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Roberto Karam Jr.: – Como uma administração eficaz pode manter a solidez em épocas de crise como a que vivemos

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Como uma administração eficaz pode manter a solidez em épocas de crise como a que vivemos

Autor: Roberto Karam Jr.

Nos últimos meses, enfrentar a crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem sido um desafio e tanto, não somente para as empresas do setor de eletricidade, mas para todas as outras, especialmente na área de serviços. Tal realidade nos faz compreender que a escapatória e o crescimento do país estão atrelados à administração consciente e concentração dos investimentos em empreendedores nacionais, com o objetivo de fortalecer ainda mais a economia local.

O mundo parou suas produções, concentrados em cuidar da saúde de seus cidadãos, por isso, ficou ainda mais caro e complicado importar matéria-prima e componentes de outros países, principalmente da China, onde tudo iniciou. Agora, imaginem uma produção que se sustenta a partir de equipamentos e materiais vindos de fora do País?

Nós, na KRJ sempre preferimos investir em fornecedores brasileiros e empresas sediadas em território nacional, até mesmo por compreender a importância de investir no país e fazer “girar a roda” desse investimento local que é tão importante, além do mais, somos uma empresa totalmente nacional.

Nas diversas análises realizadas para comparativos de preços de itens importados e nacionais não avaliamos somente o preço de aquisição de maneira isolada, mas as demais componentes deste custo como oscilação cambial, às dificuldades de transporte e logística, os prazos de entrega totais transporte e fabricação, o suporte pós-vendas, as quantidades envolvidas versus o custo de desembolso. O imediatismo neste caso é caro!

Uma boa administração envolve inúmeras ações estrategicamente planejadas, pois não basta apenas ter um insight e aplicar sem um estudo prévio. O futuro e bem-estar da sua empresa estão em risco, então é necessário cautela e organização. Dessa forma, após extensos estudos, decidimos que a melhor atitude a ser tomada seria concentrar na negociação com fornecedores, todos nacionais, e aplicar nossas políticas locais, tentando economizar ao máximo, mas com aquisição de matérias-primas de qualidade. Como já tínhamos uma relação bastante sólida com nossos parceiros, essa tratativa foi facilitada, por isso, tenha em mente sempre em manter o relacionamento com quem fornece os materiais e criar o hábito e tratá-los realmente como parceiros e conservar essa interação comercial saudável.

Adiante, a ideia era também reduzir ao máximo o desperdício na produção, o que já era um hábito em nosso chão de fábrica. Sempre questionamos como podemos fazer melhor e com menor custo. O mercado não paga por nossa ineficiência todo custo é exaustivamente questionado. Com essa escolha, pudemos alocar recursos que não estavam sendo utilizados com inteligência, melhorar a forma de fabricação e auxiliar nossos colaboradores no aperfeiçoamento das técnicas, além de controlar a administração do caixa, já que conseguimos reduzir custos, diminuir a rotatividade de compra e ampliar a utilização dos materiais.

Então, com a política de investimento local, não fomos obrigados a precisar da China ou de outros países, não tivemos que nos preocupar com reabastecimento de matéria-prima e ainda incentivamos as outras empresas brasileiras a continuarem suas atividades. Tudo isso nos leva a um crescimento acima do projetado no planejamento de 2020 mesmo vivenciando um ano desafiador em meio a essa pandemia, ou seja, nadamos contra a corrente e conseguir escapar das “águas violentas” e é o que desejamos para todos os empreendedores nacionais que, ao investir no Brasil e em parceiros locais, consigam se recuperar da crise e voltar a crescer junto conosco. Durante esses últimos 90 dias, a surpresa foi grande a cada fechamento mensal, pois percebemos que mês a mês houve um avanço nas vendas, em comparação ao mesmo período do ano anterior, obviamente que realizamos todas essas medidas a fim de haver resultados positivos, porém superamos a meta.

