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Vinicius Hugney: – JUSTIFICATIVA DO MEU VOTO (CONTRA CASSAÇÃO)

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   JUSTIFICATIVA DO MEU VOTO (CONTRA CASSAÇÃO)

Autor: Vinicius Hugney

Todos nós (vereadores) que estivemos no plenário hoje, estivemos com a única e importante missão de representar os interesses do povo cuiabano. É para isso que nos colocam lá! Quando falamos na tribuna – e por isso eu sempre faço questão de falar “nós” – não é com a minha voz que falo, falo pra dar voz aos cuiabanos e cuiabanas que tenho o dever de representar.

Entender essa missão – a importante missão de falar em nome de vários, de diversos cidadãos – é a grandeza da democracia. O poder só emana do povo quando as pessoas escolhidas por ele conseguem cumprir sua vontade, seus anseios. E não é fácil, porque para fazer isso, nós temos deveres, regras e limites bem estabelecidos.

Eu digo sempre e reafirmei quando manifestei meu voto na Comissão de Ética que minha vida pública é pautada na razão, na legalidade, na integridade.

E vocês sabem que minha vida na Câmara começa muito antes do nosso mandato. Lá eu tenho memórias de toda a minha vida, portanto, o que faço lá é com todo respeito.

Quando falo em legalidade, o mínimo que devemos fazer é seguir o regimento, as normas, a melhor interpretação das leis. Assim, não poderia ser diferente na Comissão de Ética, quando, com todos respeito ao vereador Saad, acompanhei o voto do relator. Como disse, um voto administrativo, um voto técnico.

Ali a gente analisa a chamada letra fria da lei. Mas mais que legalidade, o que me deu ainda mais convicção por esse voto foi esse momento, foi a tranquilidade de levar para o plenário – órgão máximo do sistema democrático – uma decisão tão importante como essa.

Isso, não por covardia ou omissão, jamais, pelo contrário. Isso foi justamente em respeito a cada cuiabano e cuiabana que está representado nesta Casa. É para que a vontade da maioria seja respeitada nos limites da lei.

Sim, até para fazer a vontade da maioria temos limites.

Para cumprir nossa missão como vereadores temos limites.

Temos que ter limites!

Somos os fiscais do Poder Executivo, sim! Somos legisladores, sim! Somos, acima de tudo, representantes do povo. Temos o dever de acompanhar, cobrar, propor e também ajudar a prefeitura a melhor atender os cuiabanos. Mas isso não é um jogo de vale tudo.

Os servidores do Município são cuiabanos e cuiabanas que nós também representamos aqui. São pessoas que merecem respeito no exercício de seu trabalho. Todo o nosso respeito.

Parlamento, como o próprio nome diz, é o campo do diálogo. Não nos cabe passar com retroescavadeira em cima de ninguém e nem tampouco sair atirando. A política que se traduz em resultados é feita com diálogo.

Cobrar sim! Fiscalizar sempre! Desrespeitar os cuiabanos, sejam cidadãos aflitos, servidores ou eleitores, jamais!

E por isso a razão deve estar sempre presente nas nossas ações como vereadores, como representantes do povo, por maior que seja o desafio de superar as emoções. É esse agir com razoabilidade que nos permite cumprir nosso dever. E aqui temos que ser razoáveis e não rasos.

Chegamos ao momento que pede uma análise mais profunda e cuidadosa. Na Comissão de Ética dei meu voto administrativo, aqui tenho o direito de manifestar meu voto político. O voto dos cuiabanos e cuiabanas.

Cassar um mandato não é tirar o direito do vereador Abílio de legislar, fiscalizar… cassar seu mandato é também calar a voz de uma importante parcela do povo cuiabano por ele representada. O mandato não é do vereador, mas de sua representatividade.

A pergunta que temos que responder nesse momento é se a população cuiabana se sente representada. E se sim, de que forma.

Às vezes precisamos ser mais combativos, mais incisivos. Estamos aqui pra defender os interesses da população de Cuiabá com unhas e dentes. Mas, como eu disse, minha vida pública se pauta na integridade.

O povo quer respostas, mas não está disposto a passar por cima de ninguém para cobrá-las. Se assim fosse, já estaríamos numa guerra civil.

Então, com todo respeito à vontade do povo, não dá pra admitir certos comportamentos. Ser vereador é uma missão séria. Chegamos ao ponto de ver a sanidade mental ser questionada. É assim que o cuiabano que ser representado?

