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Você sente vontade de urinar toda hora?

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Autor: Dr. Flávio Fortunato*

A bexiga hiperativa (BH) é uma condição urológica que está ligada ao surgimento da necessidade súbita e urgente de urinar e também da vontade de urinar várias vezes ao dia e durante a noite. Em muitos casos, pode acontecer associada a outro problema, que é a incontinência urinária.

Estudos apontam que apenas ¼ das pessoas procuram um médico para tratar o problema e os principais motivos deste baixo índice são o tabu, vergonha, constrangimento, por considerarem um assunto íntimo e inclusive por crença errônea de achar que “é normal”.

Acontece que, caso não tratada adequadamente, a bexiga hiperativa pode provocar grande redução da qualidade de vida do paciente, principalmente naqueles que não conseguem ter uma contínua noite de sono. A BH pode levar a quadros de depressão, atrapalhar a vida sexual e até gerar problemas na vida profissional.

Sintomas

O sintoma mais típico da bexiga hiperativa é a urgência urinária, que é a vontade súbita e incontrolável de urinar. Quando o paciente apresenta urgência urinária, ele precisa ir ao banheiro rapidamente, pois não é capaz de segurar a urina por muito tempo. Por esse motivo, perdas eventuais de urina na roupa podem ocorrer em alguns pacientes, principalmente naqueles com mobilidade afetada.

A urgência urinária pode surgir mesmo quando a bexiga não está completamente cheia, pois ela é resultado de uma contração precoce e inapropriada do músculo detrusor.

Outro sintoma típico da bexiga hiperativa é o aumento da frequência urinária, com pequenos intervalos de tempo entre as micções, levando muitas vezes a necessidade de acordar a noite para urinar, o que chamamos de Noctúria.. E ao contrário da infecção urinária, a bexiga hiperativa não costuma causar dor durante a micção.

Diagnóstico

O diagnóstico da bexiga hiperativa é habitualmente clínico, feito através de uma cuidadosa avaliação da histórico do paciente e do exame físico. O estudo urodinâmico deve ser feito se o tratamento medicamentoso não apresentou resultado satisfatório e de acordo com o histórico do paciente, especialmente, se já fez cirurgia ou radioterapia pélvica.

Tratamento

O tratamento da bexiga hiperativa é dividido em 3 modalidades: a terapia comportamental (fisioterapia pélvica), a medicamentosa e, por último, a 3ª linha de tratamento, que são os tratamentos de exceção. A escolha do modo mais adequado para cada paciente depende da intensidade dos seus sintomas e do quanto o quadro interfere na sua qualidade de vida, com altas taxas de sucesso, chegando a 80% de melhora com as medidas iniciais.

A combinação entre medicamentos e terapia comportamental costuma ser eficaz na maioria dos casos, ficando a 3ª linha restrita aos poucos casos mais difíceis de serem controlados.

Não hesite em procurar tratamento caso apresente sintomas.

*Dr. Flávio Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em uroginecologia, integra as equipes da Eladium e Clínica Vida.

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Para além do juramento de Hipócrates: a ética na prática médica

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Autor: Ermelino Franco Becker*

Passarei a minha vida e praticarei a minha arte pura e santamente. Em quantas casas entrar, fá-lo-ei só para a utilidade dos doentes, abstendo-me de todo o mal voluntário e de toda voluntária maleficência e de qualquer outra ação corruptora, tanto em relação a mulheres quanto a jovens.” (Juramento de Hipócrates).

O nauseante episódio do anestesista contra uma paciente vulnerável reuniu a totalidade da reprovação possível entre médicos, trabalhadores da saúde, operadores do direito e todo o resto da nação. Como pode um profissional de tão nobre carreira transgredir tão ostensivamente qualquer tipo de razoabilidade comportamental? Como é possível que tal pessoa tivesse a confiança dos colegas e da instituição para lá estar trabalhando?

Como professor e cirurgião, também me surpreende como uma pessoa com tal desvio de caráter conseguiu terminar o seu curso e receber um diploma de médico. E, mais ainda, completar um curso de residência, período em que os jovens estão expostos ao escrutínio estreito dos mestres, sendo exigidos nos limites da resistência pessoal em plantões noturnos, casos complexos, estudos extensos e, portanto, sendo testados seguidamente em seus limites emocionais e comportamentais.

É preciso lembrar que toda profissão da saúde tem essa natureza que franqueia aos médicos acesso à intimidade dos pacientes, incluídas aí a intimidade física, psicológica, familiar e até financeira. Tal exposição exige retidão de conduta absoluta por parte do médico e equipe, respeitando os princípios da bioética, quais sejam a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Frutos desses princípios se seguem temas práticos da formação dos alunos, como o sigilo, a omissão de socorro, o consentimento, o respeito à terminalidade e muitos outros. Ainda mais exigente é o respeito à sexualidade. Se o médico não se conduzir em discrição obstinada nesse assunto, fica inviabilizado o acesso dos pacientes aos tratamentos, pelo receio de, estando vulneráveis, serem vitimados por aqueles que seriam seus protetores.

Os mecanismos de controle de tais condutas abusivas não podem se resumir às delegacias e aos conselhos de medicina com seus processos formais e muitas vezes sujeitos a recursos que criam obstáculos. A comunidade profissional em cada ambiente de trabalho tem papel insubstituível e não pode se eximir de continuamente estar observando o profissional ao seu lado, no melhor sentido da proteção dos doentes. Tal responsabilidade precisa ser semeada em cada aluno de graduação durante o curso, esclarecendo-os sobre as razões históricas e formais do comportamento profissional. Acima de tudo, é necessário que eles compreendam seu papel social na proteção dos pacientes vulneráveis, incluindo crianças, idosos, inconscientes e até as pessoas de educação mais simples.

Desafios modernos para atingir tal formação passam pelos novos formatos das universidades, com grande número de alunos por turma, aulas a distância, e avaliações em provas objetivas, com poucas oportunidades de se acompanhar os alunos de maneira individualizada. A medicina é uma arte que se aprende de muitas fontes, mas todo aluno deveria ter um tutor ou equivalente, que lhe inspire e molde sua personalidade no sentido ético profissional, de modo a preservar o respeito que a profissão merece, sem banalizações e sem tolerância para as condutas abusivas.

*Ermelino Franco Becker é médico cirurgião oncologista, médico legista no IML de Curitiba e professor de Bioética e Ética Profissional do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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