Vale ressaltar que continuamos como fornecedores de conectores para o sistema de distribuição de energia elétrica conscientes de nosso papel nesta cadeia, cumprindo com nossas obrigações e, por isso, nossa produção não parou, não tivemos demissões ou reduções e permanecemos com as responsabilidades trabalhistas. Destacamos como historicamente fazemos o pagamento da metade do 13º salário de nossos colaboradores agora no mês de julho. Porque deixar acumular uma obrigação trabalhista para o final do ano se podemos fazê-la no meio do ano!

A partir dessa necessidade de mão de obra, mas com total segurança que nossos colaboradores têm direito, investimos em um ambiente seguro, com aplicação de medidas de distanciamento social, como recomenda o Ministério da Saúde. Equipamos todos os locais da empresa com álcool gel, tapetes higiênicos para sapatos, banho químico na entrada da fábrica, fácil acesso à limpeza das mãos com água e sabão, além da distribuição de máscaras para todos.

Nosso compromisso vai muito além do comercial, pois somos responsáveis por inúmeras pessoas que ajudam a economia brasileira girar e, dessa forma, fomos um agente importante, pelo menos no âmbito paulistano, na geração de empregos, numa época em que o habitual é a demissão. A mão de obra qualificada e segurança dos colaboradores auxiliaram em nosso crescimento, assim sendo, o investimento continua e a crença de que novos e melhores tempos virão

Roberto Karam Jr. é engenheiro elétrico e diretor presidente da KRJ

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Dra. Elisabete Oliveira Bottolo: – Entenda como o Direito Público é impactado pela pandemia de COVID-19

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Entenda como o Direito Público é impactado pela pandemia de COVID-19

Autora: Dra. Elisabete Oliveira Bottolo

O setor público foi fortemente impactado pelo novo coronavírus. Em razão da pandemia COVID-19 houve a diminuição de atendimentos presenciais, motivada pela necessidade do distanciamento social. A situação somente aumentou a morosidade dos procedimentos administrativos dentro dos órgãos públicos. Se antes da atual crise instalada já existia uma demora exacerbada nas análises dos pedidos administrativos dos servidores públicos, tal tempo se acentuou.

É de conhecimento geral que os pedidos do cidadão comum à administração pública são demasiadamente demorados e burocráticos. Tal situação não difere na relação funcionário e empregador, quando o contratante é um ente público. Vale dizer que a omissão à resposta administrativa no prazo legal é um motivo frequente para interposição de Mandados de Segurança por Omissão. O ato legal ocorre contra o agente público que deixa de promover alguma ação que tem obrigação legal.

Também é possível verificar, em razão da mora administrativa, ações indenizatórias. A demora em concessão de direitos que ocasionam prejuízos de ordem financeira ou, até mesmo, danos morais são alguns exemplos. É possível encaixar situações em que há atraso na concessão da aposentadoria, no apostilamento do direito aos adicionais de tempo de serviço ou mesmo a negativa administrativa em conceder a Licença Premio não usufruída ao aposentado ou exonerado.

Justiça x Setor Público

Se de um lado há a discussão sobre o tempo que o setor público leva para resolução de problemas, seja para o cidadão comum ou para os trabalhadores, por outro a advocacia e o Poder Judiciário não pararam desde que o contágio do novo coronavírus iniciou no Brasil. Embora respeitem o distanciamento social e tenham aderido ao trabalho de forma remota, a justiça e seus componentes têm estado ativos ao balancear direitos e deveres.

Desde os primeiros efeitos da crise gerada pela COVID-19, a necessidade de promover demandas judiciais se tornou ainda mais frequente. Porém, é notável que algumas questões poderiam ser até mesmo evitadas se houvesse uma gestão administrativa pública que funcionasse, sem burocratizar cada vez mais o sistema.

O Direito Público é nossa ferramenta para que possamos argumentar e buscar soluções por medidas judiciais ou administrativas. Seja no período de pandemia ou fora dele, é por meio desse campo do direito em que se discute as relações jurídicas em que a Administração Pública venha causar prejuízos aos servidores e demais cidadãos.

Dra. Elisabete Oliveira Bottolo faz parte da equipe técnica do escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados. A profissional é bacharela em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul, desde 2005, especialista em Direito do Constitucional e Administrativo pela Escola Paulista de Direito, desde 2009, e inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil sob o nº 249.895.

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