Opinião

Sorriso nos olhos é cartão de visita no retorno presencial ao trabalho

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Autor: Matthias Schupp –

Quem não gosta de ser recebido em um ambiente profissional com um sorriso largo dos colegas? Exibir os dentes sempre foi um sinal de simpatia e da possibilidade de um bate-papo e, quem sabe, de uma nova amizade. Porém, um dos aprendizados que a Covid-19 nos trouxe é que empatia e compaixão devem ir muito além do sorriso, que agora fica escondido atrás das máscaras. Mais de 19 meses após o início da pandemia no país, o avanço da vacinação está permitindo a volta a algumas rotinas. Uma pesquisa realizada pela Its’seg, corretora de seguros especializada em benefícios, revelou que 62% das empresas de diferentes portes e ramos de atuação planejam retomar o trabalho presencial ainda neste ano; 16% delas de forma totalmente presencial e 82% de maneira híbrida. Mas esse retorno não é tão simples. Nossas rotinas já não são como antes.

Agora, a convivência precisa ser sem abraço e com o já popular “sorriso nos olhos”. Com colaboradores que foram contratados já no formato de trabalho remoto e também com os que se afastaram do escritório em março de 2020, precisamos saber como nos aproximar deles, demonstrar empatia, acolher e fortalecer times. Cuidar um dos outros. A vacinação dos colaboradores contra a Covid-19 tem sido considerada como forma de cuidado para muitas empresas nesse momento de retomada do presencial. Mas sobretudo, da mesma forma como foi a adaptação ao trabalho a distância, discutir a melhor maneira de retornar. Colaboradores já vacinados para voltar, deve ser uma das exigências.

Muitas empresas e indústrias já organizaram a nova estrutura física, com distanciamento das mesas, janelas mais amplas, climatização adequada e álcool em gel espalhados pelo local. Mas, o retorno exige também atenção à saúde mental dos profissionais, que passaram todo esse tempo acompanhando tudo virtualmente, muitos até perdendo pessoas e presenciando o luto de familiares e amigos, ou ainda, tratando as sequelas da doença. Pesquisas relatam que 53% dos brasileiros afirmaram que a saúde mental na pandemia piorou. Muitos até dizem que está tudo bem, mas ainda lutam com sentimentos como ansiedade, medo e dor.

Nesse quesito, a empatia é fundamental para fortalecer as pessoas, os times e as empresas de maneira natural e humana. Encontrar a receita do acolhimento talvez seja o maior desafio para líderes e gestores. Por isso, o gerenciamento das emoções é fundamental, já que exerce grande impacto na motivação da equipe, na performance dos profissionais e nos resultados das empresas. Temos a oportunidade de transformarmos o trabalho no que quisermos e, se esse processo de co-criação for bem conduzido, pode resultar em um ambiente ideal de trabalho.

Esse é o momento de todos refletirem sobre a melhor forma de receber e gerar empatia, além do sorriso. Cada um sabe o quanto está precisando disso.

Matthias Schupp é CEO da Neodent e EVP do Grupo Straumann da América Latina.

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Estamos todos saindo da UTI?

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Autor: Jarbas da Silva Motta Junior –

Há 13 anos, passo um grande pedaço do meu dia em um ambiente que, infelizmente, passou a fazer parte da história de muitas famílias a partir do ano passado: a Unidade de Terapia Intensiva. Talvez os significados das palavras desse nome nunca fizeram tanto sentido. Unidade de profissionais que não fazem nada sozinhos, que precisam uns dos outros tanto para as ações “operacionais” como para virar um paciente de bruços ou para discutir os procedimentos cada vez mais multidisciplinares. Terapia atualizada e individualizada com uma rapidez jamais vista, graças à agilidade e ao esforço da ciência. E intensiva em todos os detalhes.

Nas últimas semanas, esses ambientes estão diferentes do que vivenciamos ao longo de quase 20 meses. Vemos as altas de pacientes sem que seus leitos sejam imediatamente ocupados por outros e novos – e em determinado momento da pandemia, literalmente, cada vez mais novos – pacientes. Em alguns dias, deixamos inclusive de ter casos ativos de Covid-19. Isso significa que, pela primeira vez, em mais de 500 dias, não havia pacientes com potencial de transmissão da doença. Para os profissionais de saúde esse é um marco que nos emociona e enche de esperança.

Ao olhar os leitos vazios, não podemos nos esquecer da trajetória até aqui. Uma realidade que nem os mais experientes profissionais estavam preparados. Foram dias em que precisamos encarar como principal desafio manter o paciente vivo para que o próprio corpo pudesse ter forças para combater o Coronavírus. E, para isso, recorremos a procedimentos complexos. Em algumas instituições, o uso da ECMO, por exemplo, chegou a ser nove vezes mais frequente do que antes da pandemia. O aparelho que funciona como coração e pulmão artificial representou novos suspiros para muitos homens e mulheres. Já as diálises, ainda no leito de UTI, cresceram quase 60%.

O médico intensivista reconhece o seu papel como divisor de águas no tratamento de um paciente. A entrada dele em ação deve ser precisa no momento em que o quadro do paciente se agrava e que pode ser irreversível sem esse suporte. E assim, também ser o momento da saída. Mas talvez essa definição nunca foi tão nebulosa quanto na Covid-19. Como doença sistêmica e imprevisível, em cada paciente ela agia de uma forma. E foi a união entre assistência e pesquisa que nos deu o suporte para seguir.

Em muitos momentos, tivemos que lutar com os braços que tínhamos. E eles eram escassos de norte a sul do Brasil. Apenas 1,6% dos médicos brasileiros registrados são intensivistas. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) estima que o país precisaria ter, pelo menos, cinco vezes mais profissionais da área para atender toda a demanda de leitos de UTI. A matemática deixa claro o cansaço, mas as súplicas para voltar da intubação escancaram o peso que esses braços carregaram.

No início, observamos como a doença se comportava e compartilhamos conhecimento com o mundo. Agora, experimentamos os resultados desse movimento, que passa a ser coletivo. Vacinas em tempo recorde, adesão da população e a esperança de volta.

As ligações para as famílias e as longas semanas – até meses – de internamento nos aproximaram de cada um que venceu ou perdeu essa luta. Lidamos como uma tragédia social e humanitária e, apesar de acreditarem que somos heróis, sairemos dela mais humanos.

Jarbas da Silva Motta Junior, médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Marcelino Champagnat

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