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Melina Alves: – Intraempreendedorismo é um caminho para empresas sobreviverem às crises

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Intraempreendedorismo é um caminho para empresas sobreviverem às crises

Autora: Melina Alves

Apesar de não ser uma cultura tão desconhecida ou totalmente nova no meio corporativo, o intraempreendedorismo, aquele empreendedorismo realizado por uma pessoa dentro da empresa em que trabalha, é mais popular no ambiente de startups, onde o coworking é bastante comum, além de ter, geralmente, mais afeição por culturas inovadoras e ecossistemas com viés mais revolucionários. Mas longe de ser uma característica exclusiva de startups, a cultura intraempreendedora também é incentivada e geradora de excelentes resultados em gigantes multinacionais como Microsoft, Havaianas e companhias da indústria aeroespacial.

O que leva estas gigantes ou as novatas a investir nessa cultura é buscar manter as pessoas motivadas e engajadas, retendo assim seus talentos e atraindo tantos outros. E se é bom para a empresa, é também para o colaborador, que vê a oportunidade de vivenciar o empreendedorismo, aprender com erros e acertos assim como desenvolver vários pontos importantes para aprimorar aprendizados e se fortalecer em conhecimento e relacionamentos. Satya Nadella, atual CEO da Microsoft, por exemplo, é um deles. Contratado como gerente de programa do grupo de Relações com Desenvolvedores do Windows, chegou onde chegou por sua postura criativa e intraempreendedora na empresa de Bill Gates.

E o mesmo que acontece, por exemplo, com a Lockheed Martin, uma indústria aeroespacial norte-americana que fechou, recentemente, um contrato com a NASA para construir cápsulas que levarão novamente o homem à Lua. E não para por aí. Após essa missão, que pode acontecer ainda nesta década, a companhia planeja desenvolver a nave que levará humanos à Marte.

Além dela, e falando de uma companhia brasileira, o intraempreendedorismo foi um dos fatores que levou a Havaianas, empresa líder no mercado de sandálias aqui no Brasil, ao sucesso que é hoje, com presença massiva na casa das famílias brasileiras e estrangeiras. O que ela fez foi mudar a forma de vender seus produtos a partir de ideias em que deixou de focar exclusivamente no público de baixa renda e levou as ”sandálias que não soltam as tiras’ para a alta classe, criando um vínculo entre seu produto e o estilo de ser do brasileiro. Essas inovações foram respaldadas com apoio de consultorias, pesquisas e empresas parceiras que apoiaram o processo de inovação e aculturamento para fortalecer argumentos e reduzir riscos.

É justamente este aspecto, de aculturamento, que muitas pequenas e médias empresas esbarram. Ainda há resistência por parte de companhias com culturas de gestão mais ‘verticais’ e o intraempreendedorismo não flui por questões burocráticas internas e decisões hierárquicas, principalmente naquelas mais familiares. Em um momento em que o mercado e as pessoas pedem por inovação colaborativa é extremamente importante repensar a cultura empresarial e buscar harmonizar a gestão horizontal com a gestão vertical. Do ponto de vista das mudanças, é preciso incentivar a transformação de baixo para cima, ou seja, da maioria versus minoria, tendo alguns ‘advogados’ dessa minoria para provocar transformação.

Estar disposto a ser um intraempreendedor ou, sobretudo, reconhecer a necessidade de incentivar que novas ideias mudem o rumo da empresa, sem receio de uma competição interna, é o que vai definir a sobrevivência das companhias em tempos de crise. A percepção, na maioria das vezes, mais jovem que dará um novo ar e a injeção de ânimo que apontará o caminho do sucesso no mundo corporativo. É por isso que a gestão de produtividade compartilhada com a gestão do tempo são fundamentais para não se perder o foco, assim como uma cultura estabelecida e consistente são fundamentais. Exemplos bem sucedidos de profissionais assim que levaram culturas inovadoras às empresas onde puderam empreender é o que não falta.

Melina Alves é CEO e fundadora da DUXcoworkers e uma das idealizadoras do Impacta Open Startups, um projeto que tem como objetivo fomentar o ecossistema de inovação e de novos negócios no Brasil em apenas cinco dias. A executiva é pós-graduada em Tecnologia da Informação pela Faculdade Impacta de Tecnologia e em Administração Empreendedora pela FGV.

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Estamos todos saindo da UTI?

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Autor: Jarbas da Silva Motta Junior –

Há 13 anos, passo um grande pedaço do meu dia em um ambiente que, infelizmente, passou a fazer parte da história de muitas famílias a partir do ano passado: a Unidade de Terapia Intensiva. Talvez os significados das palavras desse nome nunca fizeram tanto sentido. Unidade de profissionais que não fazem nada sozinhos, que precisam uns dos outros tanto para as ações “operacionais” como para virar um paciente de bruços ou para discutir os procedimentos cada vez mais multidisciplinares. Terapia atualizada e individualizada com uma rapidez jamais vista, graças à agilidade e ao esforço da ciência. E intensiva em todos os detalhes.

Nas últimas semanas, esses ambientes estão diferentes do que vivenciamos ao longo de quase 20 meses. Vemos as altas de pacientes sem que seus leitos sejam imediatamente ocupados por outros e novos – e em determinado momento da pandemia, literalmente, cada vez mais novos – pacientes. Em alguns dias, deixamos inclusive de ter casos ativos de Covid-19. Isso significa que, pela primeira vez, em mais de 500 dias, não havia pacientes com potencial de transmissão da doença. Para os profissionais de saúde esse é um marco que nos emociona e enche de esperança.

Ao olhar os leitos vazios, não podemos nos esquecer da trajetória até aqui. Uma realidade que nem os mais experientes profissionais estavam preparados. Foram dias em que precisamos encarar como principal desafio manter o paciente vivo para que o próprio corpo pudesse ter forças para combater o Coronavírus. E, para isso, recorremos a procedimentos complexos. Em algumas instituições, o uso da ECMO, por exemplo, chegou a ser nove vezes mais frequente do que antes da pandemia. O aparelho que funciona como coração e pulmão artificial representou novos suspiros para muitos homens e mulheres. Já as diálises, ainda no leito de UTI, cresceram quase 60%.

O médico intensivista reconhece o seu papel como divisor de águas no tratamento de um paciente. A entrada dele em ação deve ser precisa no momento em que o quadro do paciente se agrava e que pode ser irreversível sem esse suporte. E assim, também ser o momento da saída. Mas talvez essa definição nunca foi tão nebulosa quanto na Covid-19. Como doença sistêmica e imprevisível, em cada paciente ela agia de uma forma. E foi a união entre assistência e pesquisa que nos deu o suporte para seguir.

Em muitos momentos, tivemos que lutar com os braços que tínhamos. E eles eram escassos de norte a sul do Brasil. Apenas 1,6% dos médicos brasileiros registrados são intensivistas. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) estima que o país precisaria ter, pelo menos, cinco vezes mais profissionais da área para atender toda a demanda de leitos de UTI. A matemática deixa claro o cansaço, mas as súplicas para voltar da intubação escancaram o peso que esses braços carregaram.

No início, observamos como a doença se comportava e compartilhamos conhecimento com o mundo. Agora, experimentamos os resultados desse movimento, que passa a ser coletivo. Vacinas em tempo recorde, adesão da população e a esperança de volta.

As ligações para as famílias e as longas semanas – até meses – de internamento nos aproximaram de cada um que venceu ou perdeu essa luta. Lidamos como uma tragédia social e humanitária e, apesar de acreditarem que somos heróis, sairemos dela mais humanos.

Jarbas da Silva Motta Junior, médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Marcelino Champagnat

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