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O que uma suplementação errada pode fazer com seu coração?

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Autor: Max Lima –

A cena é cada vez mais comum nas academias. A pessoa se matricula, começa a fazer musculação, ouve “indicações” dos amigos, instrutores e 2 semanas depois decide tomar suplementos alimentares.

Não é levado em consideração que cada pessoa tem um metabolismo e um tipo de treinamento específico que exige diferentes esquemas de suplementação. O uso indiscriminado e desorientado dessas substâncias pode sobrecarregar alguns órgãos.

Carboidratos e proteínas são os mais usados. Sendo que o carboidrato serve para antes ou durante o treino intenso ou longo como a maltodextrina que impede o déficit no rendimento e prevaleça uma condição muscular satisfatória.

Mas é só para atletas. Quem apenas malha pode suplementar com alimentação adequada.

PROTEÍNAS

Um alerta especial para quem é diabético. Visto que produtos com carboidratos desequilibram as taxas de açúcar no sangue. O que pode comprometer a saúde.

As proteínas promovem a formação e recuperação das lesões nas fibras musculares devido ao esforço intenso e repetitivo de um treino pesado. No entanto, quando esse músculo se recupera logo após as atividades, ele ganha volume e força. Se for apenas um treino leve para manter o corpo, 70 gramas de proteínas são suficientes, o que pode ser feito com uma boa dieta alimentar.

Tomar proteína sem treinar uma parte será excretada e o restante será transformado em gordura, o que aumenta os níveis de colesterol e triglicerídeos. Além disso, pode haver sobrecarga de alguns órgãos, principalmente os rins.

Eles precisarão trabalhar mais para metabolizar todas essas substâncias que deverão ser eliminadas pela urina. Se a pessoa já tiver alguma predisposição, ela pode sofrer de insuficiência renal.

ANABOLIZANTES

O perigo para o coração se encontra nos esteroides anabolizantes, produtos proibidos no país que promovem o crescimento muscular rápido.

O coração pode apresentar deficiências a partir da quarta semana de uso de anabolizantes, e pode ocorrer a hipertrofia cardíaca – que costuma permanecer no corpo por até um ano após o seu uso, bem como a perda da força da contração do coração, esta de modo irreversível. Sinais como o aumento da pressão arterial , alterações das paredes dos vasos sanguíneos e elevações dos triglicérides também podem ser sinais decorrentes ao consumo de anabolizantes.

Além das complicações cardíacas, ocorre também a modificação das funções fisiológicas do fígado, que resulta em elevação do colesterol ruim (LDL) e diminuição do colesterol bom (HDL), com a ingestão de anabolizantes. Para os homens pode ocorrer a atrofia do órgão sexual, além de paralisação da fabricação dos espermatozoides e as mulheres tendem a masculinização completa.

Os esteroides anabólico-androgênicos, mais conhecidos como anabolizantes, são substância que contém o hormônio chamado de testosterona, bem como derivados. Este é um produto de uso medicinal legalizado. As pessoas recorrem a esse tipo de hormônio com a finalidade de aumento da massa muscular e da força física, além de melhor resultado no desempenho físico.

Para quem deseja músculos maiores e não atinge o resultado apenas com a musculação, a procura de um nutricionista do esporte, que seja bem referido e ético é o recomendado. Assim o resultado desejado será alcançado de forma saudável e eficaz, caso o paciente siga as indicações feitas pelo profissional.

TERMOGÊNICOS

Ainda há o grupo que decide perder peso de maneira rápida e apelam para os chamados termogênicos. Algumas substâncias ajudam a acelerar o metabolismo e aumentar a temperatura do corpo, o que favorece a queima de calorias. Em sua composição há substâncias como pó de guaraná, pimenta, cafeína e taurina. O problema é que alguns produtos possuem componentes proibidos no Brasil e não trazem a informação no rótulo. É aí que mora o perigo.

Os termogênicos podem afetar também o coração. Se o suplemento tiver efedrina ou algum composto dessa família, por exemplo, os estímulos de contração do músculo cardíaco podem aumentar para que mais sangue circule pelo corpo. Dessa maneira, o coração irá trabalhar mais. Para quem tem problemas cardíacos ou predisposição e não sabe, tal efeito pode ser um problema. Por isso, é fundamental consultar um médico e nutricionista antes de iniciar atividades físicas regulares, e deixar bem claro que você pode ter interesse em utilizar suplementos para que a ingestão seja feita de forma consciente e segura.

Por isso respeite os limites do corpo. Não tente resultados rápidos que além de não serem duradouros ainda podem prejudicar sua saúde o resto da vida.

Mais que ter um físico de dar inveja é preciso ter saúde. Pense nisso!

Max Lima é médico especialista em cardiologia e terapia intensiva, conselheiro do CFM, médico do corpo clínico do hospital israelita Albert Einstein, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso(SBCMT), Médico Cardiologista do Heart Team Ecardio no Hospital Amecor e na Clínica Vida , Saúde e Diagnóstico. CRMT 6194.

