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Primeira Ponte: 80 anos e início do desenvolvimento de VG e do Norte do Brasil

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Autor: Wilson Pires de Andrade –

20 de janeiro de 1942, há 80 anos, uma ponte em concreto armado com 224m de extensão, 6,0m de pista para dois veículos e passeio público, além de 40m de vão para a navegação, foi inaugurada pelo então interventor Bel. Júlio Strubing Muller. Um detalhe era bastante chamativo: os arcos decorativos alinhados junto ao parapeito do passeio público com vigas que atravessavam a ponte de um arco a outro. O estilo arquitetônico era o Art déco (estilo decorativo de artes aplicadas, desenho industrial e arquitetura caracterizado pelo uso de materiais novos e por uma acentuada geometria de formas aerodinâmicas, retilíneas, simétricas e ziguezagueantes), teve o seu apogeu nos anos de 1930, o mesmo das outras “Obras Oficiais” construídas pelo então Estado Novo.

A obra de construção como ocorreu com as “Obras Oficiais” de modernização de Cuiabá, foram tocadas pela firma Coimbra Bueno sob a supervisão do engenheiro Cássio Veiga de Sá.

Da autorização para a construção da ponte até sua conclusão foram dois anos e quatro dias. O primeiro traço de concreto ficou pronto no dia 26 de agosto de 1940, contando com um pequeno evento inaugural presidido pelo interventor Júlio Müller, acompanhado de sua esposa a Sra. Maria de Arruda Müller, e animado pela Banda da Polícia Militar de Mato Grosso.

Quase um ano antes de sua inauguração, alunos da Escola Nacional de Engenharia (antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, e, atualmente, parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro), chefiados pelo professor catedrático Alírio de Matos, visitaram as “Obras Oficiais”. A visita se daria em resposta a um convite do governo de Mato Grosso ao ilustre engenheiro conterrâneo que galgou degraus no campo acadêmico, na Capital Federal.

Em setembro de 1941, o último pilar foi concretado. Para comemorar o fato, o engenheiro Cássio Veiga de Sá, responsável pela obra, ofereceu um brinde de champanhe no Grande Hotel, sendo convidadas algumas autoridades e a imprensa.

Grande festa

A inauguração movimentou a cidade. Tratava-se da primeira ponte ligando dois importantes distritos da capital: São Gonçalo de Pedro II, Segundo Distrito ou Distrito do Porto (atual bairro do Porto), e o Distrito da Várzea Grande ou Terceiro Distrito (atual Alameda, Várzea Grande).

O prefeito de Cuiabá Manoel Miraglia decretou feriado municipal para que a população participasse da festa. O desenlace inaugural da fita foi feito pelo interventor após a bênção do padre salesiano Luís Sutera. Diversas autoridades discursaram durante a solenidade: o interventor Júlio Müller, o prefeito Manuel Miraglia, o diretor Geral da Instrução Pública professor Francisco Ferreira Mendes, a professora primária no distrito da Várzea Grande dona Adalgisa de Barros, o ex-prefeito cel. José Antônio de Souza Albuquerque e o presidente do Sindicato dos Chauffeurs José Antônio de Andrade. Todos exaltaram as realizações de Júlio Müller. Aproximadamente dez mil pessoas compareceram ao ato inaugural.

A nova ponte serviu como via de integração não só local, ligando o distrito do Porto ao da Várzea Grande; mas regional: as cidades de Cáceres, Poconé, Livramento, Vila Bela da Santíssima Trindade, além do distante noroeste mato-grossense (Rondônia) passariam a ter ligação rodoviária direta com a capital mato-grossense e com o Centro-Sul do Brasil. Antes, a ligação entre o Segundo e o Terceiro distritos era feita, desde 1874, pela barca-pêndulo (uma balsa feita de ferro e guiada por cabos que fazia a travessia de uma margem a outra do Rio Cuiabá).

Não há como negar que a construção da primeira ponte de concreto sobre o rio Cuiabá veio trazer mudança radical no sistema de comunicação e desenvolvimento da Capital mato-grossense e a região norte, que estava emperrada em todos os sentidos.

A cidade de Várzea Grande foi a mais beneficiada, crescendo rapidamente depois da inauguração, ganhando iluminação elétrica três anos depois.

Ponte Nova (Maria Elisa Bocayúva)

Em 1964, no governo do doutor Fernando Corrêa da Costa, a referida ponte foi inaugurada.

A inauguração contou com a presença do presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, que visitava Mato Grosso e levou nome de Maria Elisa Bocayúva Correa da Costa.

