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Mato Grosso e a Parceria de Ação em Economia Verde (PAGE)

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Autor: Eduardo Chiletto –

Nos últimos anos o Brasil, através do Estado de Mato Grosso, tem se beneficiado economicamente com o crescimento de seu grande setor agrícola. Na atual gestão, o governo tem trabalhado para aumentar o valor agregado das commodities agrícolas e ao mesmo tempo reduzindo os desafios ambientais associados a esse crescimento.

Além disso, está atento a questões sociais significativas, diminuindo expressivamente as condições de trabalho precárias e distribuição de renda desigual, tão graves e intensas que não foram sanadas em gestões anteriores.

Nesse esforço, conta com o apoio do setor privado, além do apoio da ONU através da Parceria de Ação em Economia Verde (PAGE), que tem oferecido suporte a setores estratégicos como a agricultura familiar, turismo sustentável e planejamento e ordenamento territorial, entre outras políticas que vêm sendo fortalecidas.

Reconhecendo a importância de alcançar um crescimento sustentável inclusivo, tão propagado internacionalmente pela ONU, Mato Grosso, por meio da Assessoria Internacional da Casa Civil, optou por enfrentar os desafios de promover o desenvolvimento sustentável estimulando atividades econômicas com o uso de novas tecnologias e esforços para manter e/ou reabilitar sua base de recursos naturais.

Se percebeu que a abordagem requer um processo de “descarbonização” da economia, mais eficiência energética, capacidade de planejamento e mão de obra qualificada. Esta estratégia se alinhou fortemente com os objetivos da ONU, em especial da Aliança de Ação para uma Economia Verde – PAGE.

Mato Grosso, por meio desta parceria, vem se beneficiando de vários instrumentos de planejamento em nível internacional para promover o desenvolvimento sustentável em todo o território, inclusive no Brasil.

Reformas temáticas e setoriais foram buscadas em uma variedade de áreas prioritárias, incluindo principalmente um novo processo de ocupação territorial, agricultura, agroindústria, turismo sustentável, energia renovável, regularização fundiária e empregos verdes, entre outros.

No entanto, veio a Pandemia da Covid-19 e o governo estadual, em uma iniciativa arrojada e ágil, colocou a recuperação verde no centro do plano de recuperação econômica, inclusive com recursos a fundo perdido da PAGE recebidos do KFW (Banco de Desenvolvimento da Alemanha), reconhecendo a importância de investir em programas que tragam concomitantemente benefícios ambientais, sociais e econômicos significativos para a população.

A política de recuperação verde promovida pelo governo de Mato Grosso tem como foco o fortalecimento da agricultura familiar, que responde por 51% da força de trabalho de Mato Grosso, implementado por meio do Plano Estadual de Agricultura Familiar em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Secretaria de Meio Ambiente.

A PAGE está à frente da reformulação do Plano Estadual da Agricultura Familiar, o que reforça uma área que a PAGE em nível global já apoia ativamente. E as áreas de interesse elencadas pelo governo de Mato Grosso são o desenvolvimento da cadeia de valor da agroindústria, integração logística e comercial dos produtos da agricultura familiar, melhor assistência técnica e governança para apoiar uma recuperação econômica verde e inclusiva.

Esse esforço coletivo do Governo do Estado de Mato Grosso tem se concretizado com a atuação das secretarias de estado, parceiros privados, instituições de ensino superior e organizações não governamentais, inclusive com a atuação da Academia de Arquitetura e Urbanismo (AAU-MT).

Esta, junto com a UFMT, elaborou um Plano de Gestão para o Centro Histórico de Cuiabá, que se destina a promover a consciência social, ampliar a oferta de serviços e a formação profissional especializada, ao mesmo tempo em que está fomentando o desenvolvimento e a implementação de políticas mais inclusivas.

As ações visam favorecer a troca de conhecimentos e tecnologias, o diálogo entre as diversas experiências e as políticas públicas municipais e estadual, inclusive em âmbito global, contribuindo assim para a melhor implementação das iniciativas de Economia Verde em todo o nosso território.