Email: [email protected]

 

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Derrubada dos vetos presidenciais à Lei 14.112/20 pelo Congresso diminuiu o custo tributário das recuperações judiciais

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Autora: Silvania Tognetti –

A recuperação judicial tem sido a alternativa para muitas empresas diante do cenário de crise prolongada que vivemos no Brasil. Com o objetivo de aperfeiçoar a recuperação judicial, foi promulgada a Lei 14.112/20 com importantes alterações à Lei 11.101/05, dentre elas algumas soluções para temas tributários que eram recorrentes em recuperações judiciais: a tributação (i) do ganho de capital na venda de UPI (artigo 6º B) e (ii) das reduções obtidas na renegociação de dívidas (artigo 50-A). Entretanto, ao sancionar a lei, o Presidente vetou os dispositivos, alegando que seriam renúncias fiscais, mas o Congresso Nacional, em 17/03/21, derrubou estes vetos.

Qual a relevância da derrubada dos vetos? Ela permitiu reduções importantes nos custos tributários que afetará a maioria das recuperações judiciais.

Uma recuperação judicial pode ter vários formatos, mas todos eles passam por renegociação de dívidas com os credores e, muitas vezes, pela venda de uma UPI (unidade produtiva isolada). Estas duas situações traziam consequências tributárias que afetavam o fluxo de caixa das empresas em crise e poderiam se tornar um empecilho na hora de decidir por ingressar com a recuperação judicial.

Como forma de preservar empregos e reforçar o caixa de empresas em crise, é comum a venda de ativos que formem uma unidade produtora isolada. A venda destes ativos gera ganho de capital para a empresa, porque a maior parte deles está totalmente depreciada e registrada por valores menores do que o que se consegue obter ao vender os ativos como uma unidade de negócio. Este ganho de capital, quando é tributado pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro, direciona para os cofres da União um caixa que poderia ser necessário para a retomada da empresa.

Durante o processo legislativo da lei de reforma, desenhou-se como solução permitir que as empresas pudessem pagar esses tributos com os prejuízos fiscais e com as bases negativas da contribuição social, sem a limitação dos 30% que se aplica como regra geral. A utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo da contribuição social está limitada anualmente a 30% do lucro apurado no exercício. As empresas em recuperação judicial tendem a ter altos valores de prejuízos fiscais em razão dos problemas em sua atividade, que culminaram com a recuperação. Permitir que utilizem estes prejuízos de forma ilimitada para liquidar os tributos na venda da UPI é uma forma de preservar o caixa destas empresas (novo artigo 6º B da Lei 11.101/05). Importante ressaltar que no caso do ganho de capital na venda de UPI não há incidência de Pis e Cofins, razão pela qual a solução para o IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro foi suficiente.

Outro tema que trazia custo tributário relevante era a renegociação de dívidas. A renegociação de dívidas tem por objetivo a obtenção de descontos e outras facilidades para ajudar a empresa a liquidar seu passivo. O problema é que toda redução de passivo em uma empresa é contabilizada tendo como contrapartida uma receita. Para a União Federal, esta receita seria tributável pelas contribuições do PIS e da COFINS, além do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). Os contribuintes, porém, se insurgiam contra esta tributação, alegando que não está presente na redução do passivo qualquer capacidade contributiva que pudesse autorizar uma tributação, o que gerou processos administrativos e judiciais.

A controvérsia se insere em um tema muito mais amplo no direito tributário: a tributação de reduções de passivo em geral. Não é raro credor e devedor manterem passivo que não poderá ser liquidado, porque, se o credor perdoar a dívida, gera para o devedor um passivo tributário de quase 40% do valor perdoado. Investidores internacionais que criaram empresas no Brasil que fracassaram não conseguem encerrar a empresa brasileira, pois não acham solução para a tributação do perdão de dívidas existentes com a matriz estrangeira. E muitos outros exemplos poderiam ser dados das dificuldades que esta hipótese de tributação traz.

Nos debates do processo legislativo da Lei 14.112/20, construiu-se uma solução, ao menos, para as reduções de passivo no âmbito da recuperação judicial. A lei definiu que tais receitas não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Além disso, autorizou a utilização de prejuízo fiscal e base negativa da contribuição social de forma integral no pagamento de IRPJ e CSL sobre estas receitas, da mesma forma, como foi autorizado para o ganho de capital na venda de UPI mencionado acima. Estas previsões estavam no artigo 50-A que a Lei 14.112/20 introduziu na Lei 11.101/05 e que foi objeto de derrubada de veto pelo Congresso Nacional.

Estes dispositivos com atenuações de carga fiscal não foram benesses concedidas aos contribuintes, mas resultado de uma negociação que também beneficiou a Fazenda Pública, conferindo-lhe mais força na defesa de seu crédito junto às empresas em recuperação judicial. O fato é que estes dispositivos foram resultado de uma negociação que causou espanto ao serem vetados. Agora, com a derrubada dos vetos, vamos ver se a nova legislação consegue cumprir seu objetivo de facilitar a recuperação dos negócios e a manutenção dos postos de trabalho.

Silvania Tognetti é advogada tributária e sócia do Tognetti Advocacia.

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