Ponte Juscelino Kubitscheck

Em 1985, no governo do várzea-grandense, o engenheiro Júlio José de Campos, mais duas pontes foram construídas sobre o rio Cuiabá: a duplicação da Júlio Muller (primeira) e a Juscelino Kubitschek na Rodovia dos Imigrantes na comunidade de Poço Grande, próximo de Bonsucesso.

Ponte Mário Andreazza

Nos anos 90 mais uma importante Ponte foi construída sobre o Rio Cuiabá ligando a capital à Várzea Grande. É a Ponte Mário Andreazza inaugurada pelo então governador também várzea-grandense, Jayme Veríssimo de Campos.

Em 01 de dezembro de 2013, o então governador Silval Barbosa inaugura a duplicação da referida ponte. A nova ponte Mário Andreazza tem uma extensão de 228 metros por 11 metros de largura, custando ao erário público R$ 12,6 milhões. Em horário de pico, aproximadamente 1,8 mil veículos passam pelas pontes.

Ponte Sérgio Mota

No governo de Dante Oliveira foi construída a ponte Sérgio Motta. Para sua inauguração em 27 de março de 2002 contou com a presença do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, governadores, ministros, prefeitos e muitas autoridades federais. Ponte Sérgio Motta, é uma homenagem ao ex-ministro das Comunicações falecido em 1998.

Tem o design ponte Estaiada (é um tipo de ponte suspensa por cabos constituída de um ou mais mastros, de onde partem cabos de sustentação para os tabuleiros da ponte).

Ponte do VLT

Mais uma ponte está sendo construída sobre o rio Cuiabá, junto a Ponte Júlio Muller. A referida ponte no lado direito da atual, sentido Cuiabá – Várzea Grande possui grande parte da estrutura pré-moldada. A estrutura tem cerca de 350 metros e quando estiver pronta (?) será usada para o tráfego de veículos.

A ponte central servirá para passagem do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e terá sua estrutura ajustada para implantação da via permanente. A ponte utilizada para o trânsito no sentido Cuiabá – Várzea Grande continuará com o mesmo sentido e também receberá reforço.

Desde a inauguração da primeira ponte há 80 anos por Bel. Júlio Muller e outras pontes construídas pelos governadores João Ponce de Arruda, Júlio José de Campos, Jaime Veríssimo de Campos, Dante Martins de Oliveira, Silval Barbosa entre outros, têm resolvido os problemas de trânsito entre as duas cidades mais populosas de Mato Grosso e intensificado o desenvolvimento do norte do Brasil.

Wilson Pires de Andrade é jornalista profissional em Mato Grosso

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Surto de Hepatite Infantil Aguda deixa países em alerta

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Autora: Mayara Meotti*

Você provavelmente já ouviu falar do surto de hepatite infantil aguda de causa desconhecida, que está ocorrendo em pelo menos 25 países, inclusive no Brasil, e vem causando preocupação.

Vamos começar explicando que a hepatite é uma inflamação do fígado causada por uma variedade de vírus infecciosos e agentes não infecciosos, existindo 5 cepas principais do vírus referidas como tipos A, B, C, D e E e que podem levar a sérios problemas de saúde, podendo ser fatais em alguns casos.

Estes casos de hepatite aguda de causa ainda desconhecida, ocasionam uma inflamação do fígado de forma abrupta, com enzimas hepáticas acentuadamente elevadas. Conforme o Instituto Butantan, o adenovírus foi detectado em pelo menos 74 casos; sendo que em 18 casos, testes moleculares identificaram a presença do adenovírus F tipo 41 e em 20 foi identificada a presença do SARS-CoV-2. Além disso, em 19 houve uma co-infecção por SARS-CoV-2 e adenovírus.

Segundo a OMS, os vírus comuns que causam hepatite viral aguda (vírus da hepatite A, B, C, D e E) não foram detectados em nenhum desses casos. Viagens internacionais ou conexões em outros países não foram identificados como fatores da doença. Sua real causa ainda está sob investigação pela OMS.

Por isso é fundamental que as vacinas contra alguns tipos de hepatite estejam em dia. Assim é possível descartar os vírus que a pessoa está imune e pesquisar a verdadeira causa da hepatite aguda.

Dados da OMS mostram que cerca de 4,5 milhões de mortes prematuras poderiam ser evitadas em países de baixa e média renda até 2030 por meio de vacinação, testes de diagnóstico, medicamentos e campanhas educativas.

A estratégia global da OMS, endossada por todos os Estados Membros, visa reduzir as novas infecções por hepatite em 90% e as mortes em 65% entre 2016 e 2030.

Portanto pais e mães não deixem de completar o ciclo vacinal de seu filho, você estará preservando a vida dele e a de vocês e ajudando o país a exterminar tipos de doenças que só com a prevenção podem ser evitadas.

*Mayara Meotti, enfermeira da Saúde Livre clínicas de vacinação

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