Os frutos deste significativo trabalho em parceria PAGE/Governo de Mato Grosso já começam a aparecer em nível nacional. Mato Grosso passa a ser referência nos estados que compõem a Amazônia Legal, que solicitaram a parceria com a PAGE, por terem observado o profícuo trabalho desenvolvido para a transformação equitativa e sustentável das estruturas econômicas, obtendo a sustentabilidade ambiental, a geração de trabalho decente e a promoção do bem-estar humano.

Neste momento, só tenho a dizer parabéns Mato Grosso, pelo dinamismo!

  • Eduardo Chiletto, arquiteto e urbanista, presidente da Academia de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (AAU-MT)
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Estamos todos saindo da UTI?

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Autor: Jarbas da Silva Motta Junior –

Há 13 anos, passo um grande pedaço do meu dia em um ambiente que, infelizmente, passou a fazer parte da história de muitas famílias a partir do ano passado: a Unidade de Terapia Intensiva. Talvez os significados das palavras desse nome nunca fizeram tanto sentido. Unidade de profissionais que não fazem nada sozinhos, que precisam uns dos outros tanto para as ações “operacionais” como para virar um paciente de bruços ou para discutir os procedimentos cada vez mais multidisciplinares. Terapia atualizada e individualizada com uma rapidez jamais vista, graças à agilidade e ao esforço da ciência. E intensiva em todos os detalhes.

Nas últimas semanas, esses ambientes estão diferentes do que vivenciamos ao longo de quase 20 meses. Vemos as altas de pacientes sem que seus leitos sejam imediatamente ocupados por outros e novos – e em determinado momento da pandemia, literalmente, cada vez mais novos – pacientes. Em alguns dias, deixamos inclusive de ter casos ativos de Covid-19. Isso significa que, pela primeira vez, em mais de 500 dias, não havia pacientes com potencial de transmissão da doença. Para os profissionais de saúde esse é um marco que nos emociona e enche de esperança.

Ao olhar os leitos vazios, não podemos nos esquecer da trajetória até aqui. Uma realidade que nem os mais experientes profissionais estavam preparados. Foram dias em que precisamos encarar como principal desafio manter o paciente vivo para que o próprio corpo pudesse ter forças para combater o Coronavírus. E, para isso, recorremos a procedimentos complexos. Em algumas instituições, o uso da ECMO, por exemplo, chegou a ser nove vezes mais frequente do que antes da pandemia. O aparelho que funciona como coração e pulmão artificial representou novos suspiros para muitos homens e mulheres. Já as diálises, ainda no leito de UTI, cresceram quase 60%.

O médico intensivista reconhece o seu papel como divisor de águas no tratamento de um paciente. A entrada dele em ação deve ser precisa no momento em que o quadro do paciente se agrava e que pode ser irreversível sem esse suporte. E assim, também ser o momento da saída. Mas talvez essa definição nunca foi tão nebulosa quanto na Covid-19. Como doença sistêmica e imprevisível, em cada paciente ela agia de uma forma. E foi a união entre assistência e pesquisa que nos deu o suporte para seguir.

Em muitos momentos, tivemos que lutar com os braços que tínhamos. E eles eram escassos de norte a sul do Brasil. Apenas 1,6% dos médicos brasileiros registrados são intensivistas. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) estima que o país precisaria ter, pelo menos, cinco vezes mais profissionais da área para atender toda a demanda de leitos de UTI. A matemática deixa claro o cansaço, mas as súplicas para voltar da intubação escancaram o peso que esses braços carregaram.

No início, observamos como a doença se comportava e compartilhamos conhecimento com o mundo. Agora, experimentamos os resultados desse movimento, que passa a ser coletivo. Vacinas em tempo recorde, adesão da população e a esperança de volta.

As ligações para as famílias e as longas semanas – até meses – de internamento nos aproximaram de cada um que venceu ou perdeu essa luta. Lidamos como uma tragédia social e humanitária e, apesar de acreditarem que somos heróis, sairemos dela mais humanos.

Jarbas da Silva Motta Junior, médico intensivista e coordenador da UTI do Hospital Marcelino Champagnat

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