Vejam que até mesmo o relatório da CCJ aponta as condutas reprováveis do vereador Abílio. Não podemos ignorar o registro de 17 boletins de ocorrência. Não podemos ignorar o que vemos no dia a dia. Não podemos!

Já pensou se nós aqui, durante este processo, usássemos dos mesmos expedientes para apurar a conduta ética do parlamentar? Acusações, gravações, invasões …

Tenho certeza que atitudes como essas não representam a vontade da população. Mas também tenho convicção de que o povo também que se sentir representado de alguma fora e cobrar do vereador Abílio um trabalho sério e respeitoso.

Então, é com a razão, legalidade e integridade que pautam a minha vida pública que venho aqui hoje deixar claro que, durante toda a oportunidade que tive de analisar o caso como membro da Comissão de Ética desta casa, de forma muito serena digo que NÃO devemos cassar o mandato do vereador Abílio, mas que fique claro que Cuiabá quer um representante digno.

Pau que bate em Chico também deve bater em Francisco.

Se a voz das ruas quer que o vereador continue seu trabalho, tenho certeza que essa voz também clama por respeito. A voz que cobra de um, cobra de todos.

Vereador Vinicius Hugney

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Laura Petraglia: – Quando o amor não resiste à Pandemia

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          Quando o amor não resiste à Pandemia

Autora: Laura Petraglia

Não sou nenhuma especialista comportamental, muito menos em relacionamentos (ironicamente minha vida amorosa que o diga), mas, desde que começou a Pandemia da Covid19 e a recomendação de distanciamento/isolamento, como jornalista curiosa em comportamento humano, ouvinte atenciosa de desabafos dos amigos e bela observadora que sou, comecei a notar diversos relacionamentos desabando ao meu redor nos últimos 40 dias, isso sem falar dos famosos que anunciaram a separação neste período.

Diante disso, meu objetivo com esse artigo é que façamos juntos, uma reflexão sobre a volatilidade e fragilidade das relações que temos cultivado e por que, cada vez mais, nos tornamos uma multidão de sozinhos. Nunca antes dessa quarentena a frase ‘cuidado com o vazio de uma vida cheia demais’ fez tanto sentido para mim. A gente liga o piloto automático e vai passando por cima daquilo que devíamos tentar entender e consertar nas relações. Vai preenchendo os problemas e a ‘solidão a dois’ dos relacionamentos com compromissos sociais, trabalho, consumo e outras condutas que não nos faça ter tempo para o cultivo.

Meus pais foram casados pela vida toda e, assim como no casamento dos meus avós, só existia para eles a opção do o ‘até que a morte os separe’. Passei vida ouvindo-os dizer que eram de uma época em que se as coisas quebravam, buscava-se consertar e não jogar fora. Mas usei esse contexto para dizer que maioria das narrativas dos casais com quem tenho conversado e que decidiu se separar durante a quarentena, diz que a convivência diária ‘forçada’ durante esse período trouxe à tona as mazelas que vinham colocando embaixo do tapete ou que foi a gota d’água que fez o copo transbordar. É óbvio que não somos obrigados a viver infelizes, mas por que nos tornamos tão preguiçosos e impacientes no cultivo das relações?

O fato é que amparados sempre na justificativa da falta de tempo e pela vida corrida demais, preferimos ir ‘passando por cima’ de comportamentos que nos incomodam em nossos parceiros ou, ainda, não ‘desgastar’ a relação com longas conversas. Mas o problema é que amor é cultivo diário, é como planta que precisa ser regada, na maioria das vezes aparada, podada para poder crescer no formato certo e florir e, quando a vida parou durante esse isolamento social, quando a gente se viu com tempo e obrigado a olhar para si mesmo e para a pessoa que está ao nosso lado, percebemos que há tempos talvez venhamos regando ‘plantas mortas’ e que tempo de salvar a relação infelizmente já passou.

Então, ao final desse artigo deixo duas reflexões: durante a pandemia, quantas plantas mortas você já descobriu que tem regado? E, foi a pandemia que adoeceu as relações ou falta de cultivo que as fez morrer há tempos? Com a palavra você, leitor!

Laura Petraglia é jornalista, especialista em gerenciamento de crises e Marketing Político Digital, estudante de Direito e curiosa sobre o comportamento e as relações humanas

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