, coronel da Polícia Militar, amigo de todas as horas e imortal!!!!!!!!!

Wilson Pires de Andrade – Jornalista.

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Laura Petraglia: – Quando o amor não resiste à Pandemia

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          Quando o amor não resiste à Pandemia

Autora: Laura Petraglia

Não sou nenhuma especialista comportamental, muito menos em relacionamentos (ironicamente minha vida amorosa que o diga), mas, desde que começou a Pandemia da Covid19 e a recomendação de distanciamento/isolamento, como jornalista curiosa em comportamento humano, ouvinte atenciosa de desabafos dos amigos e bela observadora que sou, comecei a notar diversos relacionamentos desabando ao meu redor nos últimos 40 dias, isso sem falar dos famosos que anunciaram a separação neste período.

Diante disso, meu objetivo com esse artigo é que façamos juntos, uma reflexão sobre a volatilidade e fragilidade das relações que temos cultivado e por que, cada vez mais, nos tornamos uma multidão de sozinhos. Nunca antes dessa quarentena a frase ‘cuidado com o vazio de uma vida cheia demais’ fez tanto sentido para mim. A gente liga o piloto automático e vai passando por cima daquilo que devíamos tentar entender e consertar nas relações. Vai preenchendo os problemas e a ‘solidão a dois’ dos relacionamentos com compromissos sociais, trabalho, consumo e outras condutas que não nos faça ter tempo para o cultivo.

Meus pais foram casados pela vida toda e, assim como no casamento dos meus avós, só existia para eles a opção do o ‘até que a morte os separe’. Passei vida ouvindo-os dizer que eram de uma época em que se as coisas quebravam, buscava-se consertar e não jogar fora. Mas usei esse contexto para dizer que maioria das narrativas dos casais com quem tenho conversado e que decidiu se separar durante a quarentena, diz que a convivência diária ‘forçada’ durante esse período trouxe à tona as mazelas que vinham colocando embaixo do tapete ou que foi a gota d’água que fez o copo transbordar. É óbvio que não somos obrigados a viver infelizes, mas por que nos tornamos tão preguiçosos e impacientes no cultivo das relações?

O fato é que amparados sempre na justificativa da falta de tempo e pela vida corrida demais, preferimos ir ‘passando por cima’ de comportamentos que nos incomodam em nossos parceiros ou, ainda, não ‘desgastar’ a relação com longas conversas. Mas o problema é que amor é cultivo diário, é como planta que precisa ser regada, na maioria das vezes aparada, podada para poder crescer no formato certo e florir e, quando a vida parou durante esse isolamento social, quando a gente se viu com tempo e obrigado a olhar para si mesmo e para a pessoa que está ao nosso lado, percebemos que há tempos talvez venhamos regando ‘plantas mortas’ e que tempo de salvar a relação infelizmente já passou.

Então, ao final desse artigo deixo duas reflexões: durante a pandemia, quantas plantas mortas você já descobriu que tem regado? E, foi a pandemia que adoeceu as relações ou falta de cultivo que as fez morrer há tempos? Com a palavra você, leitor!

Laura Petraglia é jornalista, especialista em gerenciamento de crises e Marketing Político Digital, estudante de Direito e curiosa sobre o comportamento e as relações humanas

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