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Onofre Ribeiro: – Re-vira-volta

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                                 Re-vira-volta

Autor: Onofre Ribeiro

Em janeiro de 2019 assumia a presidência da República o ex-deputado federal carioca de sete mandatos entre 1991 e 2018. Também ex-capitão reformado do Exército brasileiro.

Surgido do vácuo na sociedade e do vácuo político, veio do anonimato e venceu as eleições de maneira completamente inesperada. Erraram os institutos de pesquisa. Erraram os analistas políticos. Errou feio a oposição política. Na realidade, a eleição não foi mérito de Jair Bolsonaro, nem do Exército, nem do seu quase desconhecido partido de aluguel. Tampouco a mídia teve responsabilidade numa área em que alguns veículos de comunicação sempre dominaram.

Bolsonaro chegou à presidência sem dever muito a muita gente. Seu maior eleitor veio das redes sociais numa liga muito estranha. Gente desconhecida se ligando numa onda do inconsciente coletivo onde predominou um desejo de afastar a esquerda do governo. Motivos são conhecidos. Não vou repetí-los aqui.

O objetivo deste artigo parte desses fatores que elegeram Bolsonaro presidente da República. Entrou no cargo sem projetos e sem apoio parlamentar consistente. Sequer tinha um partido político efetivo. Nesse ambiente surgiu inesperadamente no cenário um profundo ambiente de radicalização ancorado em duas pontas: quem chegou ao poder contra quem perdeu o poder. Na proteção de tela popular aparece o confronto entre a esquerda e a direita brasileiras. Mentira. No Brasil não tem esquerda e nem direita. Tem apenas desejos pelo poder representado por grupos distintos. Poder pelo poder. Simples assim!

Era de se esperar que esse confronto respeitasse o mínimo da lógica em geral praticada na política. Mas não. As duas bandas estão se odiando. Junto vão as chamadas corporações como o Judiciário e o Legislativo. Sem contar parte da mídia tradicional, apeada do seu poder de influência.

O que quer este artigo é dizer que o ambiente do confronto saiu da racionalidade. Assim como saiu da civilidade.

A conclusão é clara, dura e perigosa: estamos a um passo de uma perda do controle da política e da gestão. O Brasil está tão perto do abismo como estava em 1964. Respeitando as diferenças de época, estamos com as armas nas mãos e o desejo de ir pras trincheiras. Talvez ainda neste mês de março corrente. Absolutamente irresponsável. Mas, talvez, seja o único caminho pra retomarmos a mínima lógica. O país precisa avançar, apesar dos seus governantes.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]

www.onofreribeiro.com.br

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Julio César dos Santos: – Uma reflexão sobre o papel da Arte em nossas vidas

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  Uma reflexão sobre o papel da Arte em nossas vidas

Autor: Julio César dos Santos

Embora nem sempre receba a atenção que merece no campo educacional, a arte é indispensável para a vida do homem. Nesse momento de pandemia, a sua importância está ainda mais perceptível. Devido a necessidade de isolamento social, vejo em entrevistas e ouço relatos de que o consumo de produtos artísticos tem ajudado a população a manter sua sanidade mental, seja assistindo lives pela internet ou escutando música: o número de assinaturas da plataforma Spotify aumentou em 31% nos últimos meses.

Muitas vezes, tem-se a impressão de que a Arte está relegada em nossa sociedade, fazendo parte da vida apenas de uma classe que detém o conhecimento do fazer artístico ou que possui poder financeiro. Mas, a arte não é apenas aquela considerada erudita ou clássica. Ela está presente no nosso dia a dia na forma de música, dança, teatro, filmes e outras formas estéticas.

Vivemos em uma época em que o acesso à tecnologia proporciona um consumo de informações inédito. As pessoas também esperam resultados e respostas rápidas para tudo e parece difícil mensurar o resultado prático da arte na vida das pessoas e qual é a sua função.

O que posso dizer é que a arte tem proporcionado um pouco de alegria e conforto neste momento tão difícil para a humanidade. E, como disse Goethe, não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte. A arte nos une ao mundo.

Além disso, como professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, uma instituição de ensino que se propõe a preparar o aluno para a vida e para o trabalho, posso observar como esse tema contribui para o desenvolvimento humano e social dos nossos alunos. O IFMT felizmente tem um forte direcionamento para a formação humana, qualificando nossos alunos não só para o mundo do trabalho, mas para o exercício da cidadania. Todos os campi oferecem opções de curso de artes, seja teatro, música, artes plásticas ou dança.

Também converso com colegas professores das disciplinas de Artes sobre o impacto dessa atividade em nossa sociedade. A arte produz senso de coletividade, traz leveza e alegria para a comunidade, estabelece mais relações entre as pessoas e com o mundo e desperta os alunos para o pensamento crítico.

O ser humano é um ser que nasce, cresce e morre e nesse processo busca pela sua sobrevivência e manutenção da espécie. Este caminhar da vida é similar ao de um animal não racional e o que nos diferencia deste? Muitos aspectos poderiam ser levados em consideração, mas dentre estes, a Arte é o que nos torna menos animais e mais humanos. Eu arriscaria falar que a função primordial da arte é nos tornar seres humanos mais humanizados.

Entendo que discutir esse aspecto nos levaria a longos textos e discussões acadêmicas para termos um maior aprofundamento, mergulho este que não cabe neste espaço de reflexão. Mas como educador, entendo necessário defender a existência da Arte para que os alunos possam ter uma formação completa em todos os campos que compõem a vida humana, tornando-se um cidadão apto para compreender, criticar, experienciar e, por que não, criar diversas formas expressivas da Arte.

Julio César dos Santos é doutor em história pela UFMT, especialista em gestão escolar, docente do IFMT e atualmente exerce a função de Diretor Geral do Campus Alta Floresta.

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